“Os padres casados aproximarão a Igreja a todos”. Entrevista com Christoph Schönborn

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29 Outubro 2019

A Igreja não pode estar apenas "em visita", com um padre que visita com meses de intervalo. Deve ter uma "presença fixa". Estar "perto das pessoas". Dessa exigência das "áreas remotas da Amazônia" nasceu o pedido dos bispos para ordenar sacerdotes os diáconos com família. Mas a abertura a padres casados é "apenas um dos resultados do Sínodo". Os "passos em frente" sobre o "papel das mulheres" não devem ser desconsiderados. E seria um erro irrecuperável ignorar o objetivo principal da Assembleia: lançar um grito de alarme ao mundo, porque a devastação da região pan-amazônica coloca em perigo todo o planeta. E, portanto, a humanidade. E este é um tema cristão, não apenas ambientalista. Palavra do cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, teólogo dominicano, considerado um dos cardeais mais influentes e com autoridade do colégio cardinalício.

A entrevista é de Domenico Agasso Jr, publicada por La Stampa, 28-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Eminência, como se desenrolou o Sínodo?

O clima foi sereno e fraterno. Ouvimos uns aos outros, compartilhando as experiências e as preocupações. Foi um dos melhores que já experienciei, pela atmosfera e eficácia.

Quais eram os objetivos gerais?

Primeiro, a questão ecológica, com a dramática situação da Amazônia, que para o clima mundial tem uma importância crucial.

Até que ponto devemos nos preocupar?

Um grande especialista alemão em clima, o professor Schellnhuber, descreveu a emergência assim: a morte da floresta amazônica é a morte do mundo. É isso, é esta emergência que levou ao Sínodo, porque o Papa e os padres sinodais queriam lançar um grito de alarme ao mundo.

As emergências são limitadas ao aspecto ambiental?

Não. Os participantes do Sínodo fizeram ouvir a voz dos indígenas, uma das populações mais pobres e mais exploradas do planeta.

Qual é a importância da abertura para a ordenação sacerdotal de diáconos casados?

Antes de tudo, é preciso esclarecer: a pastoral na Amazônia era uma das tarefas do Sínodo, e a falta de sacerdotes era um elemento entre muitos outros; não devemos falar apenas de padres casados. Por exemplo, o papel perigoso das seitas deve ser abordado. Depois, a expansão das igrejas pentecostais, que exercem tal influência que se estima que mais de 50% dos fiéis já passaram para as correntes evangélicas. As reflexões sobre os diáconos partiram do levantamento de uma necessidade: a pastoral católica não deveria mais ser apenas ‘de visita’, mas de presença.

Poderia explicar o que isso significa?

Às vezes são precisos meses, quando não anos, antes que um padre possa retornar - em visita - a uma comunidade para celebrar a missa. Em vez disso, o diácono, uma pessoa com família e trabalho, é um homem próximo, que tem uma presença fixa.

Poderia nos ajuda a esclarecer as várias etapas?

Na Igreja Católica, para ser presbítero (sacerdote, ndr), é preciso primeiro receber a ordenação diaconal. Há 50 anos temos a abertura estabelecida no Concílio Vaticano II de homens casados que podem receber o sacramento da ordem no quadro do diaconato. Eles se tornaram diáconos permanentes casados, que têm família, vida profissional e servem à Igreja. Muitas conferências episcopais já usaram essa possibilidade.

Qual por exemplo?

A nossa arquidiocese de Viena. Temos uma longa e proveitosa experiência de diáconos permanentes, a serviço nas paróquias.

Então, como poderá funcionar na Amazônia?

Em áreas remotas, onde há uma grave falta de padres, a comunidade poderá pedir ao bispo, que terá recebido a faculdade do Papa, de ordenar o diácono ali presente. Esse é o caminho que o Sínodo propôs e submeteu ao juízo do Pontífice.

Houve progresso nas temáticas relativas às mulheres na Igreja?

Sim, dois em particular. Pede-se a revisão do Motu proprio de Paulo VI Ministeria quaedam de 1972, que praticamente excluía as mulheres de qualquer ordenação. O pedido é que elas possam, ao contrário, ser ordenadas ao Leitorado e Acolitado.

O que isso significa na prática?

Em muitas dioceses, as mulheres praticam tais ministérios que pressupõem várias tarefas: em Viena, temos cerca de trinta que receberam do bispo a faculdade de presidir os funerais, outras orientam a liturgia da Palavra. O Sínodo pede que essa prática já existente se torne regular.

Qual é o outro resultado?

Em muitas comunidades amazônicas, as mulheres têm a responsabilidade de liderança. É proposto ao Papa que se dê maior destaque a esses ministérios já existentes de fato, reconhecendo oficialmente o papel de ‘mulher dirigente de comunidade’.

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