Schönborn questiona nomeações episcopais de João Paulo II

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19 Mai 2020

Muito embora o São João Paulo II tenha sido um “papa verdadeiramente grande”, o Cardeal Christoph Schönborn disse que as nomeações episcopais feitas por ele, pontífice, foram decisões pessoais e que, em alguns casos, acabaram dando erradas.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por The Tablet, 18-05-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em entrevista para o centenário de nascimento de João Paulo II ao jornal vienense Der Sonntag, Schönborn afirmou que muitas vezes João Paulo II decidiu abandonar o procedimento usual, a saber, o de nomear um dos três nomes trazidos na terna apresentada a ele pelo núncio do país em questão, e nomeava alguém de sua escolha própria.

Isso era algo que ele fazia com frequência e, evidentemente, era um direito seu. Ele decidia verticalmente, por assim dizer, e isso por vezes levou a nomeações episcopais muito suscetíveis a erros, mas também a acertos. Podemos lembrar do grande cardeal jesuíta Carlo Maria Martini, a quem João Paulo II nomeou arcebispo de Milão e que certamente veio a se tornar um dos bispos europeus verdadeiramente grandes. Ele era uma das nomeações diretas de São João Paulo II.

E o mesmo aconteceu em Paris, lembrou Schönborn. O cardeal judeu Jean Marie Lustiger foi “muito claramente” uma das nomeações pessoais de João Paulo II. “Lustiger não fazia parte do establishment ou ao ‘apparat. Foi uma decisão carismática tomada pelo próprio papa”.

O mesmo aconteceu com o antecessor de Schönborn, o Cardeal Hans Hermann Groer. João Paulo II havia prometido ao Cardeal Franz König, arcebispo de Viena entre 1965 e 1985 e que desempenhou um papel importante na eleição de João Paulo II, de que ele consultaria König quando fosse preciso nomear ao seu sucessor. No último instante, ele escolheu pessoalmente Hans Hermann Groer, OSB

Mais tarde, Groer foi considerado culpado de abusar um menor de idade. “Uma escolha infeliz, como foram várias outras nomeações episcopais de João Paulo II na segunda metade da década de 1980. Não há dúvida de que João Paulo II tinha suas fraquezas. Mas quem não tem? Estas suas fraquezas fizeram parte de uma personalidade grandiosa”, concluiu Schönborn.

 

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