Caso Becciu. “A cátedra de Pedro, pela primeira vez, tem preço: dez milhões de euros”

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20 Novembro 2020

Becciu poderia impugnar um hipotético conclave se for excluído da Sistina

A revista L’Espresso responde ao purpurado defenestrado: “a cátedra de Pedro, pela primeira vez, tem preço: dez milhões de euros”.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 19-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Angelo Becciu poderia impugnar um hipotético conclave se não lhe for permitido o acesso à Capela Sistina, tal e como aponta o documento no qual se substancia a denúncia do purpurado defenestrado por Francisco no último 24 de setembro, é o que relata à revista italiana L’Espresso.

Tal exclusão “poderia levar a impugnar a validez da eleição do Santo Padre, com todas as implicações doutrinais que pudesse derivar dela, assim como as divisões dentro da Igreja que pudessem ser geradas, sem esquecer dos graves problemas econômicos que provocaria a convocatória de um segundo conclave, já que é um trâmite muito custoso para a Santa Sé”, aponta o comunicado, com o qual o purpurado dá um salto e se posiciona, claramente, entre os opositores ao Papa.

 

Um eleitor deve participar

Para Becciu, o dano causado é duplo: em primeiro lugar, não poder participar da eleição do pontífice como eleitor “pode afetar a orientação” do resto dos cardeais “dentro do conclave”.

Em segundo lugar, o ser privado de participar nas reuniões cardinalícias, “onde se tomam decisões importantes para a vida da Igreja”, o que o “isolou” e “viu o mundo cair sobre ele, depois de cinquenta anos de honorável serviço eclesial”, sendo apresentado “diante dos olhos do mundo como um ‘ladrão’, um ‘corrupto’, um ‘homem de negócios’”.

Enquanto isso, L’Espresso contestava com dureza as acusações do ex-cardeal. Em um editorial, a revista assegura que “fizemos nosso trabalho e nosso dever de informação, com justiça e profissionalismo, conscientes da excepcional importância pública do assunto”, e desvincula a decisão do Papa da publicação de suas exclusivas, por mais que os advogados de Becciu sustentem que no momento de sua demissão, “uma cópia do Espresso estava nas mãos do Santo Padre”.

 

“Por que Francisco acreditou em uma investigação e não nele?”

“Para o cardeal Becciu, o Papa, sucessor do apóstolo Pedro, vigário de Cristo, seria uma pessoa impressionável, influenciada, facilmente condicionada até o ponto de um artigo jornalístico ser suficiente para revogar o juízo sobre um dos seus homens de confiança”, ironiza o semanário.

“Se o cardeal possui um currículo tão pontualmente reportado no documento de seus advogados e uma imagem no espelho, por que o papa Francisco decidiu acreditar em uma investigação jornalística e não nele?”, acrescenta L’Espresso, que continua: “foi o próprio cardeal quem proporcionou uma versão completamente diferente dos fatos feitos públicos, durante a conferência de imprensa da sexta-feira 25 de setembro, depois de sua demissão”.

Naquela conferência, Becciu revelou que “o Papa me disse que havia recebido um relatório dos magistrados de que eu teria cometido peculato. Dos papéis das investigações realizadas pela Guarda das Finanças italiana, se entende que cometi o delito de desvio de dinheiro”.

 

Duas versões distintas

“Por que mudou de opinião agora? Por que duas versões tão diferentes sobre um momento tão delicado como a audiência com o Papa que o obrigou a se demitir?”, pergunta o semanário, que denuncia que a indenização solicitada por Becciu tem mais a ver com suas ânsias de suceder a Bergoglio que com a verdade. “L’Espresso é acusado não apenas de condicionar o Papa no cargo, mas também o Espírito Santo que poderia eleger Becciu como seu sucessor, se um artigo não tivesse interferido para bloquear sua ascensão. A cátedra de Pedro, pela primeira vez, tem preço: dez milhões de euros”.

“Se diria ao cardeal, com o velho ditado, que não brinque com os santos. Porém poucos santos se veem por aí nesta história. E seguiremos tratando essa história, apesar do claro desejo de intimidar um cardeal que se comporta, também neste caso, como o menos escrupuloso dos soldados de infantaria”, finaliza.

 

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