Caminho Sinodal: o tempo necessário. Artigo de Marcello Neri

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04 Outubro 2021

 

"Um resultado que não era dado como certo nestes dias foi o da participação ativa, em vista de uma colaboração efetiva, também daqueles que discordam de alguns temas ou propostas contidas nos documentos analisados em primeira leitura. Isso também sugere não só a oportunidade, mas sobretudo a necessidade de conceder mais tempo ao Caminho Sinodal da Igreja alemã", escreve o teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado por Settimana News, 03-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A Assembleia Plenária do Caminho Sinodal alemão terminou prematuramente, sábado, no início da tarde, por falta de participantes apto a garantir a maioria de 2/3 necessária para a aprovação, em primeira leitura, dos textos apresentados pelos quatro fóruns temáticos. Até àquele momento, 13 dos 16 documentos haviam sido aprovados provisoriamente - todos com maioria significativa entre 76% e 92%.

O presidente da Caminho Sinodal, Mons. G. Bätzing, expressou todo o seu pesar a respeito: “Estou bastante chocado por ter visto, ao longo do dia, muitos participantes que saíram antes do tempo (…) Deve ficar claro qual é a prioridade”. O próprio Bätzing, de acordo com os outros componentes da Presidência do Caminho Sinodal, havia proposto, na manhã de sábado, estender o processo por um ano - constatada a necessidade de ter mais tempo disponível tanto para a discussão como para o futuro desenvolvimento de uma dinâmica sinodal que, nestes dias em Frankfurt, mostrou toda a sua fecundidade potencial.

 

Foto: reprodução site Der Synodale Weg.

 

Quanto às propostas de modificação dos textos apresentados na Assembleia, a comissão ad hoc recebeu 1427 - enviadas, ao todo, por apenas 74 membros do Caminho Sinodal. “Durante os trabalhos na sala sinodal, a colaboração entre os participantes foi fecunda e certamente bem-sucedida. Isso também foi visto na mudança do clima no diálogo entre os sinodais dos diferentes grupos” (Ch. Brüwer-M. Findsein). Igualmente clara foi a compressão do tempo disponível para discussão e a escuta, daí a adesão espontânea por parte dos sinodais à proposta da Presidência de estender o Caminho Sinodal por um ano. Agora será uma questão de ratificar formalmente esse desejo da assembleia de ter mais tempo.

Um resultado que não era dado como certo nestes dias foi o da participação ativa, em vista de uma colaboração efetiva, também daqueles que discordam de alguns temas ou propostas contidas nos documentos analisados em primeira leitura. Isso também sugere não só a oportunidade, mas sobretudo a necessidade de conceder mais tempo ao Caminho Sinodal da Igreja alemã.

Que está aprendendo, como qualquer outra Igreja local deveria fazer nestes últimos anos, que a sinodalidade, com as transformações eclesiais que ela pode potencialmente aportar, possui tempo longos e requer um lento processo de aprendizagem. Mas poderia ser a oportunidade para recuperar um "nós" eclesial que parece ter se perdido há tempo.

 

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