A Igreja Católica alemã. Artigo de Marcello Neri

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23 Setembro 2021

 

"A uma Igreja que parece ter sido encurralada no corner como um pugilista à espera do nocaute, poderia vir em socorro a linha oferecida pelo documento preparatório para o Sínodo de toda a Igreja Católica - mas é preciso ter a força e a vontade, que agora parecem ser reduzidas ao mínimo. O maximalismo a que aspira boa parte do laicado alemão e alguns bispos, em direções opostas, só poderá produzir um impasse que poderia se revelar fatal", escreve o teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado por Settimana News, 22-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A plenária de outono da Conferência Episcopal alemã (DBK)está sendo realizada em Fulda nestes dias (20-23 de setembro), e na próxima semana (30 de setembro - 2 de outubro) acontecerá a segunda Assembleia plenária do Caminho sinodal - durante a qual será feita a primeira leitura dos textos elaborados pelos quatro Fóruns temáticos (poder na Igreja; a vida do sacerdote; sexual e moral; papel das mulheres na Igreja).

A Igreja alemã chega a esses dois encontros em estado de agitação: os contrastes sobre o documento ligado ao poder e à divisão dos poderes na Igreja, que levou à publicação de um texto alternativo fora da estrutura do Caminho sinodal;

- as reações à recusa do Papa Francisco em aceitar a renúncia do bispo de Hamburgo, D. S. Heße - pungente é um eufemismo daquelas que circularam nos principais meios de informação;

- a publicação do relatório de investigação de uma comissão externa, encarregada pela diocese de Hildesheim para o que diz respeito aos abusos e sua gestão durante o episcopado de D. H.M. Janssen (1957-1982) - como o primeiro bispo alemão que resulta ser culpado de abusos sexuais contra menores;

a situação de crise permanente na diocese de Colônia, onde a desconfiança em relação ao bispo, card. Woelki, fica mais profunda a cada dia. Apenas para citar as maiores tempestades.

A plenária do DBK dedicará apenas meia manhã de estudo e discussão ao Caminho sinodal - muito pouco para poder chegar prontos, como corpo episcopal, para um encontro como o da primeira avaliação dos textos que resultaram dos trabalhos dos Fóruns. Em vez disso, muito tempo é dedicado a questões administrativas internas, ou seja, a eleição dos novos presidentes, vice-presidentes e conselheiros das 14 comissões da DBK.

A tudo isso se soma o início dos trabalhos do Sínodo organizado por Francisco sobre a sinodalidade da Igreja Católica, uma atitude cada vez mais agressiva da imprensa para com os bispos e a Igreja em relação aos abusos, a gestão da pastoral e as estruturas diocesanas em cada Igreja local. Além disso, um clima de substancial hostilidade que parece ser a base da relação entre os leigos e os bispos em nível nacional - que não é necessariamente o espelho daquele das dioceses individualmente.

A uma Igreja que parece ter sido encurralada no corner como um pugilista à espera do nocaute, poderia vir em socorro a linha oferecida pelo documento preparatório para o Sínodo de toda a Igreja Católica - mas é preciso ter a força e a vontade, que agora parecem ser reduzidas ao mínimo. O maximalismo a que aspira boa parte do laicado alemão e alguns bispos, em direções opostas, só poderá produzir um impasse que poderia se revelar fatal.

A disposição de alguns em aceitar os tempos necessários para trabalhar em transformações estruturais reais poderia, em vez disso, provar ser o trunfo: capaz de libertar o catolicismo alemão de sua obsessão pelo presente e imaginar caminhos para uma Igreja que virá.

 

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