50 anos após sua morte. Retrato teológico de Karl Barth

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11 Dezembro 2018

Karl Barth nasce em 10 de maio de 1886 em uma família de classe média, em Basileia, Suíça. Seu pai é professor de teologia, especialista no Novo Testamento. Ele estuda em Berna, Berlim e Marburg, sob a influência de Adolf von Harnack e da teologia liberal. Pastor de 1911 a 1921 em Safenwil, uma pequena cidade suíça, participa, em um primeiro momento, da corrente do chamado socialismo religioso. Em 1921 é nomeado professor de teologia reformada na Faculdade de Göttingen pelo sucesso que ele alcançou seu comentário sobre a Epístola aos Romanos. Sucessivamente, ele ensina em Münster e Bonn até 1935, quando é expulso da Alemanha pelo regime nazista. Desde então até 1964 ele ensina em Basileia. Morre em 10 de dezembro de 1968. Barth é um dos (poucos) teólogos que desenvolveram um articulado e complexo pensamento em diferentes fases. Numa primeira fase, seus mestres são os teólogos liberais Hermann e von Harnack; suas leituras favoritas são as obras de Schleiermacher e Kant.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por Il Trentino, 10-12-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

O teólogo que se opôs a Hitler

50 anos depois de sua morte – acontecida em 10 de dezembro de 1968 em Basileia, a cidade suíça onde tinha nascido oitenta e dois anos antes - na MittelEuropa lembra-se o teólogo calvinista Karl Barth, um gigante entre os pensadores cristãos do século XX, que, diante do nazismo na Alemanha (onde lecionava na Universidade de Bonn), deu uma contribuição decisiva para o desenvolvimento da "Igreja confessante" que, por fidelidade ao Evangelho, se opunha à Weltanschauung de Adolf Hitler.

Jovem teólogo, em 1919 Barth publica Der Römerbrief, uma exegese da Epístola do apóstolo Paulo aos Romanos que marca uma mudança de perspectiva na interpretação daquele texto, que terá uma profunda influência sobre os estudiosos do assunto e, portanto, na pregação das Igrejas Reformadas e Luteranas. Ele estabelece as bases de uma nova reflexão sobre o "Deus totalmente outro" que as criaturas nunca poderão almejar a compreender, mas apenas, na fé, acolher, porque em Cristo pela graça doa a sua salvação. Depois de ensinar teologia em outras universidades, em 1930 obtém a cátedra em Bonn. E aqui, com crescente inquietação, vê o sucesso de Hitler, que em 1933 torna-se chanceler do Terceiro Reich. O Führer, para aumentar o próprio poder, incentiva a expansão dos Deutsche Christen, os chamados "Cristãos alemães", partidários entusiastas do regime.

Para opor-se a esse desvio, no Sínodo confessante da Igreja Evangélica, que se realiza em Barmen em 1934, Barth é o maior inspirador de uma Declaração que, com argumentos teológicos, proclama seis teses para provar a "impossibilidade" para um crente em Cristo de aderir aos princípios nazistas. Aquele texto afirma: "Jesus Cristo, como é atestado nas Escrituras, é a única palavra de Deus. A ela devemos prestar ouvido, nela devemos confiar, e nela devemos obedecer na vida e na morte. Rejeitamos a falsa doutrina, segundo a qual a Igreja, ao lado e para além desta única Palavra, poderia e deveria usar como base de sua pregação, também outros eventos e poderes, figuras e verdades, reconhecendo-lhes o caráter de revelação de Deus. Portanto, rejeitamos os erros dos Cristãos alemães que devastam a Igreja". E ainda: "Por meio de Jesus, experimentamos uma alegre libertação dos laços ímpios deste mundo para um livre, grato serviço para as suas criaturas."

Suspenso do ensino por causa da recusa de prestar juramento a Hitler, ele volta para Basileia, e na Universidade daquela cidade por muitos anos ensinará teologia sistemática. Enquanto isso continuará na elaboração da sua poderosa Dogmática eclesial, obra em que trabalhará até a sua morte. Em 2019, centenário de seu comentário sobre a "Epístola aos Romanos", será celebrado um Ano de Barth que, especialmente na Suíça e na Alemanha, verá reuniões teológicas para refletir sobre o seu legado científico e sobre um testemunho de coerência evangélica que ainda tem muito a ensinar.

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