Saída de Saunders de Comissão papal ajuda a resolver a crise de identidade do órgão

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08 Fevereiro 2016

O anúncio feito pelo Vaticano de que um sobrevivente de abuso sexual e ativista britânico está deixando a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores é, claro, uma má notícia. Mas a sua saída era também inevitável, um fruto das tensões sobre a identidade que a Comissão assumiu desde o seu início.

O comentário é de Austen Ivereigh, publicado por Catholic Voices, 07-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Segundo uma nota publicada pelo Vaticano no sábado, 06-02-2016, 17 membros peritos da citada comissão tomaram uma decisão unânime (com uma abstenção) de que Peter Saunders deveria “sair de licença”.

Saunders foi convidado para participar do órgão em dezembro de 2014 depois de se reunir com o Papa Francisco no começo daquele ano. A Comissão, que se encontra duas vezes por ano em Roma, inclui psiquiatras, terapeutas e especialistas de vários tipos, sendo presidida pelo Cardinal Sean O’Malley, arcebispo de Boston.

A sua função, que nunca ficou bem definida em primeiro lugar, é auxiliar o Vaticano no desenvolvimento de diretrizes e políticas para o enfrentamento de casos de abusos sexuais na Igreja, ajudando a traduzir e aplicar, nos países desenvolvidos, as melhores práticas desenvolvidas na Europa e nos EUA. A Comissão não é uma plataforma para grupos de sobreviventes fazerem campanha contra a Igreja, e sim um órgão proponente de políticas que devem auxiliar o papa no enfrentamento do problema.

Saunders, no entanto, logo começou a explorar o seu cargo de alto escalão para fazer campanha para casos específicos, em particular acusando o Cardeal George Pell, presidente da Secretaria para a Economia, de ser um sociopata, e recentemente dizendo ao jornal The Times que, a menos que papa destitua um bispo no Chile (da diocese de Osorno) acusado de cumplicidade em casos de abuso, a Comissão continuaria sendo uma “piada” e motivos de chacota.

No entanto, a Comissão deixou claro, e o fez explicitamente em junho do ano passado, que os membros dela participantes não deveriam comentar publicamente sobre casos individuais, posição acordada que Saunders continuamente ignorou. O resultado foi que a Comissão teve grandes dificuldades em se fazer conhecida por outras ações senão pelas observações públicas de Saunders.

Saunders continuamente manifestou frustração na imprensa por certa inação em casos individuais. Ele e outros membros da Comissão tinham acesso direto à pessoa responsável por investigar tais casos, o Pe. Robert Oliver, promotor de Justiça na Congregação para a doutrina da Fé – CDF, quem também atua como secretário da Comissão. As acusações que Saunders faz nos casos de Pell e Barros são negadas e estiveram (ou estão) sendo investigadas pelas autoridades competentes.

Por fim, a questão acabou tendo um outro problema. A Comissão é um órgão do Vaticano, fundado pela Igreja, e que responde – como todos os órgãos vaticanos – ao papa, não à pressão de grupos ou lobbies externos à Igreja. Não obstante, Saunders se via como representante de organizações compostas por sobreviventes de abuso, e aparecia em Roma nos encontros da Comissão juntamente com representantes delas. Por exemplo, no sábado, dia 6 de fevereiro, ele falou com a imprensa ao lado de Juan Carlos Cruz, um crítico amargo do bispo chileno.

Já a sobrevivente de abusos clericais remanescente na Comissão, Marie Collins, que, diferentemente de Saunders, está entre os seus membros desde o início, tem tido o cuidado de não explorar o seu cargo para campanhas em casos individuais.

A nota divulgada no sábado deixou claro que poderá haver um órgão criado no futuro para representar as opiniões dos grupos de defesa dos sobreviventes na Comissão. Nesse caso, o papel de tal grupo estaria claro.

Ainda que seja obviamente um caso de expulsão, a partida de Saunders não é surpresa para ninguém que acompanhe a Comissão nos últimos meses. A decisão deixa livre Saunders para ser o que ele faz bem – fazer campanhas em nome dos sobreviventes – e libera a Comissão para se centrar especificamente sobre o seu trabalho próprio, de produção de políticas a serem adotadas.

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