Uma Igreja em silêncio perde a relevância. Entrevista especial com Sérgio Coutinho

Revista ihu on-line

Sistema público e universal de saúde – Aos 30 anos, o desafio de combater o desmonte do SUS

Edição: 526

Leia mais

Karl Marx, 200 anos - Entre o ambiente fabril e o mundo neural de redes e conexões

Edição: 525

Leia mais

Junho de 2013 – Cinco Anos depois.Demanda de uma radicalização democrática nunca realizada

Edição: 524

Leia mais

Mais Lidos

  • Três ''nãos'' problemáticos de Francisco

    LER MAIS
  • PT não pode ficar dependente de Lula, diz Olívio Dutra

    LER MAIS
  • Composto do Agente Laranja começa a contaminar o Mato Grosso

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

13 Janeiro 2017

“Com a morte do cardeal D. Paulo Evaristo Arns, chegou ao fim a geração da chamada ‘Igreja progressista’ ou ‘Igreja popular’” no Brasil. E “mesmo com a permanência entre nós dos bispos eméritos D. Pedro Casaldáliga (São Félix do Araguaia-MT), D. José Maria Pires (Paraíba-PB) e D. Antonio Ribeiro de Oliveira (Goiânia-GO), todos com a saúde muito fragilizada, com a perda de D. Paulo chega ao fim aquele grupo de bispos, envolvidos juntamente com leigos engajados e religiosas inseridas, que hegemonizaram a direção dada à CNBB nos anos 1970 e 1980”, avalia Sérgio Coutinho, em entrevista à IHU On-Line.

Segundo ele, desde a “abertura política” a Igreja brasileira “acabou se tornando, parafraseando o Papa Francisco, uma ‘Igreja doente’, autorreferencial, olhando para si mesma, curvada sobre si mesma, preocupada em manter seus fiéis e privilégios históricos”. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Coutinho comenta rapidamente a posição da Igreja no atual momento político e afirma que “depois de tanto trabalhar contra a corrupção eleitoral, pela ficha limpa e por uma reforma política, a CNBB se silenciou no momento mais grave da nossa história após a Ditadura Militar e, agora, a democracia e o povo brasileiro já estão pagando um alto preço”. E acrescenta: “A Igreja, com seu silêncio, perde relevância”.

Coutinho também avalia o pontificado do papa Francisco e frisa que o “foco dele não está na Lei, nas Normas, mas busca uma ‘reforma’ nos comportamentos, nas atitudes”. Apresenta ainda um quadro atualizado dos bispos brasileiros nomeados pelos últimos papas e sublinha que nem “todos os bispos nomeados por João Paulo II e Bento XVI possuem um perfil mais conservador e nem mesmo há garantias absolutas que aqueles que foram nomeados por Francisco tenham ‘cheiro de ovelhas’”. E questiona: “Será que vamos ter uma CNBB mais profética quando tivermos uma maioria de bispos nomeados por Francisco? Difícil prever”.


Coutinho | Foto: Leslie Chaves / IHU

Sérgio Coutinho é doutor em História e professor do Departamento de História da Faculdade União Pioneira da Integração Social – UPIS, de Brasília, e do curso de Serviço Social no Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília - IESB.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Qual é a importância de Dom Paulo Evaristo Arns para a história da Igreja brasileira?

Sérgio Coutinho - A meu ver, com a morte do cardeal D. Paulo Evaristo Arns, chegou ao fim a geração da chamada “Igreja progressista” ou “Igreja popular”. Mesmo com a permanência entre nós dos bispos eméritos D. Pedro Casaldáliga (São Félix do Araguaia-MT), D. José Maria Pires (Paraíba-PB) e D. Antonio Ribeiro de Oliveira (Goiânia-GO), todos com a saúde muito fragilizada, com a perda de D. Paulo chega ao fim aquele grupo de bispos, envolvidos juntamente com leigos engajados e religiosas inseridas, que hegemonizaram a direção dada à CNBB nos anos 1970 e 1980.

Apesar das substanciais mudanças na Igreja do Brasil advindas do pontificado de João Paulo II, muitos daqueles bispos, mesmo aposentados (alguns nomeados ainda por Pio XII, mas a maioria nomeados por João XXIII e Paulo VI), continuavam sendo uma referência para o grande conjunto de católicos militantes nas últimas duas décadas.

Muitos analistas apontaram as muitas contribuições de D. Paulo Evaristo Arns, não só à Igreja, mas ao conjunto da sociedade brasileira. Mas gostaria de chamar a atenção para uma contribuição que considero muito relevante e que vai na linha da recepção do Concílio Vaticano II.

Conforme depoimento da historiadora e teóloga Maria Cecília Domezi, em 1972 o recém-nomeado arcebispo de São Paulo lançou, na Quaresma daquele ano, uma campanha denominada “Operação Periferia”. Foi um movimento de solidariedade para dar resposta concreta às vítimas da miséria na grandiosa periferia da cidade. D. Paulo estimulou que as tradicionais paróquias das regiões centrais e localizadas em bairros mais equipados pudessem assumir uma tarefa missionária na troca de bens com uma comunidade de periferia. Engajaram-se nos projetos elaborados por aquelas comunidades pobres em vista da luta pelos direitos humanos fundamentais.

Juntamente com este projeto, D. Paulo, em 1974, lançou a proposta do “Setor Pastoral” como um “laboratório constante de pastoral” e “canal de vida para todos”. Impulsionado pelas experiências das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, a unidade pastoral básica da Arquidiocese não seria a paróquia, mas o “Setor”, uma porção maior, não tanto territorial, mas que agrupava realidades mais semelhantes. Os resultados que se seguiram foram: ações pastorais em sintonia com os problemas concretos da população, formação de lideranças, organização de estruturas de serviço e a constituição democrática de equipes de coordenação pastoral que incluíam leigas e leigos. Essa ousadia pastoral de D. Paulo Evaristo Arns, realizada na grande metrópole de São Paulo, deveria ser uma fonte de inspiração para a Igreja no Brasil na implantação do projeto missionário do Papa Francisco.

IHU On-Line - Que aproximações e diferenças percebe entre a Igreja brasileira da época de Dom Paulo e nos dias de hoje? Que Igreja o senhor diria que existe no Brasil hoje?

Sérgio Coutinho - De fato, na época de D. Paulo, a Igreja era um dos pouquíssimos canais (se não único) de denúncia e de resistência ao regime político autoritário vigente. Chamamos de “Igreja progressista” porque ela era na verdade uma “Igreja profética”, dava voz aos sem voz, falava com coragem, corria grandes riscos e muitos deram sua vida (os chamados “mártires da caminhada”) porque acreditavam que a Igreja no Brasil estava em sintonia com o projeto de Jesus de Nazaré (“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” - Jo 10,10).

Veio a “abertura política” e, com ela, a Nova República: maior participação política, reorganização da sociedade civil, liberdade de expressão etc. Mas, para a Igreja no Brasil, o que veio foi o “fechamento” ou, como dizia Pe. João Batista Libânio, “a volta à grande disciplina” implementada por João Paulo II.

Mesmo com a valentia das muitas e muitos cristãos católicos engajados nas lutas sociais desses anos todos, sem perder de vista também os muitos mártires produzidos pelo período “democrático” brasileiro, a Igreja no Brasil acabou se tornando, parafraseando o Papa Francisco, uma “Igreja doente”, autorreferencial, olhando para si mesma, curvada sobre si mesma, preocupada em manter seus fiéis (mesmo assim muitos católicos optaram pelo evangelismo pentecostal) e privilégios históricos (vide Acordo Brasil-Santa Sé).

A Igreja deixou de ser e ter relevância pública

Seus pronunciamentos, textos, documentos e notas pouco ou nada impactam, como no tempo de D. Paulo, a sociedade brasileira. Ou seja, a meu ver a Igreja deixou de ser e ter relevância pública.

IHU On-Line - Qual foi a postura da Igreja ao longo do último ano, durante a crise política? Que avaliação faz da atuação da Igreja nesse sentido?

Sérgio Coutinho - É bom deixar claro que muitos cristãos católicos envolvidos com as Pastorais Sociais, CEBs, organizações laicais, religiosos, padres e alguns bispos se posicionaram abertamente contra o chamado “Golpe Parlamentar” que levou ao impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

Por outro lado, outros grupos de católicos fizeram campanhas e pressionaram, até pessoalmente, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB para se posicionar claramente a favor do impeachment. Até mesmo alguns bispos chegaram a ir às manifestações vestindo o verde-amarelo e de apito na boca, como foi o caso do recém-aposentado arcebispo da Paraíba, D. Aldo Pagotto.

Na 54ª Assembleia Geral da CNBB, em abril de 2016, foi possível verificar o posicionamento do episcopado brasileiro de uma forma muito clara. Na elaboração da nota intitulada “Declaração da CNBB sobre o momento nacional”, o 6º parágrafo do texto foi o “pomo da discórdia”. A 1ª versão afirmava:

Uma das manifestações mais evidentes da crise atual é o processo de impeachment da Presidente da República. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acompanha atentamente esse processo, mas não emite juízo valorativo – jurídico ou político – a esse respeito, pois tal procedimento cabe às instâncias competentes, respeitado o ordenamento jurídico do Estado democrático de direito.

A 2ª versão, proposta como uma emenda pelo bispo-auxiliar de Belo Horizonte, D. Joaquim Mol, afirmava assim:

Uma das manifestações mais evidentes da crise atual é o processo de impeachment da Presidente da República. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acompanha atentamente esse processo, e espera o correto procedimento das instâncias competentes, respeitado o ordenamento jurídico do Estado democrático de direito.

A 1ª versão recebeu 128 votos (45%) e a 2ª versão 156 votos (55%). A primeira redação que, como Pilatos, quis “lavar as mãos” em busca de uma “neutralidade axiológica” (Max Weber), e a segunda redação acabou sendo, de certa forma, o principal discurso usado pela maioria dos parlamentares e juízes de todo aquele processo e que ficou plasmado na fala da senadora Simone Tebet (PMDB-MS): "Pois afirmo aqui com convicção: processo do impeachment é previsto na Constituição e este, em especial, não é golpe, ele é constitucional. Ele foi regido nos mais amplos princípios constitucionais, da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal, mas mais do que isso, ele é democrático."

De uma forma ingênua, a CNBB acreditou que o impeachment fosse para acabar com a corrupção, quando já sinalizava para a implantação de um outro modelo político e econômico neoliberal descrito no programa “Uma Ponte para o Futuro”. Acabaram por fazer o papel dos saduceus no julgamento de Jesus: “Vocês não percebem que é melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação inteira perecer?” (Jo 11,50).

Depois de tanto trabalhar contra a corrupção eleitoral, pela ficha limpa e por uma reforma política, a CNBB se silenciou no momento mais grave da nossa história após a Ditadura Militar e, agora, a democracia e o povo brasileiro já estão pagando um alto preço. Como disse antes, a Igreja, com seu silêncio, perde relevância.

Depois, com o andamento das Medidas Provisórias do atual governo, não adianta fazer Notas em defesa dos trabalhadores, da educação e dos mais pobres. Ela perdeu o “trem” da história como em 1964.

IHU On-Line - Como está avaliando a nomeação de novos bispos, feita recentemente pelo Papa Francisco? Quais têm sido os perfis dos bispos escolhidos?

Sérgio Coutinho - O Prof. Fernando Altemeyer Jr., da PUC-SP, me forneceu dados atualizadíssimos do episcopado brasileiro.

Há hoje 304 bispos ativos na hierarquia católica no Brasil, assim distribuídos:

• 120 nomeados pelo Papa São João Paulo II,
• 122 nomeados pelo Papa Bento XVI, hoje emérito,
• 62 nomeados pelo atual Papa Francisco.

Além disso, 172 bispos são eméritos:

• 1 nomeado pelo Papa Pio XII (D. José Maria Pires),
• 2 nomeados pelo Papa São João XXIII (D. Serafim Fernandes de Araújo e D. José Mauro Alarcon),
• 45 nomeados pelo Papa Beato Paulo VI,
• 122 nomeados pelo Papa São João Paulo II,
• 2 nomeados pelo Papa Bento XVI, hoje papa emérito,
• nenhum nomeado pelo Papa Francisco.

Em relação aos bispos na ativa, João Paulo II, em 27 anos de pontificado, nomeou ao todo 242 bispos. Hoje, cerca de 50% destes já são eméritos (122).

Bento XVI, em oito anos de pontificado, ordenou 122 bispos, o que corresponderia a uma reposição dos 50% dos bispos aposentados de João Paulo II. Assim, tirando os dois bispos que se tornaram eméritos ordenados pelo papa alemão, temos hoje na CNBB 240 bispos (79%) ordenados por João Paulo II e Bento XVI.

Em quase quatro anos de Pontificado, Papa Francisco nomeou 21% do episcopado brasileiro (64), alcançando já 50% do número de bispos nomeados por Bento XVI. Uma média de 16 nomeações por ano.

Em síntese, hoje na CNBB temos na ativa: 39% nomeados por João Paulo II, 40% por Bento XVI e 21% por Francisco.

Se continuar neste ritmo de nomeações, seriam necessários outros quatro anos de pontificado de Francisco para o número se equiparar ao de Bento XVI e de 11 anos para alcançar o número de nomeações de João Paulo II. Como já está em idade avançada, o máximo que se pode esperar (se nada acontecer de extraordinário neste caminho) é que Francisco consiga ordenar aproximadamente 50% dos bispos da CNBB.

Evidentemente que não são todos os bispos nomeados por João Paulo II e Bento XVI que possuem um perfil mais conservador e nem mesmo há garantias absolutas que aqueles que foram nomeados por Francisco tenham “cheiro de ovelhas”. Mas, será que vamos ter uma CNBB mais profética quando tivermos uma maioria de bispos nomeados por Francisco? Difícil prever.

IHU On-Line - Como a Igreja brasileira tem reagido ao pontificado de Francisco? Há mais prós ou contras ao pontificado?

Sérgio Coutinho - Recentemente, o secretário-geral da CNBB, D. Leonardo Steiner, deu uma entrevista para o jornal Folha de São Paulo comentando o resultado de uma pesquisa realizada pelo DataFolha sobre a religião dos brasileiros e ali disse que mais importante que a porcentagem de católicos no Brasil é “quantas pessoas realmente buscam justiça e vivem o amor até as últimas consequências”. Essa afirmação, por si só, já revela a sintonia da CNBB com os princípios pastorais do Papa Francisco, ou seja, por uma Igreja “acidentada”.

Acontece que o discurso é uma coisa e a prática é outra. A postura diante da crise política, na minha percepção, não foi de uma Igreja que corre riscos.

Vejamos, por exemplo, o que aconteceu na Arquidiocese do Rio de Janeiro durante a última campanha eleitoral para prefeito. Um grupo de 13 padres, uma freira e 761 lideranças católicas divulgou uma nota sob o título Católicos/as com Freixo. Este grupo de líderes das paróquias e pastorais sociais anunciaram apoio a Freixo “no horizonte do Evangelho da Libertação, da efetivação de uma Igreja em saída (como compreende o Papa Francisco) e da antecipação do Reino de Justiça e paz inaugurado por Jesus Cristo”.

A resposta foi imediata. Em Nota de esclarecimento assinada pelo arcebispo cardeal D. Orani Tempesta, pelos cinco bispos-auxiliares e pelos 11 vigários episcopais, condenaram com veemência os apoiadores de Freixo acusando-os de causar “o escândalo da desunião” e indicavam as prerrogativas para o apoio a qualquer candidato: condenação ao aborto e à eutanásia, ao “anarquismo e terrorismo” e ao divórcio; finalmente, D. Orani e demais disseram que tais candidatos precisavam manifestar apoio ao “matrimônio monogâmico entre pessoas de sexo oposto”.

Ou seja, ficou claro que as premissas do “socialismo ateu” ainda perduram no meio católico, especialmente entre os herdeiros do falecido D. Eugênio Salles. Penso que este fato no Rio de Janeiro é paradigmático entre a adesão ao discurso e à prática de Francisco. Acho que vale à pena recordar a posição do Papa Francisco sobre a relação entre Socialismo e Cristianismo.

Numa entrevista publicada no jornal italiano La Repubblica, o jornalista Eugênio Scalfari fez a seguinte pergunta ao Papa Francisco: “Você me disse há algum tempo que a máxima ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’ tinha que mudar, dando aos tempos sombrios que estamos a passar mais do que a nós mesmos. Então você anseia por uma sociedade onde a igualdade domina. Isso, até onde eu sei, é um programa do socialismo marxista, logo, do comunismo”.

Francisco respondeu: “Isso me foi dito muitas vezes e minha resposta sempre foi esta: se há alguma semelhança, então são os comunistas que pensam como os cristãos. Cristo falava de uma sociedade onde os pobres, os fracos e os marginalizados tinham direito de decidir. Não os demagogos, nem Barrabás, mas o povo, os pobres, tendo eles fé em um Deus transcendente ou não. São eles (os pobres) que precisam ajudar para alcançar a igualdade e a liberdade”.

IHU On-Line - Qual tem sido a repercussão da Amoris laetitia no Brasil?

Sérgio Coutinho - A Pastoral Familiar, organismo da CNBB, promoveu recentemente um Encontro de Formação sobre a Exortação Pós-Sinodal. Assim como muitos regionais, dioceses e paróquias no Brasil estão promovendo cursos, tanto para leigos e leigas como para o clero, sobre os desdobramentos pastorais propostos pelo documento.

Me parece que ainda é muito cedo para se falar de uma recepção, especialmente naqueles pontos mais polêmicos e que fizeram surgir reticências apresentadas pelos quatro cardeais da Cúria Romana recentemente.

IHU On-Line - E qual tem sido a repercussão e a recepção da Encíclica Laudato Si’ no país?

Sérgio Coutinho - A Encíclica Laudato teve uma recepção excelente fora do mundo eclesial, principalmente entre os cientistas. Aqui no Brasil, antes mesmo de sua publicação, a CNBB já tinha constituído o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, com a importante assessoria de Ivo Poletto. A partir do trabalho desenvolvido pelo Fórum, juntamente com as iniciativas da Cáritas Brasileira, foi possível propor o tema da Campanha da Fraternidade de 2017 – CF2017, que será “Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida”, com o lema, “cultivar e guardar a criação”, que vai ao encontro do alerta feito por Francisco na Encíclica Laudato Si’: a crise ecológica pela qual atravessa o mundo. Penso que com a CF2017 as preocupações do Papa Francisco, expressas na Laudato Si’, chegarão com mais força a nossas comunidades.

IHU On-Line - Recentemente o episcopado espanhol fez uma nota declarando seu apoio ao Papa. Por que no Brasil isso não ocorreu?

Sérgio Coutinho - De fato, o conjunto do episcopado não se manifestou em apoio ao Papa Francisco após as “dúvidas” levantadas pelos quatro cardeais sobre os ensinamentos de Francisco contidas na Amoris laetitia.

Mas o cardeal Dom Cláudio Hummes, amigo pessoal e eleitor de Francisco, deu uma entrevista se posicionando sobre o caso. Hummes assegura que a imensa maioria dos cardeais está ao lado do Papa: “Sem querer relativizar este fato, são quatro cardeais. E na Igreja somos mais de 200. Sem querer relativizar demasiadamente, são quatro de um grupo enorme que está dando todo o seu apoio ao Papa”.

Me parece que a história ainda não chegou ao final. Ainda haverá muitos desdobramentos deste caso. Vejamos como isto vai repercutir por aqui.

IHU On-Line - Que avaliação faz desses quase quatro anos do pontificado de Francisco? O que o pontificado dele tem significado para a Igreja?

O foco dele não está na Lei, nas Normas, mas busca uma “reforma” nos comportamentos, nas atitudes

Sérgio Coutinho - O programa de reformas está caminhando bem, sem pressas. Na reunião com os cardeais da Cúria neste final do ano de 2016, Francisco explicitou bem os elementos necessários para esta reforma.

A proposta de um Ano da Misericórdia foi de altíssima aceitação no mundo católico. O foco dele não está na Lei, nas Normas, mas busca uma “reforma” nos comportamentos, nas atitudes.

O problema para alguns católicos é que Francisco está muito próximo da modernidade. De fato, ele está, mas não sem deixar de ser crítico às suas mazelas: o descarte, o individualismo, a pobreza, a violência.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Uma Igreja em silêncio perde a relevância. Entrevista especial com Sérgio Coutinho - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV