“Francisco me convenceu a lutar.” Entrevista com Andrea Rubera

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23 Outubro 2020

“Não me surpreende que o Papa Francisco fale de homossexuais com direito a uma família. Ele vive dentro da história, sabe qual é a realidade das pessoas do mesmo sexo que se amam e têm filhos. Mas a verdadeira revolução é que ele não pensa por categorias: gays, homens ou mulheres. Ele olha para o indivíduo na sua complexidade, vê a sua história e as suas necessidades, pensa em como acolhê-los. Exatamente como fez comigo há cinco anos, apesar de ter desligado o telefone três vezes sem saber que era ele que estava me ligando.”

A reportagem é de Caterina Pasolini, publicada por La Repubblica, 22-10-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Andrea Rubera, 55 anos, mede as palavras. O seu caminho não foi fácil para chegar ao homem que é: há 35 anos, foi um feliz companheiro, primeiro, e depois marido de Dario De Gregorio, 56 anos. E pai de três filhos, uma menina de oito anos e dois gêmeos de seis.

Eis a entrevista.

É difícil ser gay para um cristão?

Eu cresci em uma família católica, em um mundo onde só existia a opção de ser heterossexual. Eu me sentia errado, achava que iria para o inferno. Depois, no ano 2000, corri o risco de morrer e decidi que queria que Deus me aceitasse como eu era. Fui falar com um sacerdote, e ele me disse: você está equivocado, Deus não é juiz, é pai, ele acolhe.

Como você se encontrou com o papa?

Quando os filhos chegaram, eu me perguntava se a Igreja e a paróquia estavam prontas para acolhê-los, se os fariam se sentir diferentes. Eu estava preocupado com eles. Então escrevi uma carta e a entreguei ao papa após a missa em Santa Marta.

Dois dias depois, o telefone toca.

Vi um número desconhecido, pensei que fosse algum incômodo e desliguei. Uma, duas, três vezes. Depois atendi. Era o papa, que me disse: “Evidentemente o estou incomodando”. Um telefonema surreal, sem conveniências. Ele queria entender o que me angustiava, me perguntou se eu tinha tido dificuldades na paróquia. Ele me disse: “Vá até lá [na paróquia]. Na minha opinião, você vai encontrar uma boa acolhida”. Assim foi. Desde então, os nossos filhos estão fazendo um caminho de descoberta espiritual montessoriano com brincadeiras e desenhos.

Por que você não contou isso antes?

Não era um gesto político, mas sim uma carta, uma exigência privada.

Você gostaria de se casar na igreja?

Depois de 35 anos de amor, eu gostaria.

O que é importante para você?

Sentir-se parte de uma comunidade. E isso para mim, para os meus filhos, para os jovens homossexuais que talvez sejam escoteiros e não ousem dizer isso. Nós fazemos parte da associação LGBT Nuova Proposta, mas gostaríamos de participar de outros grupos familiares paroquiais. Para nos ajudarmos, debatermos. Porque, assim como todos os casais, nós temos dificuldades e cansaços de vez em quando.

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