Laudato Si’ cinco anos depois: um chamado contínuo à coragem

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29 Janeiro 2020

"A Laudato Si’ não é apenas bela. É também difícil. Laudato Si’ é inflexível em reconhecer que a criação foi confiada ao nosso cuidado e que acabamos deixando o egoísmo e a miopia conduzirem à sua ruína", escreve Tomás Insua, diretor-executivo do Movimento Católico Global pelo Clima, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 28-01-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

 

Eis o artigo. 

Este ano Laudato Si’ – Sobre o cuidado da casa comum completa cinco anos de idade. Os sistemas que sustentam a vida continuam a ruir ao nosso redor, e o quinto aniversário de Laudato Si’ provocou um movimento de reflexão para muitos.

Aonde chegamos nestes últimos cinco anos? Para onde a nossa fé nos chama agora?

Cinco anos atrás, o mundo ficou impressionado com uma primeira leitura de Laudato Si’. Este documento contou com uma beleza inimaginável. Nele, as pessoas encontraram um senso de vida, uma esperança palpável para a cura da criação.

A primeira vez que li Laudato Si’ foi com amigos e colegas do mundo todo e, na medida em que líamos, mandávamos e recebíamos mensagens, compartilhando uma sensação de maravilhamento. É difícil lembrar um outro documento que provocou tenha provocado um sentimento desse tipo. Uma vez contei todos os pontos de exclamação presentes na encíclica e encontrei dezoito. Dezoito!

Este documento tem um entusiasmo ilimitado pela vida, trazendo de volta muitas pessoas ao presente infalível de alegria que a nossa fé nos dá. Como Laudato Si’ diz: “O mundo é algo mais do que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor”. (12)

Mas Laudato Si’ não é apenas bela. É também difícil. Laudato Si’ é inflexível em reconhecer que a criação foi confiada ao nosso cuidado e que acabamos deixando o egoísmo e a miopia conduzirem à sua ruína.

Laudato Si’ não nos deixa com uma falsa sensação de conforto. Em vez disso, pede que olhemos, com honestidade, para a crise que instalamos. Eis o único modo pelo qual encontraremos a coragem para resolver esta mesma crise.

Como diz o Papa Francisco: “As previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia. (…) A atenuação dos efeitos do desequilíbrio atual depende do que fizermos agora”. (161)

Então, qual é a “ação decisiva” que tomamos desde que Laudato Si’ foi lançada?

Um dos resultados de Laudato Si' foi a criação do Movimento Católico Global pelo Clima, organização que ajudei a fundar com um grupo mundial de aliados. Nos cinco anos desde a fundação, ajudamos mais de 150 instituições católicas a desinvestir em combustíveis fósseis (nos tornando a maior fonte de participação no movimento de desinvestimento), formamos e certificamos quase 1.500 animadores da Laudato Si’ para coordenarem ações em suas comunidades, contribuímos com as nossas 900 organizações-membro na realização de milhares de atividades locais, e muito mais.

Mas o Movimento Católico Global pelo Clima é apenas um membro de uma comunidade vibrante. Incontáveis comissões diocesanas, comitês paroquiais, comunidades religiosas e outros grupos deram passos ousados à frente nestes últimos cinco anos.

Um exemplo é a Aliança Climática Católica, que desenvolveu um programa – o Catholic Energies – o qual fornece financiamento e conhecimento especializado a instituições católicas para que adquiram energia renovável ou aumentem a sua eficiência energética. Este programa começou com a construção do maior painel solar de Washington, DC, feito pela Arquidiocese de Washington.

Os nossos irmãos e irmãs de todas as tradições religiosas também têm ouvido este chamado. Entre as iniciativas inter-religiosas mais úteis está o Living the Change, ferramenta para que as pessoas entendam quais práticas de vida melhor protegem a criação. Esta plataforma deixa claro que estilos de vida sustentáveis são um modo essencial para praticar os valores centrais que unem as muitas religiões.

Dentro e além da nossa tradição católica, temos avançado em direção a modos práticos de proteger a criação divina. Estamos unidos; não estamos sozinhos. Temos trabalhado, ombro a ombro, para trazer Laudato Si’ à vida.

E a própria Laudato Si’ não está a sós. Laudato Si’ nos lembra que cuidar da criação faz parte da nossa fé desde o Gênesis. Papas e bispos de todos os cantos da Terra há tempos ensinaram os seus temas.

Laudato Si’ é um marco em uma caminhada que começou lá atrás e que continuará por muito tempo. Como o próprio Francisco diz: “Estes temas nunca se dão por encerrados nem se abandonam, mas são constantemente retomados e enriquecidos”. (16)

Cabe a nós “retomar e enriquecer” o cuidado da criação em nossas comunidades. Na medida em que olharmos para os próximos cinco anos, a demanda por uma ação urgente só irá crescer.

Neste momento, incêndios consomem a Austrália, onde mais de um bilhão de animais morreram. Em algum momento nos próximos anos, o caos climático tornará extremamente provável que uma tempestade devaste comunidades nas Filipinas, que uma seca traga fome e migração à África subsaariana e que a malária se alastre por terras cada vez mais quentes.

Devemos acelerar o nosso progresso para satisfazer os desafios dos próximos anos. Como nos conta Francisco: “É tanto o que se pode fazer!” (180) Ao redor do mundo, estamos ouvindo o seu chamado.

 

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