Cardeal foi liberado por Comissão Real australiana para prestar esclarecimentos via videoconferência em caso de pedofilia

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10 Fevereiro 2016

A mais alta autoridade católica da Austrália, o Cardeal George Pell, irá prestar esclarecimentos sobre casos de abuso infantil que ocorreram dentro de suas paróquias via videoconferência após uma decisão do juiz Peter McClellan, presidente da Comissão Real para respostas institucionais relativas à pedofilia.

A informação é publicada por The Guardian, 08-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Desde dezembro algumas vítimas de abusos sexuais estavam esperando para ouvir se Pell iria aparecer em pessoa, quando os seus advogados disseram à Comissão dias antes de ele se apresentar que a sua saúde não estava muito bem para voar de Roma a Melbourne.

Na época, McClellan recusou o pedido de Pell para depor via videoconferência, dizendo que as questões sobre as quais o cardeal iria falar eram complexas e as suas respostas seriam melhor proferidas em pessoa. Na ocasião, disse que a Comissão esperaria até fevereiro para ver se a saúde do religioso havia se recuperado o suficiente para lhe permitir viajar.

Na sexta-feira (5 de fev.), o advogado de Pell, Allan Myers, apresentou documentos médicos à Comissão Real que indicaram que o cardeal ainda estava muito doente para voar. Após ouvir dos advogados das vítimas, que argumentaram dizendo que as condições médicas de Pell eram “muito comuns” para alguém na idade dele, 74, McClellan suspendeu a sessão para considerar a sua decisão.

Na segunda-feira (8), McClellan revelou que as condições eram de hipertensão e doença isquêmica do coração. Embora fosse preferível que Pell voasse à Austrália para prestar esclarecimentos, McClellan falou que os demais membros da comissão ficariam satisfeitos com um depoimento via videoconferência, visto que viajar para Pell poderia piorar a sua saúde e que esta provavelmente não iria melhorar.

“Ainda que pessoas com as mesmas condições que o Cardeal Pell têm podido viajar longas distâncias, está claro, a partir do relatório médico, que no caso em questão existe um risco para a saúde caso o religioso faça uma tal viagem nesse momento”, disse McClellan à Comissão.

Paul O’Dwyer, advogado de defesa das vítimas de abuso, perguntou a McClellan: “E se estiver errada essa opinião de que tais condições impedem de o cardeal viajar em segurança para a Austrália?”

McClellan respondeu: “Eu tomei a decisão, Sr. O’Dwyer”.

A Comissão não tem a autoridade de convocar testemunhas que se encontram no exterior para depor em pessoa, mas Pell escreveu à comissão em maio dizendo que estaria preparado para voar à Austrália para prestar esclarecimentos. A Comissão aceitou o seu convite e pediu-lhe para aparecer na segunda rodada de audiências, em dezembro.

Nas primeiras audiências, a Comissão ouviu que Pell esteve envolvido na decisão de mover um sacerdote, Gerald Ridsdale, quem mais tarde seria considerado um prolífico pedófilo na Paróquia de Martlake, no estado de Victoria. David Ridsdale, vítima e sobrinho de Gerald Ridsdale, também disse à Comissão que Pell o desencorajou de vir a público falar sobre o abuso sofrido. Pell negou a acusação.

Quando aparecer diante da Comissão, Pell será perguntado sobre o abuso que ocorreu dentro das instituições religiosas da cidade de Ballarat enquanto era padre auxiliar na região de Ballarat East, de 1973 a 1983, período em que vários padres católicos abusaram sexualmente de meninos.

Também irão lhe perguntar sobre como a Arquidiocese de Melbourne respondia às acusações de pedofilia dentro de suas instituições. Pell foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese em 1987 e 1996, quando se tornou o seu arcebispo.

O cardeal irá prestar esclarecimentos via videoconferência no dia 29 de fevereiro.

McClellan igualmente decidiu que um ex-bispo de Ballarat, entre os anos 1971 e 1997, Ronald Mulkearns, seria chamado a prestar esclarecimentos, embora seja mais provável que a este lhe seja permitido fazê-lo direto da casa de saúde onde se encontra também via videoconferência. A Comissão já convocou Mulkearns para depor, mas ele, até agora, não teve condições de assim proceder devido a um câncer de intestino e a problemas de saúde cognitiva.

A Comissão anteriormente ouviu que Mulkearns esteve envolvido nas decisões de mover pedófilos suspeitos entre paróquias, apesar das acusações de abuso contra eles.

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