“A Conferência Eclesial da Amazônia deveria ser expressão da sinodalidade da Igreja na região”, afirma o cardeal Hummes

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02 Julho 2020

Uma novidade nascida da orientação do próprio Papa, assim poderiam ser interpretadas as palavras do cardeal Cláudio Hummes, seu novo presidente, para definir a Conferência Eclesial da Amazônia. Estamos diante da concretização daquilo que foi vivenciado no final da Assembleia Sinodal, quando “o Papa Francisco ao apresentar oficialmente à Igreja universal o Documento Final do Sínodo para a Amazônia, estimulou a todos para que se empenhassem para pô-lo em prática”.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Na assembleia virtual que ocorreu os dias 26 e 29 de junho, deu-se um passo a mais para pôr em prática o que se lê no Documento Final do Sínodo, “que o Sínodo aprovou que fosse criado um organismo episcopal específico para animar e coordenar no território pan-amazônico a aplicação do Sínodo”. Como afirma o cardeal Hummes, em vídeo difundido neste 1º de julho, “essa assembleia reuniu bispos do território amazônico, indicados pelas conferências episcopais que tem região amazônica, junto com diversos outros membros representantes dos povos indígenas, da CLAR, das Caritas e da Curia Romana. Portanto, bispos, religiosas, sacerdotes e leigos”.

Nas palavras do cardeal brasileiro, aparece claramente que o desejo do Papa Francisco é que essa Conferencia Eclesial da Amazônia, “ela deveria ser expressão da sinodalidade da Igreja na região”, algo que, em palavras de Dom Cláudio, deu para perceber na Assembleia Sinodal do Sínodo para a Amazônia, “em que havia bispos com voto, e muitos outros leigos, indígenas, sacerdotes”, o que segundo ele, quer fazer realidade “uma Igreja que escuta as comunidades e com ela procura caminhos de evangelização encarnada e inculturada”.

Cardeal Cláudio Hummes. (Foto: Luis Miguel Modino)

Poderíamos dizer que a Amazônia está se tornando um banco de provas para a Igreja universal, algo que o Papa Francisco tinha apontado em 2013, no encontro com os bispos brasileiros com motivo da Jornada Mundial da Juventude. De fato, isso é algo que se percebe na dinâmica do processo sinodal do Sínodo para a Amazônia, que teve como primeiro passo um longo tempo de escuta, que foi decisivo para poder conhecer a realidade local e ir vislumbrando os novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral.

O próximo passo a ser dado, segundo o cardeal Hummes, é levar ao Papa o estatuto da nova conferência. Essa missão foi encomendada ao presidente do CELAM, Dom Miguel Cabrejos, e tem como finalidade que o Papa “reconheça e erija canonicamente esta conferência”. Estamos diante de “mais um passo decisivo da Igreja na Amazônia, que quer responder ao grito dos povos do território e da terra, nossa casa comum, que está sendo devastada e destruída”. Essa denúncia cobra especial importância vindo da boca de alguém que é considerado como um dos cardeais mais próximos ao Papa Francisco. Ela quer atender, “muito especialmente aos gritos dos povos indígenas e quilombolas, bem como a toda a população da Pan-Amazônia, em especial os povos das periferias urbanas, os indígenas abandonados das periferias das cidades, os ribeirinhos e outros”, algo sempre presente, mas acentuado especialmente neste tempo de pandemia do COVID-19.

A aliança da Igreja na Pan-Amazônia com os povos indígenas, algo que “eles mesmos pediram”, aparece mais uma vez como uma opção clara nas palavras de Dom Cláudio. Ele enfatiza a necessidade de ”ser presente junto a todos os pobres, fisicamente próxima no cotidiano da vida, e lutar com todos esses pobres pela vida deles e pela casa comum”. Isso vai se tornar realidade, segundo o presidente da Conferência Eclesial da Amazônia, “promovendo uma educação encarnada, inculturada, defendendo os direitos fundamentais, humanos e coletivos, em toda a região, entre os quais o direito dos povos originários de serem sujeitos, protagonistas de sua própria história”.

Apresentação do cardeal Cláudio Hummes da Conferência Eclesial da Amazônia

O Papa Francisco, ao apresentar oficialmente à Igreja universal o Documento Final do Sínodo para a Amazônia, estimulou a todos para que se empenhassem para pô-lo em prática. Ora, nesse documento se lê que o Sínodo aprovou que fosse criado um organismo episcopal específico para animar e coordenar no território pan-amazônico a aplicação do Sínodo. Foi isso que ocorreu agora, dias 26 e 29 de junho, por meio da realização de uma assembleia virtual por canais digitais. Essa assembleia reuniu bispos do território amazônico, indicados pelas conferências episcopais que tem região amazônica, junto com diversos outros membros representantes dos povos indígenas, da CLAR, das Caritas e da Curia Romana. Por tanto, bispos, religiosas, sacerdotes e leigos.

Esta assembleia virtual aprovou um projeto de constituição de uma conferência para a região, mas por orientação do próprio Papa, não seria uma conferência episcopal, como tantas outras, mas o que ele chamou de Conferencia Eclesial da Amazônia. Isso, porque ela deveria ser expressão da sinodalidade da Igreja na região. Assim como no Sínodo para a Amazônia, em que havia bispos com voto, e muitos outros leigos, indígenas, sacerdotes, com voz, ou seja, uma Igreja que escuta as comunidades e com ela procura caminhos de evangelização encarnada e inculturada.

Aprovou-se também um estatuto para esta novidade, que é uma conferência eclesial. Elegeu-se também uma presidência desse organismo e um comitê executivo, e tudo isso, o presidente do CELAM levará agora ao Papa, para que ele, o Papa, reconheça e erija canonicamente esta conferência. Este é mais um passo decisivo da Igreja na Amazônia, que quer responder ao grito dos povos do território e da terra, nossa casa comum, que está sendo devastada e destruída. Atende muito especialmente aos gritos dos povos indígenas e quilombolas, bem como a toda a população da Pan-Amazônia, em especial os povos das periferias urbanas, os indígenas abandonados das periferias das cidades, os ribeirinhos e outros.

A Igreja na Pan-Amazônia quer ser aliada dos indígenas, como eles mesmos pediram, e ser presente junto a todos os pobres, fisicamente próxima no cotidiano da vida, e lutar com todos esses pobres pela vida deles e pela casa comum, promovendo uma educação encarnada, inculturada, defendendo os direitos fundamentais, humanos e coletivos, em toda a região, entre os quais o direito dos povos originários de serem sujeitos, protagonistas de sua própria história.

 

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