Vaticanista pede para o Papa trazer transparência ao “circo” da desinformação sobre os escândalos financeiros da Santa Sé

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03 Outubro 2020

Um novo ‘Vatileaks’ causando “danos” à Igreja, papado, fiéis.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Novena News, 02-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Estamos agora no coração de um novo Vatileaks (o terceiro) depois do primeiro (2012) e do segundo (2015), que tanto causaram danos à Igreja, ao papado e em particular aos humildes e simples coração dos membros do Santo Povo de Deus”, escreveu nesta sexta-feira o vaticanista Luis Badilla no jornal Il Sismografo.

“Os mecanismos, estilos e métodos do Vatileaks 3 são idênticos aos dos dois anteriores, apenas mudam os protagonistas”, lamentou Badilla.

Badilla disse que procurou com seu post apenas “fazer algumas perguntas, cuidadosas, com humildade e sem esperar respostas de ninguém”. “É convite para parar e refletir e voltar a subir a montanha”, escreveu.

Ele acrescentou que se referia às relações entre autoridades do Vaticano e jornalistas – a maioria italianos – que resultaram em uma chuva de informações na semana passada sobre os últimos escândalos de corrupção que abalaram a Santa Sé.

Uma "crise de confiança e credibilidade" alimentada pela opacidade do Vaticano

“Como nos dias de Vatileaks 1 e Vatileaks 2, entre muitos jornalistas, editores, os chamados especialistas, fontes autorizadas e prelados de alto escalão, uma trama suja foi criada que se apresentou e se apresenta como 'verdadeira e confiável'”, observou Badilla.

Ele refere-se às “dezenas de relatórios, revelações e furos... com abundantes citações anônimas” que foram publicadas sobre o escândalo em torno do defenestrado cardeal Angelo Becciu, e cujos relatórios disse terem sido elaborados “para alimentar uma campanha na mídia contra ou a favor do Papa”.

Mas Badilla escreveu que em meio ao “verdadeiro circo” de informações que saíram desde que o cardeal Becciu foi dispensado de suas funções no departamento de santos do Vaticano e de seus direitos como cardeal por causa de suposta negligência financeira “nenhum de nós é capaz de verificar a fiabilidade e sobretudo a veracidade” dos fatos alegados.

“O Vaticano, especificamente o papa Francisco, poderia poupar seu pontificado e a Igreja dessa crise de confiança e credibilidade usando a transparência e a parrésia em tempo hábil”, implorou o vaticanista.

No dia 24 de setembro, a Sala de Imprensa da Santa Sé anunciou que “o Santo Padre aceitou a renúncia do cargo de Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e dos direitos vinculados ao Cardinalato apresentada por Sua Eminência o Cardeal Giovanni Angelo Becciu”.

Mas Badilla perguntou-se: por que o Vaticano não anunciou naquele momento um julgamento criminal para Becciu e seus supostos associados se houvesse evidências suficientes para exigir a renúncia do cardeal? E por que uma semana depois a Santa Sé ainda não confirmou nenhum processo criminal?

“Tudo deve ser feito para estancar os vazamentos”, argumentou Badilla a respeito da desinformação sobre os escândalos de corrupção. Ele também pediu ao Papa por ações: “Esta guerra fratricida nasceu no coração da Igreja e deve ser interrompida no coração da Igreja”.

A declaração do Vaticano de 24 de setembro confirmando a renúncia de Becciu é a única informação oficial que a Santa Sé forneceu até o momento sobre as últimas alegações de corrupção.

Nas entrelinhas de uma entrevista ao Vatican News, em 1º de outubro, no entanto, estava a afirmação do prefeito da Secretaria para a Economia, padre Juan Antonio Guerrero, de que “até onde sabia” as perdas sofridas pela Santa Sé na compra atribuída a Becciu, de uma propriedade em Londres, não foi coberta pelas doações dos fiéis de todo o mundo ao Óbolo de São Pedro.

Em 30 de setembro, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também fez referência ao escândalo em torno de Becciu, e disse que “o episódio que estamos testemunhando nos entristece profundamente. Esperamos que as coisas sejam esclarecidas”.

“Lamento por todos os envolvidos: para eles também é uma grande dor. Mas esperamos que tudo seja esclarecido e haja uma vontade da parte de todos em seguir o Papa no caminho da correção e da transparência”, acrescentou Parolin.

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