Para manifestantes indígenas, defender o meio ambiente pode ser fatal

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24 Junho 2020

"Os ativistas ambientais especificamente, em particular os ativistas indígenas e os ativistas de cor, há anos enfrentam altos índices de criminalizaçãoviolência física e assassinato como decorrência da luta pela proteção do planeta", escreve Rachel Ramirez, ativista na área da justiça ambiental que publica regularmente no sítio Grist, em artigo publicado por Grist e reproduzido por National Catholic Reporter, 23-06-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Adán Vez Lira, importante defensor de uma reserva ecológica no México, foi morto a tiros em sua moto em abril passado. Quatro anos antes, a renomada ativista Berta Cáceres foi morta a tiros em sua casa, em Honduras, por assassinos a mando de executivos responsáveis por uma represa à qual ela se opunha. Quatro anos antes disso, o ativista ambiental cambojano Chut Wutty foi morto durante uma briga com a polícia militar local enquanto investigava a extração ilegal de madeira.

Estes são alguns dos exemplos da violência enfrentados por ativistas ambientais nos últimos anos, mas, segundo um novo relatório, casos assim são mais comuns do que se imagina. À medida que a polícia reprime os protestos que pedem por justiça e igualdade na esteira do assassinato policial de George Floyd nos EUA, fica claro que o ativismo, via de regra, exige um preço muito alto a ser pago.

Os ativistas ambientais especificamente, em particular os ativistas indígenas e os ativistas de cor, há anos enfrentam altos índices de criminalização, violência física e assassinato como decorrência da luta pela proteção do planeta. É o que se vê na análise feita por pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona, em relatório lançado no início deste mês.

Os pesquisadores analisaram cerca de 2.800 conflitos sociais relacionados ao meio ambiente usando o banco de dados Atlas da Justiça Ambiental (EJAtlas)[1], criado em 2011 para monitorar conflitos ambientais ao redor do mundo. Publicado na revista Global Environmental Change, o estudo descobriu que 20% dos defensores ambientais enfrentaram acusações criminais ou foram presos; 18% foram vítimas de violência física, e 13% foram mortos entre 2011 e 2019. A probabilidade dessas consequências aumenta significativamente para os defensores ambientais indígenas: 27% enfrentaram criminalização, 25% foram vítimas de violência física, e 19% foram assassinados.

“Podemos pensar essa questão como uma injustiça agravada, que destaca os riscos extremos que as comunidades vulneráveis contrárias à violência social e ambiental cometida contra elas enfrentam ao defenderem os seus direitos”, diz à Grist Leah Temper, uma das pesquisadoras do estudo.

Defensores ambientais, conforme a definição dada pelos autores do estudo, são indivíduos ou coletivos que se mobilizam e protestam contra práticas insustentáveis ou prejudicais ao meio ambiente. Exemplos do tipo de conflito considerado pelo estudo são a construção de oleodutos em terras tribais, a mineração ilegal na floresta amazônica, a extração de petróleo no Ártico e a construção de refinarias de combustíveis fósseis.

A análise baseia-se no relatório do ano passado feito pela agência ambiental e de direitos humanos Global Witness, que descobriu que, só em 2018, pelo menos 164 ativistas ambientais foram mortos. Filipinas foi considerado o país mais mortífero do mundo em se tratando de defensores ambientais, os quais foram considerados terroristas pelo presidente Rodrigo Duterte.

De fato, pouco depois desses dados serem reunidos, Brandon Lee, de 37 anos, ativista ambiental americano que estava nas Filipinas em uma missão voluntária, foi baleado quatro vezes na província de Ifugao por agressores desconhecidos após o grupo com o qual trabalhava, o Movimento Camponês de Ifugao (grupo de agricultores opositores a um projeto que prevê a construção de uma hidrelétrica na região), ter sido chamado de “inimigo do Estado” nas redes sociais, numa campanha promovida por propagandistas. Em abril, Lee ainda se recuperava em sua cidade natal, San Francisco, nos EUA, mas permanece paralisado do peito para baixo.

Arnim Scheidel, principal autor do estudo, espera que a análise recém-publicada dê, aos legisladores e ao público, uma melhor compreensão das causas da violência que os manifestantes ainda enfrentam mundo afora.

“Em nível mundial, os povos indígenas sofrem índices significativamente mais elevados de violência em conflitos ambientais”, disse Scheidel. “Ter ciência dessas conexões pode ajudar a conectar as lutas contra as várias formas de racismo ao redor do mundo. Os protestos são fundamentais para o sucesso dessas lutas, principalmente quando se usam diversos canais e se constroem grandes alianças”.

 

Nota:

[1] Endereço disponível aqui.

 

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