“A humanidade sempre precisa ser abraçada”, afirma cardeal Tolentino

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31 Janeiro 2020

O cardeal José Tolentino de Mendonça celebrou a festa de São Tomás de Aquino no convento de Santo Estêvão dos Dominicanos de Salamanca, onde presidiu a Eucaristia. O atual arquivista do Arquivo Apostólico do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica do Vaticano retirou das ‘Conversações de Santo Estêvão’ as características que deve ter a espiritualidade do futuro.

A reportagem é de Mateo González Alonso, publicada por Vida Nueva, 29-01-2020. A tradução é do Cepat.

O prelado português fez um chamado à “contracorrente” e, ao contemplar as divisões sociais, reivindicou “resolver a ferida do passado”. Traçando um retrato da sociedade atual, marcada pelo imediatismo em que “estamos mais conectados do que nunca, mas não estamos mais unidos”. Tolentino de Mendonça traçou cinco linhas sobre uma espiritualidade do futuro que pode combater as “nuvens de incerteza” que se avistam no horizonte.

A força da relação

Assim, apelou por “uma espiritualidade que parte de uma experiência de relação com Deus”, redescobrindo o relacionamento filial de Jesus com o Pai. Para Tolentino de Mendonça, “o cristianismo precisa escutar hoje o sentimento de orfandade, o vazio da paternidade da cultura moderna” e, por isso, alegou que “a figura do pai também precisa ser recuperada no campo da espiritualidade”.

Também convidou “a reconstruir a gramática do ser humano, diante da intelectualização da que se torna um admirável castelo de distrações”. Para o cardeal, uma experiência diária, solidária e integradora que encarna o religioso em nossa vida é a característica da espiritualidade cristã. Precisamos “aprender a olhar para nos mesmos como profecia desse amor incondicional descrito nos evangelhos”, destacou. Nesse sentido, afirmou que “a totalidade do que somos é a gramática de Deus”.

A fraternidade e o encontro

O terceiro aspecto é construir “uma espiritualidade que pense no sagrado como traço de união e não de separação”. Por isso, reivindicou a visão integral da realidade na qual tudo está interconectado, apresentada por Francisco na Laudato Si. “Diante do antropocentrismo despótico que o Papa Francisco ressalta, é preciso recuperar que nossa existência humana se baseia em três relações fundamentais intimamente ligadas: com Deus, com o próximo e com a terra”. Para o bibliotecário papal, defender uma ecologia integral de atenção aos mais próximos e o compromisso para construir a justiça faz com que a Doutrina Social da Igreja avance.

Além disso, reivindicou “uma espiritualidade que se expressa em uma cultura de fraternidade e encontro com os outros”. Para isso, pediu para que se assuma a cultura do diálogo como caminho, para que se fomente a colaboração de uns com outros como conduta e se assuma o conhecimento recíproco como método e critério. “A humanidade sempre precisa ser abraçada, mas com mais razão quando está ferida e se sente leprosa por causa do estigma, sem saber como se reconstruir”, afirmou.

Por fim, pediu para que se promova “uma espiritualidade que mostra o santo poder do coração”. Algo que marca o fato de que os cristãos voltem à condição de ‘pequeno rebanho’ para ser um enigma e uma surpresa para a sociedade e a passagem pelo enfraquecimento da parte institucional que deve ser vista como uma oportunidade para ser uma força mais autêntica no meio do mundo. Para fazer isso, disse ser necessário “recuperar o poder santo do coração, uma cultura de compaixão, de misericórdia, que deve ser vivida como um ministério”, concluiu.

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