Austrália. Cardeal Pell admite erros face a denúncias de pedofilia

Mais Lidos

  • Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • Procurador da República do MPF em Manaus explica irregularidades e disputas envolvidas no projeto da empresa canadense de fertilizantes, Brazil Potash, em terras indígenas na Amazônia

    Projeto Autazes: “Os Mura não aprovaram nada”. Entrevista especial com Fernando Merloto Soave

    LER MAIS
  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

29 Fevereiro 2016

O cardeal australiano George Pell, responsável pela Secretaria de Economia do Vaticano, admitiu esta segunda-feira os "enormes erros" da Igreja na forma como lidou com denúncias de pedofilia na Austrália.

"A Igreja, em muitos locais, e certamente na Austrália, estragou as coisas e decepcionou muita gente", disse Pell, que falava, por videoconferência, a partir de Roma, para uma comissão australiana que investiga casos de pedofilia no país entre as décadas de 1960 e 1980, envolvendo a Igreja e instituições de proteção e cuidado de menores.

A reportagem é da Agência Lusa, publicada por Correio da Manhã, 29-02-2016.

O cardeal nasceu em Ballarat, onde trabalhou, como religioso, entre 1973 e 1983, tendo depois ido para Melbourne. As denúncias de pedofilia que a comissão analisa referem-se a casos ocorridos nestas cidades. O cardeal afirmou não ter os números relativos às denúncias de abusos sexuais de menores relativos a membros da Igreja Católica de Ballarat, onde pelo menos 14 religiosos foram acusados em dezenas de casos de pedofilia desde os anos de 1960.

Pell admitiu que muitas dessas denúncias foram descartadas apenas com base no desmentido dos acusados. Por outro lado, Pell negou ter conhecimento de que o antigo bispo de Ballarat, Ronald Mulkearns, enviava para o estrangeiro os padres que tinham cometido abusos para os submeter a tratamentos psicológicos. O cardeal viveu na década de 1970 num seminário com o sacerdote pedófilo Gerald Ridscale, que abusou de dezenas de menores quando era capelão num colégio de Ballarat, entre as décadas de 1960 e 1980.

Uma das vítimas do sacerdote foi o seu próprio sobrinho, David Ridscale, que assegura que quando pediu a Pell para o receber, em 1993, para lhe contar os abusos do tio, o agora cardeal tentou silenciá-lo.

Pell reconheceu que a transferência de Gerald Ridscale de paróquia em paróquia foi "uma catástrofe", tanto para as vítimas como para a Igreja. Familiares das vítimas pediram no domingo, em Roma, ao cardeal Pell, ao papa e à Igreja Católica "ações reais" que evitem que se repitam casos similares. Não há denúncias de pedofilia em relação a Pell, que não viajou até à Austrália para prestar declarações presencialmente por motivos de saúde.

A comissão foi criada em 2012 para investigar denúncias de pedofilia na Austrália e já ouviu relatos de abusos de crianças envolvendo lugares de culto, orfanatos, grupos comunitários e escolas.