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15 Junho 2016

O Cardeal George Pell completou 75 anos nesta quarta-feira. Normalmente, não marco os aniversários dos príncipes da Igreja. Tenho certeza de que eles têm pessoas suficientes ao seu redor – colegas cardeais, subsecretários, funcionários da Cúria, acólitos da Opus Dei, governantas – para organizar um bolo para o café da manhã. Além disso, não há nada que eu poderia dar a um homem que já tem tudo o que ele sempre quis: um pequeno chapéu vermelho, um anel de ouro e os ouvidos do Papa.

A reportagem é de Kristina Keneally, ex-governadora de New South Wales (NSW), apresentadora do “To the Point” (Direto ao Ponto) na Sky News e Diretora de Inclusão de Gênero na Macquarie Graduate School of Management. Também é coordenadora da Stillbirth Foundation Australia, diretora da Souths Cares e embaixadora da Opportunity International Austrália, publicada por The Guardian, 14-06-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Mas este aniversário em particular pensei que poderia ser mais do que um interesse passageiro. Afinal, a prática da Igreja pede a cardeais que apresentem sua renúncia ao papa aos 75 anos. Como uma espécie de presente às avessas, do aniversariante para a Igreja.

Antes de ficarmos todos empolgados com a expectativa de que Pell está prestes a perder sua posição privilegiada, permita-me explicar: no Vaticano, o fato de uma renúncia ser oferecida não significa que será aceita. Isto não é política australiana. O Papa pode fazer o que ele quiser com a referida renúncia, incluindo rejeitá-la pura e simplesmente, ou engavetá-la para quando for realmente necessário.

O Papa Francisco não está aceitando a renúncia de Pell

Não importa que a Real Comissão da Austrália sobre a Resposta Institucional ao Abuso Sexual Infantil do governo australiano já tenha por duas vezes preferido a evidência de outros a lembrar de Pell. Não importa que a terceira aparição do cardeal diante da comissão há alguns meses tenha sido um desastre em relações públicas. Não importam as provas absurdas de que Pell não sabia de nada sobre o abuso sexual desenfreado em Ballarat, porque houve uma conspiração para mantê-lo na ignorância. Não importa que funcionários do Escritório de Educação Católica de Melbourne tenham contradito o depoimento de Pell

Parece que o Cardeal George Pell é a única pessoa na Igreja global capaz de limpar o banco do Vaticano. Suas habilidades aparentemente indispensáveis – quaisquer que sejam – são necessárias para restaurar a ordem e a integridade das operações financeiras da Santa Sé.

Eu esperava ficar indignada com a decisão do Papa. E confesso que fiquei um pouco irritada após ler que Francisco tinha anunciado "novas duras leis" para lidar com os bispos que não levaram em conta e não reagiram aos relatos de abuso sexual infantil, apesar do fato de a igreja já ter leis que lidam com bispos em tais circunstâncias. Em meio a relatórios da falta de ação e da paralisia do Vaticano em casos de abuso sexual infantil, o Papa chegou ao jogo político de "novas duras leis" com um entusiasmo que faria qualquer estadista corar. Me poupe.

Posso ser chamada de cínica, mas esta é a minha previsão: a comissão real vai concluir pela terceira vez que as evidências de Pell não são críveis. E quando a comissão real chegar a estas conclusões o Papa não vai lançar mão da carta de renúncia de Pell em sua gaveta. Em vez disso, Papa Francisco nada fará. Essas novas e duras leis não serão utilizadas. 

O que eu percebi esta semana é que eu não me importo mais. Eu não dou a mínima se Pell permanecer ou renunciar. Este homem é totalmente irrelevante para os australianos, católicos ou não. Na verdade, Pell é mais do que irrelevante. Ele não é respeitado. Qualquer que seja a capacidade que ele possa ter tido de falar em praça pública na Austrália sobre qualquer assunto foi completamente anulada. Ele nem sequer pode mais visitar a Austrália: se sua saúde o permitisse, o público e a mídia dificilmente recebê-lo-iam.

Então, este é o cardeal Pell: 75 anos de idade, no exílio, e bem no meio de dois grandes escândalos na Igreja - de abuso sexual infantil e do banco do Vaticano. Que glorioso lugar para sua carreira. Eu não posso deixar de pensar nas palavras de Jesus sobre estes dois assuntos. Sobre as crianças, Jesus as defendeu, observando sua santidade e inocência especiais, exigindo que elas fossem tratadas com amor e com cuidado. Os banqueiros e os cambistas? Jesus os expulsou do templo.

Então, feliz aniversário, Cardeal Pell. Continue contando dinheiro dentro das paredes privilegiadas e protegidas do Vaticano. Tanto faz.

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