Emmanuel Lévinas: a pegada infinita

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12 Agosto 2020

“A filosofia ocidental é filosofia do mesmo, filosofia da apropriação e o poder, filosofia centrada no ego, que sonha com a conquista do ser. É a viagem de Ulisses para o Mesmo, uma viagem que simboliza a hegemonia da política sobre a moral, da liberdade sobre a justiça, da totalidade sobre o infinito, da morte sobre a esperança, da angústia sobre a escatologia. Lévinas opõe ao mito de Ulisses a história de Abraão, que abandona para sempre seu lar por uma terra ainda desconhecida. Abraão é a abertura total, a exterioridade absoluta, 'movimento do Mesmo para o Outro que jamais retorna ao Mesmo'”, escreve Rafael Narbona, escritor e crítico literário, em artigo publicado por El Cultural, 11-08-2020. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Desde Descartes, a história da filosofia ocidental foi uma viagem à solidão radical. Quando Heidegger proclama que o homem é o “pastor do ser”, relega a preocupação pelo outro a um segundo termo. Se o papel do ser humano se reduz a ser o testemunho ontológico da verdade, a ética fica rebaixada a saber complementar, não essencial. Dito de outro modo, o outro desaparece ou se torna irrelevante. Emmanuel Lévinas combateu a ontologia fundamental de Heidegger, atribuindo à ética o papel de filosofia primeira. O homem não é o pastor do ser, mas o guardião de seu irmão. Nossa responsabilidade é infinita e nos torna “refém do outro”.

Não se trata de uma servidão, mas da relação que nos permite transcender o eu e compreender nossa proximidade com o infinito. A responsabilidade não é algo aprendido, uma conversão social, mas algo que nos antecede e que imprime sua pegada em nossa consciência. Cuidar do outro não é uma exigência da razão, mas uma demanda que nos convoca, provocando um trauma que nos liberta das ataduras de um eu ensimesmado.

Lévinas utiliza o nome de “anarquia” para se referir a isso que nos antecede ou excede e que atua como sinônimo do indizível. Não se refere a uma ideologia política, mas ao que não tem princípio, fundamento, origem. O anárquico nos incita a exercer nossa liberdade, escolhendo entre cobrir a nudez do outro ou a ignorar. Esse acontecimento é a situação original do ser humano. Não é um ponto de partida, mas a atribuição, um chamado.

Lévinas fala de Deus, mas rompendo com a tradição metafísica que o apresenta como um ente que se pode conhecer e adorar. Nesse sentido, coincide com Jacques Derrida, para quem “é necessário pensar a pegada, antes que o ente”. Há algo para além do que se dá, do que está à vista: “Só um ser que transcende o mundo pode deixar uma pegada”. Lévinas fala de uma “transcendência irreversível” que nos impede de se silenciar diante de um rosto ferido. Uma transcendência que se manifesta de forma indireta, conservando sua condição de enigma. A pegada nos impele a buscar um sentido, mas sem cair no antagonismo entre o transcendente e o imanente.

O enigma “é uma terceira pessoa que não se define pelo Si-mesmo”. Essa terceira pessoa é o que Lévinas chama de Deus ou “Illeidade”. Deus não é presença, mas exposição, abertura. É incognoscível, pois não podemos o reconhecer, fazê-lo presente, mas é o que nos estimula para o Bem. O tempo não é uma queda, mas uma subida para o Infinito. “Longo de significar a corruptibilidade do ser – escreve Lévinas -, o tempo significa a ascensão para Deus, o desinteresse, o passo além do ser, a saída do é”.

A pegada de Deus é “um desejo que não se identifica com a necessidade. Um desejo sem fome e sem fim”. Lévinas se rebela contra a onto-teo-logia, que reduz Deus à ordem dos seres: “A palavra Deus é única, porque é a única palavra que não extingue ou não afoga ou não absorve seu Dizer. Não é mais que uma palavra, mas revoluciona a semântica. A glória se encerra em uma palavra, se faz ser, mas ao mesmo tempo destrói essa morada”.

A “situação original” do homem é a inquietude pelo outro, que se revela como próximo, como fragilidade que pede a nossa atenção. A ferida que nos produz o espetáculo da dor alheia é a pegada de um enigma situado para além do ser. É o que Lévinas chama de “fundo de humanidade” e que se concretiza na história como fraternidade universal. Não é um sentimento, mas algo que vem antes do Eu, mas que remete a um além. É uma vivência interior, mas sua raiz última excede a totalidade do ser. É o que os gregos chamaram Bem em si. Não descobrimos o Bem: “O Bem não se oferece à vontade, me escolheu antes de que eu o escolhesse”.

Acolher o chamado do Bem significa se comprometer com a heteronomia, refutando a possibilidade de um eu que legisla autonomamente, sem reconhecer nenhum mandato externo. O Bem está além do ser, como destacou Platão, não porque se esconda ou se mostre avesso a verificações, mas porque sempre é o que está a ser feito, o que está por vir. Quando irrompe na história, o Bem se revela como uma tarefa infinita. É a utopia da fraternidade universal, sempre incompleta, sempre necessária. Por isso, a ética é a filosofia primeira, pois o chamado do outro precede a razão e é o que introduz um sentido na existência humana.

“Chamamos de ética – escreve Lévinas – uma relação entre dois termos em que um e outro [...] estão unidos por uma intriga que o saber não poderia revelar, nem discernir”. Decifrar esta intriga é a tarefa da filosofia. Lévinas não pretende construir uma ética, mas encontrar seu sentido. “Não acredito que toda a filosofia deva ser programática”, avalia. Sua intenção é que a filosofia desloque sua atenção do Ser ao Outro. O homem não é um ser-para-a-morte, mas um ser-para-o-outro. O Outro não é o termo de uma busca. Não é o fim de um itinerário que conduz à felicidade, mas uma brecha infinita que nos impede de permanecer impassíveis diante da miséria alheia.

A palavra ética não pretende assimilar e submeter a alteridade, mas a acolher, compreendê-la e a deixar existir, assumindo o seu cuidado. O pensamento totalitário é a negação do outro. Seu objetivo é erradicar a diferença. O outro não mais como tarefa, mas como variável de uma equação, onde só conta a hegemonia do eu. Auschwitz, o Gulag, Hiroshima, são frutos desta concepção do humano.

A filosofia de Lévinas descansa sobre um substrato biográfico que suporta as grandes tragédias do século XX: desterro, exílio, extermínio. Emmanuel Lévinas nasce em 1906 no seio de uma família judia fixada em Kovno, uma cidade lituana situada às margens do Niemen. Seu pai possui uma livraria. Na família se respira o amor à cultura. Lévinas começa a ler muito cedo os clássicos russos, estuda hebraico e se familiariza com a Bíblia, onde detectará essas coisas “que tinham que ser ditas para que a vida humana tenha um sentido”. Não demorará a se submergir em Platão e Kant. A descoberta de Shakespeare o deixará arrebatado. Anos mais tarde, escreverá: “Às vezes, parece que toda a filosofia não é senão uma meditação de sua obra”.

Em 1914, a família se muda para Carcóvia, Ucrânia, fugindo da Primeira Guerra Mundial. Ali, o pequeno Emmanuel presenciará a revolução bolchevique, que lhe causará uma profunda impressão. Filho de uma família burguesa, sempre recordará o terror revolucionário como simples barbárie. Após breve passagem pela Ucrânia, se estabelece em Estrasburgo, começando seus estudos filosóficos. Conhece Maurice Blanchot, com quem inicia uma amizade que durará por toda a sua vida, e entra em contato com a fenomenologia.

Fascinado pela obra de Husserl, vai à Freiburg para escutar suas lições. A fenomenologia o conduz até Heidegger. Presencia a famosa polêmica em Davos entre Ernst Cassirer e o autor de “Ser e tempo”. Subjugado pelo gênio de Heidegger, seu entusiasmo se esfriará quando o filósofo alemão manifesta publicamente seu apoio ao nazismo. Anos depois, escreverá: “Pode-se perdoar muitos alemães, mas há alemães difíceis de perdoar. É difícil perdoar Heidegger”.

Em 1931, Lévinas publica seu primeiro livro Teoria da intuição na fenomenologia de Husserl. Instala-se em Paris, onde participa dos cursos de Brunschwig e Kòjeve. Estabelece amizade com Gabriel Marcel e colabora com a revista Esprit, fundada por Emmanuel Mounier. Em 1935, publica um artigo intitulado Da evasão, no qual alerta que as filosofias centradas na compreensão do Ser abrem caminho para o pensamento totalitário, por seu desdém ao humano.

Nacionalizado francês, em 1939, Lévinas é mobilizado e serve no Exército como intérprete de russo e alemão. Cai prisioneiro em Rennes e passa toda a guerra em um campo de concentração de Hannover. Durante a ocupação nazista da Lituânia, sua família é exterminada pelos nazistas. Na França, Blanchot esconde a mulher e a filha de Lévinas, salvando-as das capturas organizadas pelo governo de Vichy para deportar os judeus.

A experiência da Shoah acentua a consciência judaica de Lévinas. A leitura de Franz Rosenzweig o ajuda a iluminar seu pensamento. No plano político, Lévinas se converterá em firme defensor do Estado de Israel, mas se absterá de opinar sobre temas da atualidade, como o Maio de 68 e a guerra do Vietnã. No entanto, protestará contra a morte do homem anunciada pelo estruturalismo, uma ideia – em sua avaliação – tão nefasta como a morte de Deus de Nietzsche. Atribuirá o êxito destas teorias ao “fastio parisiense” e o triunfo do academicismo sobre a aventura de pensar.

Lévinas morre em Paris, em 1995. Deixa como legado algumas obras essenciais, que já gozam do reconhecimento reservado aos clássicos: De Deus que vem à ideia”, Da existência ao existente, Totalidade e infinito: ensaio sobre a exterioridade, A realidade e sua sombra: liberdade e mandato, transcendência e altura, Deus, a morte e o tempo.

Após meditar sobre a dor causada pela Segunda Guerra Mundial, Lévinas afirma que o homem não é um-ser-para-a-morte, mas um ser-contra-a-morte. Nosso destino é nos rebelar contra a finitude e buscar um além. Não se refere a um hipotético paraíso, mas a um além do ser. A filosofia ocidental é uma síntese da herança grega, que busca a verdade, e da tradição judaica que ordena amar ao próximo. Devemos examinar criticamente esse legado para poder escapar do ser de Parmênides, que não deixa espaço para o Outro. Ser homem só adquire sentido no calor do encontro ético.

Não se deve permitir que a densidade dos princípios apague ou embarace os rostos de nossos semelhantes. Lévinas se mostra cético com as ideologias políticas: “Não existe nenhuma solução para o drama humano por meio de uma mudança de regime. Não há um sistema que salve. A única coisa que resta é a bondade individual de um homem para com outro homem. [...] Ética sem sistema ético”.

Para evitar a desumanidade, só resta escutar a voz do outro. Olhar o rosto humano e reparar em sua fragilidade. É a única prova que pode medir o valor de uma filosofia. É preciso sempre remar para a outra margem, almejando o encontro com a Diferença. Lévinas reivindica o capital filosófico das religiões. Suas respostas não são tão interessantes como suas perguntas: o que é o homem? O que é o Bem? O que podemos chamar de Deus? Na Bíblia, há um sentido humano e um sentido cósmico, mas ainda não foi totalmente esclarecido. De fato, nunca será, pois a religião é uma tarefa interminável. A má consciência faz parte desse itinerário, pois permite retificar, sem renunciar às descobertas do passado. Não é um caminho que possa se fazer só. O Reino do Espírito é o Reino do Nós.

Quando sinto que um homem insiste comigo a não lhe deixar só, descubro – segundo Lévinas – que Deus falou. Deus não é o Ente que existe por Si mesmo, mas o que atua com justiça, tal como ensina o Talmude. A glória de Deus é que o rosto mande, que o chamado do outro nunca fique sem resposta, que a pele desperte o eu, catapultando-o para além de si mesmo. A transcendência é o absolutamente Outro em mim. A pegada do “Infinito em mim” é a marca da responsabilidade sem fim em relação ao outro. O Infinito se prende no Eu como um ladrão, ordenando-lhe amar ao próximo. É uma ordem que surge de não se sabe onde, mas que revela a transcendência da ética. É assim como Deus “vem à ideia”.

A responsabilidade para com o outro não é fruto da aprendizagem social. Também não é um produto da evolução de nossa espécie. Não é uma convenção ou um acordo, mas um mandato inescapável que nos coloca de cabeça para baixo. A responsabilidade rompe o teto de nossa subjetividade, revelando que o outro não é um intruso, mas um rosto que exibe sua vulnerabilidade, pedindo que não o matemos. “Eu me aproximo do Infinito na medida em que esqueço de mim mesmo em favor de meu próximo que me olha”, escreve Lévinas. “Aproximo-me do Infinito, sacrificando-me. O sacrifício é a norma e o critério da aproximação. E a verdade da transcendência consiste em colocar em concordância as palavras e os fatos”.

O sentimento de obrigação é um mandato universal, não algo referente apenas aos mais próximos: “O outro é subitamente o irmão de todos os outros homens. O próximo que me assombra já é rosto, comparável e incomparável ao mesmo tempo, rosto único e em relação aos outros rostos, precisamente visível na preocupação com a justiça”. Lévinas distingue entre o Dizer e o Dito. O Dizer é o momento da relação ética, o encontro radical com o outro. O Dito é o momento posterior, quando a responsabilidade com o próximo se transforma em discurso de igualdade, equidade e justiça. Esse discurso deve ser examinado e revisado sem trégua para preservar a radicalidade e altura do Dizer original.

Lévinas esclarece que a ética não é uma invenção da civilização ocidental. É um despertar que precede a qualquer construção cultural, um requerimento que desloca os interesses de nosso ego, exigindo-nos que nos façamos responsáveis pelo outro. Quando concedemos uma prioridade absoluta ao bem-estar alheio, quando o cuidado do outro se situa acima das demandas do eu, surge o que chamamos de santidade.

“Não digo que o homem é um santo – pondera Lévinas -, apenas digo que homem é aquele que compreendeu que a santidade é incontestável. Este é o começo da filosofia, é o racional, é o inteligível”. A santidade consiste em lançar sobre nossas costas o sofrimento do estrangeiro, da viúva e do órfão, aplacando sua fome e desamparo. O problema da ética não é o simples reconhecimento da alteridade, mas a obrigação de se colocar no lugar do outro.

Por isso, é invenção, imaginação, utopia e religião. Sem a ideia de Deus, esse amor sem eros resulta incompreensível, amor não concupiscente, que nos ordena priorizar o desinteresse sobre o desejo, o Tu sobre o Eu, sem exigir em troca reciprocidade. “Deus não é simplesmente o primeiro outro - escreve Lévinas -, mas é diferente dos outros, outro de outra maneira, outro com uma alteridade prévia à alteridade dos outros, à constrição ética ao próximo. Diferente, portanto, de qualquer próximo. E transcendente até a ausência, até sua possível confusão com o barulho do há”.

A filosofia de Lévinas resgata a filosofia ocidental de sua fatal deriva à solidão, destacando a urgência de retornar às suas origens gregas e bíblicas. No 75º aniversário de Hiroshima e Nagasaki, mostra-nos com nitidez as consequências de reduzir o outro a simples polo de uma relação de poder. Em O terceiro homem (Carol Reed, 1949), Harry Lime (Orson Welles) zomba dos escrúpulos de seu amigo Holly Martins (Joseph Cotten), que recrimina sua atividade como traficante de penicilina adulterada, o que causou a morte de pessoas inocentes, às vezes crianças. Em uma roda-gigante, Lime pede para que olhe para baixo. De cima, o ser humano só é um pontinho em movimento e se pará-lo traz grandes lucros econômicos, não se deve desperdiçar a oportunidade. Os governos não pensam em termos humanos. Por que os indivíduos devem pensar assim?

Lévinas pediria a Harry Lime que descesse da roda-gigante e olhasse para o rosto desses pontinhos. Então, descobriria que o Outro é um rosto que nos interpela a partir de sua nudez, de sua miséria, de sua humildade, de sua altura. Provavelmente, Harry Lime balançaria os ombros e seguiria seu caminho.

Essa é a história do ocidente: uma crescente indiferença em relação ao Outro, ao Estrangeiro. Só isso explica que se fale de um Terceiro Mundo, como se a humanidade pudesse se dividir em grupos heterogêneos com direitos decrescentes. Heidegger pontificou contra o humanismo, pedindo que a civilização se colocasse a serviço do Ser. Considerou que o nazismo assumia essa tarefa. Já conhecemos as consequências desse experimento histórico. Lévinas restaurou o valor do humanismo, não pela ótica triunfante do Renascimento, mas na perspectiva bíblica, que exige a Caim ser o guardião de seu irmão. A morte de Abel simboliza o fracasso do homem, mas saber que constituiu um pecado abriu um horizonte novo, onde se assume que a forma mais alta de liberdade consiste em ser refém do outro.

A filosofia ocidental é filosofia do mesmo, filosofia da apropriação e o poder, filosofia centrada no ego, que sonha com a conquista do ser. É a viagem de Ulisses para o Mesmo, uma viagem que simboliza a hegemonia da política sobre a moral, da liberdade sobre a justiça, da totalidade sobre o infinito, da morte sobre a esperança, da angústia sobre a escatologia. Lévinas opõe ao mito de Ulisses a história de Abraão, que abandona para sempre seu lar por uma terra ainda desconhecida. Abraão é a abertura total, a exterioridade absoluta, “movimento do Mesmo para o Outro que jamais retorna ao Mesmo”. Ulisses volta à Ítaca, fecha o círculo com o retorno ao conhecido. Abraão viaja para o incerto, movido por uma promessa. Seu destino é um lugar nunca pisado, um lugar sem lugar, uma utopia.

A filosofia ocidental só superará seu delírio fáustico de poder, que em último termo é um canto da morte, quando transitar da existência ao existente, do ser ao homem, do terrenal ao utópico, do sonho dogmático à vigília permanente da fraternidade.

 

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