Papa Francisco censurado pelo Vaticano sobre as uniões civis. E suas frases revolucionárias cortadas ad hoc

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23 Outubro 2020

As afirmações do pontífice sobre os casais e os direitos dos homossexuais tornaram-se um caso na Santa Sé. Primeiro, o pedido para não publicar nada pelos responsáveis das mídias vaticanas, em seguida, um corte geral na entrevista com Francisco, da qual desapareceram as declarações mais fortes e por esta razão destinadas a criar conflitos internos.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 22-10-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Há uma verdadeira confusão no Vaticano sobre as declarações do Papa Francisco sobre a lei das uniões civis, inclusive entre pessoas do mesmo sexo. Em um e-mail da direção editorial do Dicastério para a comunicação, que ilfattoquotidiano.it pode publicar na íntegra e exclusivamente, está presente a ordem de censurar tudo o que se relaciona com o documentário em que Bergoglio pronuncia a sua abertura revolucionária. Foi assinado por Massimiliano Menichetti, responsável pela Rádio Vaticano – Vatican News e o Centro Editorial Multimídia, mas é evidente que espelha as indicações dos vértices do dicastério da Santa Sé que trata da mídia:

“Bom dia a todos, em referência ao clamor suscitado pelo filme 'Francesco' do diretor russo Evgeny Afineevsky, por enquanto não publicamos NENHUMA notícia, nem rádio, nem web. Nem mesmo sobre o filme ou a cerimônia de premiação de hoje no Vaticano. Está ocorrendo um confronto para enfrentar a crise midiática em curso. Uma comunicação da Sala de imprensa não está excluída. Por favor, informem se possível, no meio do dia e no final, eventuais reações de ouvintes e seguidores. Não é necessário repassar os comentários, apenas duas linhas de resumo. Obrigado Massimiliano Menichetti".

Assista ao trailer de “Francesco”:

Apesar disso, o Papa, antes da habitual audiência geral de quarta-feira, 21 de outubro, recebeu em uma sala adjacente à Sala Paulo VI o diretor e todos os seus colaboradores, dando assim a sua bênção à obra. Mas também considerando que o documentário, um dia após a audiência papal e a apresentação no Festival de Cinema de Roma, dirigido por Antonio Monda, irmão do editor do L'Osservatore Romano, Andrea Monda, foi agraciado, justamente nos Jardins do Vaticano, com o “Kinéo Movie for Humanity Award”, atribuído a quem promove questões sociais e humanitárias.

Mas isso não é tudo. Na verdade, quem revelou as declarações do Papa sobre as uniões civis foi o padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor do La Civiltà Cattolica, na tentativa de prevenir as críticas do mundo conservador católico. Aos microfones da Tv2000, Spadaro explicou que “o diretor do filme 'Francesco' reúne uma série de entrevistas que foram feitas com o Papa Francisco ao longo do tempo, fazendo uma grande síntese de seu pontificado e do valor de suas viagens.

Entre outras coisas, há vários trechos de uma entrevista com Valentina Alazraki, uma jornalista mexicana, e dentro desta o Papa Francisco fala de um direito à tutela legal de casais homossexuais, mas sem prejudicar de forma alguma a doutrina”. O jesuíta especifica que “há também outro testemunho no filme em que é dito explicitamente que o Papa Francisco não pretende mudar a doutrina, mas ao mesmo tempo o Papa Francisco está muito aberto às exigências reais da vida concreta das pessoas”. E acrescenta: “Portanto, não há nada de novo. Trata-se de uma entrevista concedida há muito tempo e que já passou pela recepção da imprensa. Ao mesmo tempo, porém, entendemos como neste filme se reafirme a importância que o Papa Francisco confia às palavras de escuta e tutela das pessoas que vivem situação de crise ou dificuldade. O que permanece e é marcante é a capacidade de escuta que Francisco demonstra”.

 

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