O cardeal Pell admite que a Igreja australiana encobriu casos de pederastia. As vítimas exigem sua renúncia e pedem uma reunião com o Papa Francisco

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Por: André | 03 Março 2016

“Admito que deveria ter feito mais”. Esta foi a lacônica resposta do cardeal George Pell, atual responsável pelas finanças do Vaticano, durante o seu comparecimento – no terceiro dia – à Comissão do Governo australiano para responder às acusações de acobertamento de abusos sexuais contra menores na Igreja daquele país. Pell, que foi arcebispo de Sidney, admitiu na primeira vez que testemunhou que “não estou aqui para defender o indefensável. A Igreja cometeu enormes erros e trabalha para remediá-los”.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 02-03-2016. A tradução é de André Langer.

No entanto, mal saiu do Hotel Quirinale de Roma, onde Pell testemunhou por videoconferência – ele alegou motivos de saúde para não testemunhar no seu país natal – vigiado de perto por cerca de 20 vítimas, que viajaram até a Itália para olhar na cara daquele que fora o máximo responsável da Igreja australiana durante a época em que foram denunciados os abusos. Pell compareceu em relação a dezenas de casos de pederastia ocorridos entre as décadas de 1960 e 1980 nas cidades de Ballarat, onde nasceu e trabalhou como padre, e Melbourne, onde foi arcebispo.

Os representantes das vítimas, visivelmente indignados, destacaram à imprensa postada em frente ao hotel, que o cardeal Pell “não pode continuar” tendo cargos de responsabilidade no Vaticano. “O cardeal Pell é muito astuto e um homem muito brilhante. Como pode dizer que não sabia?”, declarou Phil Nagle, uma das 15 vítimas e familiares que viajaram até Roma. David Ridsdale, sobrinho e que se declara vítima de Gerald Ridsdale, por sua vez, declarou que Pell “ou é culpado ou é um bufão ignorante”.

O grupo de “Sobreviventes de Ballarat”, localidade em que ocorreram dezenas destes casos, garante que a compensação econômica foi milionária. “Mas não queremos dinheiro, mas apoio para o resto das nossas vidas”, sentencia o porta-voz do coletivo, Andrew Collins, também presente em Roma.

Collins defende que “o Papa disse muitas palavras apropriadas contra a pederastia, mas não se viu muitos fatos”. Para o líder da associação, vítima também de abusos por parte de vários padres durantes a sua juventude, “não se trata de um caso contra o cardeal, mas contra a cultura do silêncio que a Igreja manteve”. “É uma oportunidade para seguir em frente e evitar que se repita, mas para isso precisam nos ouvir e saber o que aconteceu”, conclui.

Em sua terceira jornada de declarações, centrada no seu papel como bispo auxiliar da Arquidiocese de Melbourne em 1987, Pell foi questionado sobre a forma como enfrentou as queixas contra o padre pederasta Peter Searson, que faleceu em 2009.

A comissão expôs como Searson foi acusado de abusar de menores entre as décadas de 1970 e 1990, ameaçou seus fiéis com uma pistola e apontou para um pássaro com uma chave de fenda na presença de crianças.

Pell qualificou Searson como “um dos padres mais desagradáveis” que conheceu, mas disse não recordar uma reunião em que lhe foi apresentada uma lista de queixas de crianças sobre seu temor de sofrer abusos sexuais ou maus tratos por parte deste sacerdote.

O cardeal também reiterou que desconhecia as acusações contra Gerald Ridsdale, outro padre pederasta com o qual viveu algum tempo e ao qual, na véspera, qualificou como “uma história triste, mas de pouco interesse”, o que provocou a indignação de várias vítimas.

“Não sabia que havia essas discussões (...) embora admita que deveria ter feito mais”, disse.

Pell também disse que não recordava a denúncia de Timothy Green, um aluno do Colégio St. Patrick de Ballarat que, em 1974, quando tinha 12 anos, lhe expôs os abusos que sofreu por parte de Edward Dowlan, condenado por abusar de cerca de 30 adolescentes.

Green declarou na comissão, em audiência anterior, que Pell lhe teria dito naquela época “não sejas ridículo” antes de sair, embora o cardeal tenha assegurado hoje que se essa denúncia “teria sido importante para mim, a teria aceitado e teria feito algo a respeito”.

As declarações de Pell desta semana não deixaram os familiares e as vítimas de abusos sexuais satisfeitos, eles que agora buscam uma audiência com o Papa Francisco para que a Igreja se comprometa para que nunca mais se cometam abusos contra menores.

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