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Entrevistas

Crise econômica é reflexo da crise do Estado brasileiro. Entrevista especial com Reinaldo Gonçalves

“A questão não é a política macroeconômica, e sim o modelo de desenvolvimento. A única saída é a ruptura com o Modelo Liberal Periférico”, afirma o economista.

Imagem: 1momento.com.br

As causas centrais da crise econômica brasileira não estão relacionadas à “queda da receita tributária”, mas à “rigidez, má alocação e desperdício nos gastos (inclusive, o serviço da dívida pública)”, diz Reinaldo Gonçalves à IHU On-Line, na entrevista que segue, concedida por e-mail. Ao comentar a atual conjuntura, o economista frisa que “a questão política relevante” a ser levada em conta é a crise de legitimidade do Estado brasileiro. “Há alguns anos, estamos atolados em uma séria crise de legitimidade do Estado (descrença na capacidade do governo Dilma de resolver os problemas de curto, médio e longo prazos). Da mesma forma que os protestos populares de 2013, os atuais protestos decorrem, em grande medida, dessa crise”, avalia.

Crítico do modelo de desenvolvimento adotado no início do governo Lula, em 2003, Gonçalves associa a crise do Estado brasileiro ao Lulismo, que significou, entre outras coisas, “a traição e o aborto de um projeto de transformação que foi gestado durante mais de duas décadas por distintas forças da esquerda brasileira (...), o transformismo do PT (...), a desmoralização, o enfraquecimento e a pulverização da esquerda brasileira”. Essa crise de legitimidade do Estado, pontua, não será resolvida com “conciliação e reforminhas”, e “precisaremos de décadas para superar a herança maldita de FHC, a herança desastrosa de Lula e a herança tragicômica de Dilma. Com esperança negativa, só resta ao povo brasileiro o mecanismo desafio-resposta. Cabe partir, imediatamente, para o processo de ruptura com essas heranças. O fortalecimento das instituições é uma ferramenta. A onda de protestos populares também é uma ferramenta nessa direção”.

Para dar início a um projeto de país, menciona, é preciso uma “ruptura”, a qual exige “(1) a reversão do viés pró setor primário-exportador da matriz de produção, e (2) a rejeição do secular vício brasileiro de conciliação e reforminhas baseado na covardia atávica que, por seu turno, gera o argumento de que a ‘correlação de forças’ não é favorável à mudança estrutural”.

Reinaldo Gonçalves é formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Economia pela Fundação Getulio Vargas – FGV-RJ e doutor em Letters and Social Sciences pela University of Reading, na Inglaterra. É professor titular do curso de Economia na UFRJ e autor de Desenvolvimento às Avessas (Rio de Janeiro: LTC, 2013).

Confira a entrevista.

Foto: youtube.com
IHU On-Line - Quais são as causas da crise econômica que vivemos hoje no Brasil e qual é a proporção dela em relação a outros momentos de crise no país?

Reinaldo Gonçalves - A herança trágica do primeiro governo Dilma inclui profunda desestabilização macroeconômica. Essa desestabilização também é ampla, visto que abarca o front interno (recessão, aumento do desemprego, desmoronamento do investimento, déficit público e pressão inflacionária não desprezível) e o front externo (déficit muito alto da conta de transações correntes e elevado e crescente passivo externo financeiro líquido). A questão técnica relevante é um ajuste simultâneo (interno e externo) com o agravante de que os desequilíbrios são todos muito fortes e alguns com tendência de piora (recessão, desemprego, etc.).

A questão estrutural relevante é que o país continua na armadilha do Modelo Liberal Periférico - MLP introduzido no governo FHC e ampliado e aprofundado nos governos Lula e Dilma. Esse modelo coloca o país em uma trajetória de instabilidade e crise, cujo final é, invariavelmente, a instabilidade política e a crise institucional.

IHU On-Line - Alguns economistas relacionam a crise interna com fatores externos e outros dão mais ênfase às medidas tomadas pela equipe econômica desde o período em que Mantega era Ministro da Fazenda, até hoje. Na sua avaliação, qual é o peso externo e interno da nossa situação econômica?

Reinaldo Gonçalves - A conjuntura internacional excepcionalmente favorável funciona como “anti-inflamatório”, porém aumenta ainda mais a vulnerabilidade externa estrutural do país, como ocorreu durante o governo Lula. O MLP implica graves problemas estruturais: o deslocamento da fronteira de produção na direção do setor primário-exportador; a reprimarização do padrão de comércio exterior; a desnacionalização do aparelho produtivo; o atraso do sistema nacional de inovações; e o agravamento da dominação financeira.

Políticas macroeconômicas oportunistas (apreciação cambial), irresponsáveis (contenção dos preços de serviços públicos, desoneração fiscal de setores como a automobilística) e, até mesmo, criminosas (expansão exponencial do crédito doméstico e o sobre-endividamento a taxas de juros absurdas) dão algum fôlego para os governantes e, inclusive, são determinantes nos ciclos político-eleitorais. Entretanto, essas políticas provocam a acumulação de desequilíbrios que geram pressão inflacionária, deterioram as contas públicas e as contas externas, e reduzem a capacidade de expansão dos investimentos por um longo período (como consequência, por exemplo, sobre-endividamento do Estado, das famílias e das empresas).

A situação se agrava em decorrência das políticas de gastos públicos que envolvem péssima alocação de recursos, corrupção e vazamento de renda para o exterior. Esse é o caso dos gastos nos projetos da Copa do Mundo e das Olimpíadas, das obras de infraestrutura com duvidosa relação benefício-custo, e da megalomania, irresponsabilidade, incompetência e corrupção nos gastos do setor público e das estatais (caso conspícuo: pré-sal e Petrobras).

IHU On-Line - O que poderia ter sido feito para evitar a crise econômica?

Reinaldo Gonçalves - Como se não bastassem as graves restrições estruturais, o governo Dilma caracteriza-se, desde o início em 2011, por um déficit de governança. Mesmo quando há boas ideias e projetos, o governo mostra-se incompetente na execução. Esse déficit de governança evidencia-se claramente na atual política de ajuste macroeconômico. Poucos meses depois de definida a meta de superávit fiscal, o governo teve que redefini-la. O “melo da meta” divulgado na internet tem grande simbolismo (segundo Dilma, ela não fixa a meta, depois que ela atinge a meta, ela duplica a meta!).

Credibilidade é fundamental no combate à crise econômica. Além do déficit de governança há a nulidade de liderança da Dilma. Na realidade, Dilma é um figurante supérfluo dentro do Estado brasileiro. O figurante supérfluo tem desempenho desastroso, conduta grotesca e deficiência cognitiva. Não há como recuperar a credibilidade do Estado brasileiro com Dilma na Presidência.

“Mesmo quando há boas ideias e projetos, o governo mostra-se incompetente na execução”

 

IHU On-Line - De que outras formas o ajuste fiscal deste ano poderia ter sido feito?

Reinaldo Gonçalves - Na situação de manutenção de falhas estruturais, é lamentável o debate brasileiro sobre estabilização macroeconômica (ajuste simultâneo interno e externo). Mais especificamente, é débil o debate que envolve, de um lado, os meninos afoitos da ortodoxia (despachantes e candidatos a economistas-chefe dos bancos), que defendem políticas fiscal e monetária restritivas e advogam reforminhas (por exemplo, previdência) que aumentam as oportunidades de ganhos dos bancos, porém não afetam questões estruturais. De outro, há as raparigas em flor do keynesianismo, que defendem políticas macroeconômicas expansionistas e fazem o discurso vazio do aumento de produtividade e dos gastos em educação, sem questionar a alocação de recursos e o viés da fronteira de produção.

O debate torna-se ainda mais equivocado quando a esse grupo se junta turma que, desde a eclosão da crise, argumenta que as reservas internacionais garantem a blindagem do país frente às pressões internacionais. Essa turma desconhece três fatos evidentes: (1) as reservas foram acumuladas, não como resultado do superávit da conta de transações correntes, e sim como resultado do atrativo de juros muito altos; (2) as reservas internacionais brasileiras têm custos fiscal e cambial muito elevados; (3) reservas implicam blindagem de papel crepom frente às múltiplas fontes de vulnerabilidade externa estrutural do país; e (4) descontando as reservas internacionais, o passivo externo financeiro líquido supera US$ 650 bilhões.

Ajuste fiscal tipo “corte e costura”

Que diferença substantiva há entre um superávit primário de 0,5% ou 2%? Que diferença fundamental há entre uma taxa Selic de 10% ou 15%? Abusando da metáfora: para quem está com metástase, que diferença faz a dose diária de 500 mg ou de 1.000 mg de paracetamol? Muito mais relevante do que a dosimetria da estabilização é a natureza e a qualidade das políticas macroeconômicas, bem como o foco do aumento de produtividade e a alocação de recursos fora do setor primário-exportador. Qualquer macroeconomista bem adestrado, e com boa formação técnica na questão do desenvolvimento – isto é, na dinâmica curto prazo-longo prazo –, pode perguntar: Quais são o sentido e natureza do equilíbrio simultâneo (externo e interno) quando a economia está na armadilha do modelo de crescimento empobrecedor?

Atualmente, o ajuste fiscal tipo “corte e costura” é errático e ineficaz. Esse ajuste tem custo elevado e está baseado no recorte de gastos com critérios pouco claros e marcado pelo varejo clientelista e corrupto do balcão da pequena política. Há, ainda, o agravante da aleatoriedade e o oportunismo na geração de receita tributária. Aumentar impostos indiretos sobre a atividade dos bancos implica imediatamente a transferência desse ônus fiscal para a população em razão das práticas de abuso do poder econômico por parte dos bancos.

Na perspectiva da esquerda, o ajuste via tributação implica progressividade sobre os rendimentos do trabalho e maior incidência de impostos sobre os ganhos do capital, principalmente, dos setores dominantes (bancos, agronegócio, mineração e empreiteiras). Por que não se criar um tributo sobre a exportação de commodities?

IHU On-Line - No passado, quando a inflação estava a 6%, o senhor disse que a ênfase dada a ela era exagerada. Hoje, com a estimativa de a inflação chegar a 9%, faz a mesma avaliação? As causas da inflação de antes e de hoje são diferentes?

Reinaldo Gonçalves - Houve significativo aumento da pressão inflacionária em decorrência do oportunismo político (preços administrados e ciclo político eleitoral em 2014), das falhas de política econômica (expansão exagerada do crédito) e do modelo (queda dos preços das commodities agravam situação das contas externas, deterioração de expectativas, maxidesvalorização cambial e, portanto, pressão inflacionária).

Entretanto, o aumento da inflação não muda a natureza do problema central: crise de legitimidade do estado. O desequilíbrio macroeconômico (inflação, etc.) é um dos vetores dessa crise. No que se refere ao ajuste monetário, cabe mencionar que um número cada vez menor de países usa o regime de meta de inflação. Segundo o FMI, atualmente menos de 18% dos países-membros do Fundo usam esse tipo de regime. No Brasil o regime cambial é ambíguo e a política cambial também é errática e ineficaz. Há momentos em que a política cambial está focada no controle da inflação; há momentos em que ela está direcionada para o ajuste das contas externas; e há momentos em que o governo perde total controle sobre a trajetória dessa variável-chave da gestão macroeconômica. A situação brasileira é ainda mais grave quando há inconsistência entre as políticas macroeconômicas, em particular entre a política de crédito e a política monetária. 

“Quando o mundo melhora, o Brasil não melhora tanto quanto o mundo; quando o mundo piora, o Brasil piora mais do que o mundo!”

IHU On-Line - Hoje, contabiliza-se que aproximadamente 250 mil pessoas perderam o emprego com carteira assinada somente neste ano. A crise tende a agravar a situação do emprego no país ou essa é apenas uma das etapas cíclicas do capitalismo?

Reinaldo Gonçalves - O vetor dominante da crise brasileira é estrutural (Modelo Liberal Periférico, com o protagonismo do setor primário-exportador), e os vetores agravantes são a mediocridade esférica do governo Dilma (déficit de governança) e a herança desastrosa do governo Lula (reprimarização da estrutura de produção e do padrão de comércio exterior, aumento expressivo do passivo externo, desindustrialização, sobre-endividamento de famílias, empresas e governo, expansão do sistema político patrimonialista e corrupto, etc.). Há uma conjuntura internacional desfavorável. Entretanto, países mais vulneráveis são mais afetados. Esse é, precisamente, o caso do Brasil.

A taxa média de crescimento da economia brasileira na fase ascendente da economia mundial (2003-07) foi de 4,0% em decorrência do ciclo de crescimento dos preços das commodities. Na fase descendente (2011-15) essa taxa caiu para 1,4%. Essa é uma queda significativa. Mais importante é destacar que o Brasil tem perda forte na posição do ranking internacional de taxas médias de crescimento quando essas distintas fases são comparadas. O Brasil ocupou a 116ª posição (painel de 186 países membros do FMI) em 2003-07. No período 2011-15 o país cai para a 135ª posição. O país perde 19 posições. Na fase ascendente a taxa de crescimento do Brasil é menor do que a mediana mundial (5,0%), portanto, o hiato de crescimento evidencia que o Brasil fica para trás. Com a eclosão da crise há uma desaceleração generalizada; entretanto, a desaceleração da economia brasileira é bem maior do que a ocorrida no resto do mundo. Em consequência, no período 2011-15 o Brasil fica ainda mais para trás: a mediana de crescimento do resto do mundo é 3,3% e o crescimento do Brasil é 1,4%.

Entre as duas fases evidencia-se a piora relativa do desempenho brasileiro. Na fase ascendente (2003-07), 62% dos países tiveram desempenho (crescimento econômico) superior ao do Brasil; na fase descendente (2011-15), 73% têm desempenho superior ao do Brasil. Na fase ascendente a diferença entre a taxa de crescimento econômico do Brasil e a mediana da taxa de crescimento do resto do mundo é -1,0%, enquanto na fase descendente essa diferença aumenta para -1,9%. Ou seja, persiste e agrava-se a piora relativa do Brasil em relação ao resto do mundo, independentemente da conjuntura internacional. Em resumo, quando o mundo melhora, o Brasil não melhora tanto quanto o mundo; quando o mundo piora, o Brasil piora mais do que o mundo!

IHU On-Line - Como o senhor interpreta a declaração da presidente Dilma sobre a crise econômica, quando afirmou: “Nós não imaginávamos. Primeiro, que teria uma queda da arrecadação tão profunda. Ninguém imaginava”?

Reinaldo Gonçalves - Conversa fiada ou mais um exemplo de deficiência cognitiva. A crise brasileira tem se aprofundado e ampliado desde o primeiro dia do primeiro governo Dilma. A questão econômica central não é a queda da receita tributária, e sim a rigidez, má alocação e o desperdício nos gastos (inclusive, o serviço da dívida pública). A questão política relevante é que, há alguns anos, estamos atolados em uma séria crise de legitimidade do Estado (descrença na capacidade do governo Dilma de resolver os problemas de curto, médio e longo prazos). Da mesma forma que os protestos populares de 2013, os atuais protestos decorrem, em grande medida, dessa crise.

A mediocridade esférica do governo Dilma resulta no fato de que ele é avaliado como ruim por capitalistas e trabalhadores, por ricos e pobres, pela direita e pela esquerda. A presidenta Dilma é figurante supérfluo (desempenho medíocre, conduta grotesca e deficiência cognitiva). Esse figurante supérfluo agrava a crise de legitimidade do estado e, portanto, tem grande responsabilidade pela crise sistêmica.

IHU On-Line - A desaceleração chinesa pode ter algum impacto na economia latino-americana, especialmente no Brasil?

Reinaldo Gonçalves - A eclosão da crise global em 2008 representa um ponto de inflexão para a China após 30 anos de construção de um capitalismo de estado e crescimento econômico acelerado. A China está em forte processo de desaceleração desde 2012 visto que caiu de taxas anuais próximas de 10% para taxas inferiores a 7%. Já era tempo. Desde 1978 o Partido Comunista chinês tem pilotado o sistema capitalista mais estável, dinâmico e cruel (exploração do trabalhador) da história do Capitalismo. Se estivesse vivo, Engels teria se suicidado. E Marx tentaria usar a dialética para responder ao paradoxo: se o melhor capitalismo é aquele pilotado pelo Partido Comunista, será que o melhor Comunismo é aquele pilotado por capitalistas? O leitor pode entender esse paradoxo como uma piada trágica. Durante um século e meio o conflito capitalismo versus comunismo gerou o sofrimento de centenas de milhões de pessoas.

Após um terço de século, o sistema econômico chinês é cada vez mais capitalista na sua lógica econômica, porém com forte intervenção do Estado assentada no patrimonialismo, na corrupção, no nepotismo e na repressão. Portanto, aos problemas sistêmicos do capitalismo avançado, a China incorpora os vícios sociais, políticos e institucionais da periferia. Esses problemas se agravam com a desregulamentação e a liberalização econômica.

Crise chinesa

O primeiro problema do capitalismo é a insuficiência da demanda agregada. Durante mais de duas décadas o crescimento econômico da China dependeu significativamente da expansão das suas exportações. A crise global, simplesmente, abortou a trajetória mercantilista chinesa. A crise antecipou o ponto de inflexão da China na sua trajetória extraordinária de ganhos de poder econômico, principalmente, nas esferas produtiva e comercial. As exportações de bens e serviços perdem força como fatores de crescimento da renda.

A crise global tem funcionado como freio de arrumação para a China. Pelo lado da oferta, o governo chinês tem procurado ganhar musculatura nas esferas comercial, produtiva, tecnológica e financeira. É uma questão em aberto saber se ele será bem sucedido, inclusive, via criação de instrumentos financeiros como o Banco Asiático de Infraestrutura e o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICs. Esses são instrumentos financeiros para alavancar as exportações de bens e serviços chineses. A estratégia da China também envolve o investimento em países africanos (Angola) e latino-americanos (Brasil, Peru, etc.) para transformá-los em economias-satélites fornecedoras de produtos primários.

Por outro lado, os chineses estão sofrendo com os custos de aprendizado da gestão de uma economia capitalista sofisticada. Há incertezas críticas no horizonte: sérios problemas de bolhas de preços de ativos reais e financeiros, endividamento e crescente pressão por aumento dos salários e melhores condições de trabalho. A desigualdade também aumentou e é uma fonte de descontentamento, que aumenta em decorrência da desaceleração econômica. Ademais, a China é uma ditadura controlada por grupos políticos e por um aparato repressivo violento. Sem dúvida, há um potencial de desestabilização interna que pode aumentar. No front externo, o cenário dominante é o de estabilidade do poder econômico da China e a desaceleração da economia chinesa. E quanto mais o capitalismo avança na China, maior é a probabilidade de ocorrência de crises financeiras e reais. A China não escapa do tridente satânico do capitalismo: instabilidade, desperdício e desigualdade. Os chineses estão descobrindo uma máxima do capitalismo e da economia de mercado: não há benefício sem custo. A desaceleração e o descarrilhamento da sublocomotiva chinesa arrastam o vagão de 3ª classe chamado Brasil!

 

“O Brasil redescobre, em pleno século XXI, sua vocação para colônia”

IHU On-Line - Que modelo de política econômica o governo poderia ter implementado ao longo desses 13 anos e que ganhos o senhor vislumbra que poderíamos ter tido com ele?

Reinaldo Gonçalves - A questão não é a política macroeconômica, e sim o modelo de desenvolvimento. A única saída é a ruptura com o Modelo Liberal Periférico. É uma questão de rumo e prumo, e não de velocidade ou estabilidade. Nos Estados Unidos, um daqueles políticos broncos diria: “Não é a política econômica, imbecil. O problema é o modelo!”.

IHU On-Line - O que seria um modelo econômico adequado para sairmos do que o senhor costuma chamar de “Modelo Liberal Periférico”?

Reinaldo Gonçalves - A avaliação é que estaremos ainda piores no longo prazo se ficarmos focados na estabilização assentada em políticas fiscais e monetárias restritivas. Essas políticas tendem a agravar as restrições estruturais que influenciam a estabilização macroeconômica no curto prazo, a capacidade de recuperação no médio prazo e o desenvolvimento no longo prazo.

Os desequilíbrios macroeconômicos brasileiros, após a eclosão da crise global em 2008, resultam tanto dos erros de política dos governos Lula e Dilma como da vulnerabilidade externa estrutural do país, que se agravou durante esses governos. A situação de instabilidade e crise do Brasil deve se estender por muito tempo em função dos erros e das vulnerabilidades.

Problemas estruturais do Brasil

Os principais problemas estruturais do país, no âmbito do Modelo Liberal Periférico e das relações econômicas internacionais do país, são: (1) deslocamento da fronteira de produção na direção do setor primário-exportador, principalmente, a partir do governo Lula; (2) desnacionalização da economia com as privatizações, as concessões e a penetração do investimento externo; (3) atraso do sistema nacional de inovações; e (4) elevado passivo externo financeiro.

O fato de grande relevância é que o setor dominante (setor primário-exportador) “suga” recursos (capital, mão de obra qualificada e tecnologia) de outros setores mais dinâmicos. Ademais, vale destacar, há o agravante da crescente dependência da economia brasileira em relação à demanda por importações de commodities pela China. Há também o crescente volume de investimentos chineses na economia brasileira, assim como a maior oferta de financiamento externo por parte de bancos chineses. O atrelamento do vagão brasileiro à sublocomotiva chinesa agrava a vulnerabilidade externa estrutural do Brasil e compromete a capacidade do país de se proteger da instabilidade da economia mundial e das pressões bilaterais. Para ilustrar, o recente acordo bilateral Brasil-China é patético: chineses oferecem financiamento para que compremos seus bens e serviços e nos ensinam a jogar peteca; por outro lado, o Brasil exportará minério de ferro, soja e petróleo e facilitará privatizações na logística que interessa às empresas chinesas importadoras de commodities do país. O Brasil redescobre, em pleno século XXI, sua vocação para colônia. Portanto, o país consolida seu papel de figurante no cenário mundial.

IHU On-Line - Como o senhor analisa o anúncio da Agenda Brasil? O que essa agenda significa?

Reinaldo Gonçalves - O presidente do Senado, autor da agenda, tem superávit de malandragem, mas déficit de imaginação e talento. Mesmo como parte da política de conciliação e reforminhas, essa agenda é minúscula, midiática. Não merece sequer o desprezo. Terá o mesmo destino que o conjunto de medidas anunciadas por Dilma para conter os protestos populares de 2013: a estrumeira da história.

IHU On-Line - Como avalia o anúncio da presidente de extinguir dez ministérios? Quais as vantagens e desvantagens dessa medida?

Reinaldo Gonçalves - Como mencionado acima, Dilma é figurante supérfluo dentro do Estado brasileiro. O figurante supérfluo tem desempenho desastroso, conduta grotesca e deficiência cognitiva. Não há como recuperar a credibilidade do Estado brasileiro com Dilma na presidência. Essa proposta enquadra-se no esquema das “reforminhas” que não têm qualquer relevância. É fogo de artifício. Que diferença faz haver 10 ministérios ou 40 ministérios quando há um regime patrimonialista, nepotista, clientelista e corrupto? 

IHU On-Line - Na sua avaliação, é possível pensar e desenvolver um projeto nacional para o país? Por quê? E se sim, em que consistiria? O que seria uma agenda adequada para o Brasil neste momento?

Reinaldo Gonçalves - A ruptura exige, para começar: (1) a reversão do viés pró setor primário-exportador da matriz de produção, e (2) a rejeição do secular vício brasileiro de conciliação e reforminhas baseado na covardia atávica que, por seu turno, gera o argumento de que a “correlação de forças” não é favorável à mudança estrutural. O viés e o vício levam ao “navegar é preciso”, ao sabor dos ventos (das circunstâncias, sem estratégia). O navegar sem rumo leva na direção de uma estrutura de produção cada vez mais retrógrada e vulnerável e na direção de uma sociedade cada vez mais corrupta, violenta e bárbara.

IHU On-Line - Hoje, uma das avaliações que se faz em relação às políticas públicas dos governos Lula e Dilma, é que elas favoreceram o sistema financeiro. Como o senhor interpreta esse tipo de crítica? O que é possível vislumbrar em termos de continuidade ou manutenção das políticas sociais a partir da conjuntura atual?

“A herança desastrosa de Lula é pior do que a herança maldita de FHC ou a herança tragicômica de Dilma”

 

Reinaldo Gonçalves - A dominação financeira, herdada do governo FHC, foi incorporada ao Lulismo. Para ilustrar, a crescente dominação financeira evidencia-se no fato de que o patrimônio líquido dos três maiores bancos privados praticamente duplica em relação ao patrimônio líquido das 500 maiores empresas do país durante os governos do PT. A taxa de rentabilidade dos bancos é um múltiplo da taxa de rentabilidade das 500 maiores empresas do país. A dominação financeira faz com que despachantes dos grandes bancos sejam nomeados para altos escalões da gestão econômica.

Os empreiteiros brasileiros, perto dos banqueiros, são meninos, aprendizes de feiticeiro. Compare o número de ex-autoridades do alto escalão na área econômica que ocupam ou já ocuparam posições de destaque nos bancos e nas empreiteiras! Bancos ganham de 7 a 1.

IHU On-Line - O senhor foi um dos primeiros economistas a criticar o modelo econômico implantado no governo Lula. Fazendo uma retrospectiva, que avaliação faz da política econômica dos últimos 13 anos? Quais foram os erros e acertos desse período e por que chegamos a esse momento?

Reinaldo Gonçalves - A herança desastrosa de Lula é pior do que a herança maldita de FHC ou a herança tragicômica de Dilma. O Lulismo significa:

(1) a traição e o aborto de um projeto de transformação que foi gestado durante mais de duas décadas por distintas forças da esquerda brasileira;

(2) o transformismo e o apodrecimento do Partido dos Trabalhadores, que foi construído com diretrizes socialistas e democráticas — transformismo sem retorno que gerou desmoralização e apodrecimento;

(3) a desmoralização, o enfraquecimento e a pulverização da esquerda brasileira - uma notável parte se submeteu ao oportunismo, à venalidade, à corrupção e à covardia, e aqui não se trata somente dos atuais condenados no Mensalão e no Petrolão e Lava Jato (atuais e futuros condenados), que são pontas de iceberg;

(4) a covardia com a submissão de parte da esquerda aos setores dominantes e às oligarquias políticas sob o argumento hipócrita da correlação de forças desfavorável;

(5) a consolidação do poder das oligarquias econômicas e políticas retrógradas com o pretexto de se manter a governabilidade;

(6) o aumento do poder econômico e político dos setores dominantes - bancos, agronegócio, mineração e empreiteiras, que são grandes financiadores de campanhas eleitorais e fontes de enriquecimento pessoal;

(7) o invertebramento da sociedade civil - cooptação, fragilização e a corrupção de organizações representativas da sociedade civil como a UNE, CUT, MST etc., que levou à desmoralização de algumas de suas lideranças e das próprias organizações;

(8) a ilusão da inclusão social - pobres travestidos de nova classe média com TVs de dois metros de comprimento que morrem nos corredores dos hospitais, são humilhados pelas empresas prestadoras de serviços públicos, são vítimas da violência crescente e sofrem a humilhação de terem concluído o curso médio deficiente ou o curso superior igualmente deficiente e fazem o trabalho de semianalfabetos; pobres que caíram no “canto de sereia” criminoso do crédito fácil, que compram carros em 72 meses para passar 5 horas por dia no trânsito sob ameaça permanente de assalto e homicídio, etc.;

(9) o aumento da vulnerabilidade externa estrutural do Brasil nas esferas comercial, produtiva, tecnológica, monetária e financeira;

(10) o aprofundamento do Modelo Liberal Periférico - desindustrialização, desnacionalização e concentração de capital (ver os livros A Vulnerabilidade Econômica do Brasil (M. Carcanholo), A Economia Política do Governo Lula (L. Filgueiras) e Desenvolvimento às Avessas (R. Gonçalves);

(11) a crescente dominação financeira - o patrimônio líquido dos três maiores bancos privados praticamente duplica em relação ao patrimônio líquido das 500 maiores empresas do país durante os governos do PT; dominação financeira que faz com que despachantes dos grandes bancos sejam nomeados para altos escalões da gestão econômica;

(12) a reversão do Brasil ao status de colônia com a dominação do setor primário-exportador e o atrelamento da economia brasileira à economia chinesa - o Brasil torna-se um vagão de 3ª classe na economia mundial, com perda de poder econômico;

(13) a degradação das instituições - universidades públicas inchadas, com condições precárias, salas de aula em containers, etc.; balcanização do aparelho de Estado; aporcalhamento do Legislativo;

(14) o alargamento e o aprofundamento de um sistema político patrimonialista, clientelista, nepotista e corrupto - a origem do Mensalão, Petrolão, Lava Jato, etc.;

(15) a fragilização, talvez sem retorno, da maior empresa do país (Petrobras) e das grandes empreiteiras nacionais que protagonizaram casos de má governança pública, má governança privada e corrupção em alta escala? empresas tão valorizadas pelos nacionalistas de direita e de esquerda e que correm risco crescente de privatização (Petrobras), desnacionalização (Petrobras e empreiteiras) e, até mesmo, quebra; há indivíduos na esquerda e na direita com o pesadelo de que a Petrobras foi comprada pelos chineses por US$ 1,00 após megadesvalorizações cambiais, megavazamentos de óleo nas costas brasileiras, retorno negativo dos poços do pré-sal, etc.; e,

(16) a seleção adversa que promoveu o oportunismo (neopetismo) e gerou um figurante supérfluo (Dilma) - que logo no início do primeiro mandato já evidencia a herança tragicômica, a crise de legitimidade do Estado brasileiro e o risco crescente de crise institucional.

O Lulismo é responsável pelo Nacional-Desenvolvimentismo às Avessas - NADA que se caracteriza pelo aprofundamento do Modelo Liberal Periférico, invertebramento da sociedade e degradação institucional e ética.

IHU On-Line - Como o senhor interpreta hoje a “Carta aos Brasileiros”? Quais são os resultados dessa carta na economia e na política brasileira hoje?

Reinaldo Gonçalves - A “Carta aos Brasileiros” é a certidão de nascimento do Lulismo. Estou esperando a certidão de óbito. Quem sabe essa certidão não vem na forma de uma sentença de um juiz paranaense? Afinal, é mais simples morrer do que nascer.

IHU On-Line - O que vislumbra para o Brasil em termos econômicos e de desenvolvimento para os próximos anos, dada a atual conjuntura?

Reinaldo Gonçalves - Além das vulnerabilidades e fragilidades estruturais próprias do Modelo Liberal Periférico, o Brasil tem se viciado em errar, errar de novo e errar pior. Falhas de mercado, falhas de governo e falhas estruturais se multiplicam. Agrega-se a isso o déficit de lideranças, o invertebramento social e a degradação institucional. Sem perspectivas de mudanças, a avaliação é que o Brasil se encontra na situação de que “nada é tão ruim que não possa piorar”.

“Sem perspectivas de mudanças, a avaliação é que o Brasil se encontra na situação de que 'nada é tão ruim que não possa piorar'”

IHU On-Line - Há saída no fim do túnel?

Reinaldo Gonçalves - A crise de legitimidade do Estado é muito séria. Conciliação e reforminhas não resolverão o problema. Precisaremos de décadas para superar a herança maldita de FHC, a herança desastrosa de Lula e a herança tragicômica de Dilma. Com esperança negativa, só resta ao povo brasileiro o mecanismo desafio-resposta. Cabe partir, imediatamente, para o processo de ruptura com essas heranças. O fortalecimento das instituições é uma ferramenta. A onda de protestos populares também é uma ferramenta nessa direção.

A solução para a crise sistêmica brasileira requer:

(1) impedimento de Dilma - figurante supérfluo - desempenho medíocre, conduta grotesca e déficit cognitivo;

(2) derrota e isolamento do PT - desmoralização, apodrecimento e antifuncionalidade para a esquerda brasileira;

(3) combate frontal à corrupção - condição para a desestabilização do sistema patrimonialista e a redução do poder das oligarquias políticas e dos setores dominantes (bancos, empreiteiras, agronegócio e mineração); e

(4) investigação, indiciamento, julgamento, condenação e prisão de Lula - condição para a reconstrução das forças políticas de esquerda.

Esses são os temas prioritários na agenda dos protestos populares. A realidade gerou a luz! No que se refere à realidade e as soluções para a crise sistêmica brasileira, o fato é que parte do povo tem uma compreensão mais clara e precisa do que aquela expressa por muitos políticos e analistas, inclusive, no campo progressista.

Dilma é figurante supérfluo enquanto Lula é protagonista no drama do desenvolvimento às avessas do Brasil. Lula é um personagem dramático - descendente do Salsicheiro de Aristófanes, do Falstaff de Shakespeare, do Tartufo de Molière e do Pai Ubu de Jarry. No cenário mambembe da política brasileira, o que temos é um drama grotesco!

O impedimento de Dilma e a punição de Lula são condições necessárias para a reconstrução tanto do Brasil como da esquerda brasileira. Essa reconstrução deve demorar décadas. Precisamos começar imediatamente esse processo visto que a degradação do Brasil é econômica, social, política, institucional e ética!

Por Patricia Fachin

 

Para ler mais:


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  • 12/03/2015 - “O PT causou um tremendo dano à imagem de toda a esquerda na América Latina”. Entrevista com James Petras
  • 03/07/2015 - Social-democracia é a única via para a política brasileira. Entrevista especial com Luiz Werneck Vianna
  • 15/02/2015 - Segundo governo Dilma. Guinada à direita? Não! Um ‘cavalo de pau'. Entrevista especial com Luiz Werneck Vianna
  • 07/08/2015 - Os homens sórdidos e o temporal que se avizinha
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  • 25/02/2015 - Segundo governo Dilma: A consolidação de uma derrota. Entrevista especial com Pablo Ortellado
  • 12/08/2015 - Agenda Brasil. O enterro da democracia
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  • 26/03/2015 - Crise política e o retorno da tese ''ajustar para depois crescer''. Entrevista especial com Vanessa Petrelli
  • 17/08/2015 - Desvalorização do yuan já impacta a economia da América Latina
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  • 04/08/2015 - A crise atual reflete dependência estrutural da economia brasileira, constata economista
  • 12/06/2015 - Taxação sobre patrimônio e renda. Alternativas ao ajuste fiscal. Entrevista especial com Róber Iturriet Avila
  • 22/08/2012 - Falta de política macroeconômica acentua desindustrialização. Entrevista especial com Wilson Cano
  • 22/03/2015 - A oligarquia financeira e midiática e o furto da democracia. Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo
  • 13/09/2011 - Origem, causas e impacto da crise
  • 16/08/2015 - Política brasileira é varejo do dia a dia. Entrevista especial com João Sicsú
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  • Brasil. Crises e desafios. Revista IHU On-Line, Nº. 461
  • Partido dos Trabalhadores, 10 anos no poder. Um governo de esquerda? Revista IHU On-Line, Nº. 413
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