Vaticano apresenta roteiro da Laudato Si’. “Um momento histórico marcado por desafios urgentes”

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19 Junho 2020

Um trabalho interdicasterial da Santa Sé propõe “decisões concretas” para tornar realidade a conversão ecológica que convoca o papa Francisco em sua Encíclica de 2015. Críticas ao sistema “que reduz o Estado de bem-estar” e advertência pelos conflitos pela água.

A reportagem é de Hernan Reyes Alcaide, publicada por Religión Digital, 18-06-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A Laudato Si’ criou um marco na história contemporânea, e terminou de levar o magistério do papa Francisco fora da Igreja, com suas revolucionárias propostas para homens e mulheres de todo o mundo. A Santa Sé deu agora um passo mais nessa direção e apresentou hoje um “roteiro” para uma aplicação concreta e operativa da Encíclica, um trabalho que no próximo ano somará também a fundação homônima que o pontífice encomendou ao jurista argentino Roberto Carlés.

Em marcha pelo cuidado da Casa Comum”, é o nome do documento preparado pela Mesa Interdicasterial do Vaticano sobre Ecologia Integral, na qual fez-se conhecer hoje as linhas principais propostas pela Santa Sé.

Crise ecológica e chamado à conversão

“A assim chamada crise ecológica é um momento propício de estímulo à conversão e a decisões concretas e que não possam ser adiadas; convida a um diálogo interdisciplinar e operativo a todo nível, do local ao internacional; solicita um caminho educativo para uma formação integral da consciência”, aborda o documento apresentado neta quinta-feira pelo secretário para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher, na sala de imprensa vaticana.

“Não podemos não constatar que vivemos um momento histórico marcado por desafios urgentes, porém também muito estimulantes para construir uma nova civilização”, demarca a Mesa Interdicasterial.

“A respeito, é necessário um contínuo trabalho para a difusão, o aprofundamento e a atuação da Laudato Si’. Nasce aqui a ideia de propor reflexões sobre algumas propostas operativas da Encíclica através de um texto orientado à ação e dirigido às Igrejas locais, a suas comunidades, aos responsáveis da coisa pública, a todos os seres humanos de boa vontade”, acrescenta, em continuidade programática com a Encíclica.

Propostas operativas

“À luz da doutrina social da Igreja, e em particular da Laudato Si’, nas páginas seguintes apresentam-se várias propostas operativas, com o objetivo de inspirar a ação das instituições da Igreja, dos fiéis e de todas as pessoas boas”, sustentam as equipes técnicas no documento.

Entre as propostas levantadas, aparecem, por exemplo, “dar um reconhecimento à economia informal aumentando o acesso dos trabalhadores informais a serviços públicos, espaços públicos e contratação públicas, reformando leis e regulamentos para apoiar esses trabalhadores, incluindo seus líderes em processos participativos da tomada de decisões e nos processos de definição das regras”.

Uma das passagens mais duras é o referido ao mundo das finanças, onde as propostas chegam a “sancionar severamente as instituições financeiras involucradas em operações ilegais e que favoreçam a evasão fiscal e/ou especulem com produtos alimentícios de primeira necessidade”.

Fechar os paraísos fiscais

“Fechar os paraísos fiscais, evitar a evasão e a lavagem de dinheiro que roubam a sociedade, colocando o ser humano abaixo dos interesses das empresas e das multinacionais mais poderosas, que terminam sufocando e impedindo a produção local”, escrevem nas diretrizes.

O marco analisado pelo Vaticano sustenta que “é tangível o nexo entre as questões financeiras de hoje e a conversão ecológica”.

Nesse marco, esclarece-se que o documento foi preparado antes da difusão do coronavírus, o texto sustenta que “a pandemia de covid-19 demonstra como deve ser posta em discussão um sistema que reduz o Estado de bem-estar, assim como um sistema econômico-financeiro que permite grandes especulações, inclusive sobre as tragédias, voltando-se contra os mais pobres”.

Em outro plano, adverte-se que “a escassez de água, que se contrapõe a seu controle por parte de poucos, corre o risco de ser uma das principais causas de conflitos nos próximos decênios”.

Entre as propostas integrais, o Vaticano propõe também “monitorar severamente as atividades de exploração e de extração nos ecossistemas mais frágeis e nas atividades offshore, em particular nos países em via de desenvolvimento, para evitar que os direitos humanos sejam golpeados, que a água, o solo e o ar sejam contaminados de forma negligente ou consciente, involucrando as populações interessadas”.

 

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