Trabalho: a pandemia criará uma nova “geração perdida”?

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31 Julho 2020

Quando o contágio eclodiu no início do ano, a Covid-19 ceifou vítimas principalmente entre os mais idosos. Mas, em longo prazo, as consequências da pandemia correm o risco de ser piores para os mais jovens, especialmente para aqueles que estão dando os primeiros passos no mundo do trabalho neste período.

A reportagem é de Chiara Merico, publicada por Business Insider, 30-07-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Muitos jovens europeus viram o seu caminho, talvez recém-começando, interromper-se bruscamente com o advento da pandemia: uma parada forçada, que, segundo vários economistas, poderia piorar as suas perspectivas de trabalho e de renda por um período muito longo. Um problema particularmente sério na Europa, onde o desemprego juvenil é uma triste realidade que se arrasta sem solução desde a crise financeira global de 2008-2009, particularmente nos países meridionais como Espanha e Grécia.

E a crise desencadeada pela pandemia do coronavírus já está mostrando os primeiros sinais nesse sentido, que certamente não são encorajadores. Se a taxa geral de desemprego em maio aumentou apenas 0,1%, chegando a 6,7%, graças aos amortizadores sociais e às reduções de horário, no mesmo mês, o desemprego entre os menores de 25 anos aumentou três vezes isso, 0,3%, tocando em 15,7%.

Na Itália, como ressaltou o Financial Times, a taxa de desemprego caiu surpreendentemente de 8% em março para 6,3% em abril, mas apenas devido ao fato de muitas pessoas terem passado para a categoria de inativos, que viu um aumento de 746 mil unidades para uma taxa que passou de 36,1 % para 38,1%.

O número dos ocupados na Itália diminuiu 274 mil unidades entre março e abril: o país, explica o jornal financeiro, detém o pouco invejável primado de nação europeia com o mais elevado percentual de jovens entre 20 e 34 anos que não trabalham, não estudam e não estão envolvidos em projetos de formação, os chamados “Neet”. Na Itália, a número é de 27,8%, bem acima da média europeia de 16,4%.

O que preocupa, acima de tudo, é o fato de o desemprego juvenil estar inversamente relacionado ao crescimento econômico, e, portanto, quanto mais forte for o impacto da crise sobre a economia como um todo, pior será para os jovens trabalhadores.

Um exemplo emblemático vem da República Tcheca, um país que, após uma longa fase de expansão econômica, orgulhava-se de uma taxa de desemprego juvenil de apenas 5%. Mas, entre janeiro e maio, o número de jovens sem trabalho entre 15 e 24 anos de idade aumentou pela metade, e, de acordo com estimativas de Dennis Tamesberger, especialista em desemprego juvenil da Câmara do Trabalho de Linz, na Áustria, em 2020 a taxa poderia mais do que triplicar, chegando a 16%.

E, infelizmente, como explicou o estudioso à Reuters, quem “perde o trem” em tenra idade corre o risco de não conseguir mais acompanhar o ritmo dos outros: com base nos resultados de uma pesquisa do Center for Economic Policy Research, de Londres, um mês de desemprego entre os 18 e os 20 anos de idade pode levar a uma perda de 2% na renda da vida inteira.

Além disso, períodos mais longos de ausência do trabalho em idade juvenil aumentam a probabilidade de paradas futuras, porque quem fica parado não têm mais a possibilidade de adquirir conhecimentos e experiências necessárias para ser competitivo no mercado de trabalho.

Conforme o especialista austríaco, “os períodos de desemprego em idade juvenil podem ter um impacto negativo sobre a vida em geral, o que justifica o uso do termo ‘geração perdida’”.

A pandemia chegou como um tsunami, atingindo um território já devastado: após a crise financeira em países como a Grécia e a Espanha, o desemprego juvenil nunca se afastou de porcentagens em torno dos 30% e, de acordo com Tamesberger e outros especialistas, poderia chegar agora a 45%.

Se o mundo do trabalho na Europa já estava cheio de obstáculos para os mais jovens, a pandemia criou ainda mais. Por exemplo, entre os setores mais afetados pelas restrições estão o varejo e setor hoteleiro, historicamente dois dos mais populares entre os jovens em busca do primeiro emprego.

A União Europeia também interveio sobre essa questão, pedindo aos governos que utilizem os fundos existentes para criar empregos dedicados aos jovens e iniciar programas de formação e treinamento: a estimativa é de que sejam necessários investimentos de 22 bilhões de euros [134 bilhões de reais] para corrigir defeitos estruturais do mercado, particularmente em países como a Espanha.

Como observou o comissário europeu Valdis Dombrovskis, “mesmo nos melhores momentos, dar os primeiros passos no mundo do trabalho é um desafio. E estes certamente não são os melhores momentos”.

 

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