Alemanha. Dom Stefan Hesse: renúncia rejeitada

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16 Setembro 2021

 

O Papa Francisco não aceitou a renúncia de dom Stefan Hesse como bispo de Hamburgo, oferecidas após o relatório de investigação jurídico sobre a gestão de abusos que afetaram a diocese de Colônia - onde Hesse foi primeiro diretor de pessoal e depois vigário geral. A notícia foi divulgada através de um breve comunicado da Nunciatura da Santa Sé na Alemanha.

A reportagem é de Marcello Neri, publicada por Settimana News, 15-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ao tomar essa decisão, foi levado em consideração tanto o resultado da visita apostólica realizada na diocese de Colônia pelo cardeal Arborelius e por dom van den Hende em junho passado, quanto da documentação recebida por vários dicastérios da Cúria do Vaticano.

O comunicado afirma que “foram constatadas faltas na organização e nos procedimentos de trabalho da Cúria diocesana de Colônia, assim como erros pessoais de comportamento por parte de dom Hesse. As investigações, entretanto, não revelaram que tudo isso teria sido feito com o intuito de encobrir casos de abuso sexual. O problema de fundo deve ser buscado no quadro mais amplo da administração da diocese e numa falta de atenção e sensibilidade para com as vítimas de abusos”. Levando em consideração que dom Hesse “reconheceu humildemente os erros cometidos no passado e que ofereceu sua renúncia ao cargo de bispo, o Santo Padre decidiu (...) não aceitar esta última”.

Ao mesmo tempo, dom Hesse enviou uma carta aos fiéis e às comunidades da diocese de Hamburgo na qual afirma que corresponde à vontade do Papa e, portanto, que volta a assumir plenamente suas responsabilidades, tarefas e deveres, como bispo de Hamburgo. “Farei todo o possível - escreve o bispo - para estar à altura do desafio que temos pela frente. Será um novo começo. Os últimos seis meses marcaram-me e, certamente, também deixaram vestígios em toda a diocese de Hamburgo. Foi um tempo em que aprendi e vivenciei algo especial”.

É concebível que a decisão de Francisco abra um amplo e controverso debate na Alemanha - especialmente no que diz respeito à responsabilidade pessoal dos bispos em casos de falhas na gestão dos abusos nas igrejas locais. Principalmente para as vítimas, poderia surgir a impressão de que, no final das contas, ninguém é realmente responsável não tanto pelo ato em si, mas pelo clima geral e pelas formas estruturais que tornaram possível aquele ato e o deixaram impune por muito tempo. Este é um sentimento que deve ser levado muito a sério - especialmente quando se decide que faltam os elementos necessários para uma imputabilidade pessoal de quem está na direção de uma Igreja local.

Por outro lado, a decisão de Francisco, comunicada pela Nunciatura, é uma espécie de j’accuse de todo o sistema administrativo e pastoral das cúrias diocesanas - ou, em outras palavras, uma consideração dos abusos como um pecado sistêmico da Igreja. Agora, para Hesse, e apenas algum tempo atrás para o cardeal Marx, Francisco pede para continuar a dirigir uma Igreja local justamente a partir deste fato e desta consciência. O desafio atribuído aos dois bispos alemães é mostrar, na prática e concretamente, que nada pode ser como antes e que nada pode permanecer como antes.

Tarefa ingrata e nada fácil, para a qual a renúncia teria sido um caminho plano e sem obstáculos. Com a sua decisão, Francisco corre o risco de aprofundar o fosso entre ele, a Igreja e as vítimas de abusos (creio conscientemente), para que a partir da experiência se iniciem processos de transformação radical das estruturas da Igreja e dos modos de ser dos bispos.

Para Marx e Hesse, confirmados em seu ministério, é solicitado exatamente isso - mostrar que aprenderam como se faz para ser mais humanos do que o aparato clerical e administrativo, do qual ambos são essencialmente o produto.

 

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