“O dinheiro não é o que mais preocupa o Papa Francisco”. Entrevista com George Pell

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Com Francisco ou fora da Igreja. O duro desabafo do presidente da CEI

    LER MAIS
  • Núcleo de pesquisa da USP publica nota sobre criacionismo defendido por novo Presidente da CAPES

    LER MAIS
  • A nova teologia do Ecoceno. Entrevista com Leonardo Boff

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: André | 02 Junho 2014

Aquele que fora arcebispo de Sidney e um dos homens mais próximos a Bento XVI, George Pell tem em suas mãos a tarefa de sanar as finanças vaticanas. O Papa Francisco acaba de nomeá-lo prefeito da nova Secretaria para a Economia da Santa Sé. É membro, além disso, da Comissão para a Reforma da Cúria, conhecida como C8 vaticano.

 
Fonte: http://bit.ly/1kQVX41  

A entrevista é de Álvaro de Juana e publicada no jornal espanhol La Razón, 29-05-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como está vivendo estas novas tarefas?

É uma mudança muito grande em relação ao meu trabalho como arcebispo de Sidney. Dei-me conta do esforço que requer durante a Páscoa passada. Durante 40 anos tive que celebrá-la na minha diocese, pregar muitas vezes e escrever artigos para os jornais. Desta vez tive apenas uma homilia e pude participar de todas as celebrações quase como um fiel comum. Foi uma mudança importante.

Qual é o clima entre os membros do C8?

Todos os cardeais que fazem parte desta comissão estão completamente a favor das reformas que o Papa está propondo e quer levar adiante. Não temos nenhuma dúvida. As reformas foram um dos grandes temas que apareceram nas conversas antes do Conclave, durante as chamadas congregações.

Qual é o seu trabalho como “ministro da Economia” do Vaticano?

O novo Conselho de Economia tem que supervisionar a gestão econômica e vigiar as estruturas e as atividades administrativas e financeiras. É formado por 15 membros: oito cardeais e sete leigos especialistas internacionais. Cada um tem um voto e decidimos as diferentes mudanças e as propomos ao Santo Padre. É a primeira vez que os leigos têm voz neste nível. Se poderia dizer que é uma nova realidade na Igreja. Sua principal missão é a transparência e que o Vaticano se ajuste aos padrões internacionais.

Está sendo muito difícil?

Encontro-me com algumas dificuldades, mas não muitas. O Santo Padre precisa do Banco Vaticano (IOR) para ajudar as missões com o dinheiro, sem a permissão de outros países. Precisa dele para poder agir de maneira independente.

Qual é a tarefa mais urgente para o Papa?

Não é o dinheiro. Eu não sou europeu e, no entanto, penso que o desafio mais importante neste momento é a fé na Europa. Sobretudo, que os jovens recuperem a fé. Em muitos lugares do mundo existem outros problemas, mas no Primeiro Mundo o principal é o declínio da fé.

Francisco está causando verdadeira sensação entre as pessoas...

O Papa vive de forma muito simples, pratica a pobreza e prega para as pessoas de maneira muito acessível. A imprensa esquerdista nunca fala dos seus ensinamentos, por exemplo, quando fala do demônio, do dinheiro, da oposição ao aborto ou da importância da família. Isso não lhe interessa. Dão uma visão muito enviesada do seu Pontificado porque não entram no que realmente é o seu magistério e a sua doutrina. Francisco é realmente um homem de Jesus Cristo e do Evangelho, do anúncio do kerigma. Além disso, é preciso lembrar-se de que é um jesuíta à moda antiga e essa é uma das chaves para entendê-lo. Não toma nenhum dia livre na semana, nem sequer tira férias. É um homem muito simples.

Há alguns dias você esteve em nosso país. A que se deveu essa visita?

Fui à Espanha por uma série de razões. Participei de um encontro vocacional de jovens do Caminho Neocatecumenal, em Santiago de Compostela. Os responsáveis por esta realidade eclesial na Galícia estiveram em missão na Austrália em uma paróquia com muitas dificuldades e nos tornamos amigos depois de visitá-los várias vezes. Também quis ir porque este ano é o 200º aniversário do missionário Rosendo Salvado – espanhol que nasceu em Tui (Pontevedra) –, bispo na Austrália e que fundou um mosteiro beneditino em Nova Nurcia (perto da conhecida cidade de Perth). Além disso, foi o grande amigo dos aborígenes do país. Muitas pessoas os tratam mal e Rosendo Salvado tomou sua defesa. Informaram-me que haveria este encontro em Santiago e eu sou um grande defensor do Caminho Neocatecumenal. Erigi o Seminário Redemptoris Mater em Sidney, na época em que era arcebispo. Fui a este encontro para rezar e ouvir a pregação de Kiko Argüello. Sempre fico muito impressionado quando os jovens e as famílias se “levantam”, mostrando-se dispostos a partir em missão e dando assim resposta ao chamado vocacional.

Qual é o legado de Argüello que tanto lhe chama a atenção?

Precisamente isso: seu grande espírito missionário. Foi um homem firme, um homem de fé que trabalhou em circunstâncias muito difíceis e entendeu a necessidade e a beleza da fé, e quis levá-la a outras pessoas. Rosendo Salvado nos lembra o quão importante é conhecer Jesus Cristo e pertencer à Igreja católica.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

“O dinheiro não é o que mais preocupa o Papa Francisco”. Entrevista com George Pell - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV