Uma “agenda digital” para a Igreja. Artigo de Luca Peyron

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06 Mai 2020

"É urgente uma reflexão de várias esferas, não apenas ligadas ao uso de tecnologias para a comunicação, como as mídias sociais, mas também em relação a outras tecnologias emergentes; acima de tudo, é urgente uma reflexão de tipo pastoral e uma adequação de nosso conhecimento com relação aos vícios e virtudes da tecnologia digital, para não fazer uso imprudente delas".

A opinião é de Luca Peyron, presbítero da Diocese de Turim, Itália, coordenador do Serviço para o Apostolado Digital, professor de Teologia da Universidade Católica de Milão e de Espiritualidade da Inovação na Universidade de Turim e autor de “Incarnazione digitale” [Encarnação digital] (Ed. Elledici, 2019), em artigo publicado por Vino Nuovo, 04-05-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Agenda digital é agora uma expressão usada em diferentes ambientes: existe uma agenda nacional, uma europeia, várias empresariais, da administração pública e assim por diante. A agenda digital é um documento programático no qual um ente decide de modo sequencial como adaptar sua ação ao mudado contexto social, político, econômico e, acima de tudo, tecnológico.

A pandemia destacou a urgência da implementação dessas "agendas", indicou as correções necessárias a serem feitas e revelou a necessidade essencial de algumas tecnologias e a necessidade simultânea, para a estabilidade democrática de um país, de que elas sejam o máximo possível proprietárias, públicas, acessíveis e generalizadas. A mesma pandemia destacou o que João XXIII disse no início da assembleia conciliar: "No presente momento histórico, a Providência está-nos levando para uma nova ordem de relações humanas, que, por obra dos homens e o mais das vezes para além do que eles esperam, se dirigem para o cumprimento de desígnios superiores e inesperados; e tudo, mesmo as adversidades humanas, dispõe para o bem maior da Igreja".

Não parece excessivo incomodar a história neste momento que é seriamente histórico. Na mudança de época relatada em várias ocasiões pelo Papa Francisco, insere-se o que vivemos e viveremos por muito tempo, o que pode ser chamado uma mudança de época. As tecnologias emergentes tiveram um papel fundamental nesse processo. A cultura digital que já determinava em grande parte nossa vida cotidiana tornou-se hegemônica por vários meses, ou melhor, hegemônicas se tornaram suas ferramentas que forçosamente veicularam posturas e atitudes até à nossa cotidianidade de vida e certamente de . O esforço de muitos para manter vivo o vínculo com o povo de Deus, o uso massivo da tecnologia digital para continuar sendo didática e vida pastoral, a implementação de ferramentas de inteligência artificial para a solução de graves problemas relacionados ao vírus e às muitos e vários pontos com os quais uma lista poderia ser enriquecida, mostram uma carência estrutural objetiva na estrutura eclesial.

As questões em jogo não são imediatamente doutrinárias - mesmo que em alguns casos tenham sido como, por exemplo, algumas modalidades litúrgicas - no entanto, abraçam totalmente a ação pastoral da Igreja. Sabemos bem que o que a Igreja faz revela quem ela é e como a pastoral é, portanto, é o ato revelador da natureza íntima da Igreja e de sua missão. Ao mesmo tempo, é bastante claro que a profecia da filosofia da comunicação hoje se torna realidade: o meio é a mensagem. Para nós, para quem a mensagem é fundamental e o mensageiro é o único mediador, a questão se coloca de maneira séria. Os Padres sinodais no Sínodo sobre os jovens entenderam isso quando escreveram: “O ambiente digital constitui, para a Igreja, um desafio a vários níveis, sendo imprescindível aprofundar o conhecimento das suas dinâmicas e o seu alcance dos pontos de vista antropológico e ético. O ambiente em questão requer não só que o frequentemos e promovamos as suas potencialidades de comunicação em ordem ao anúncio cristão, mas também que impregnemos de Evangelho as suas culturas e dinâmicas." (Documento Final do Sínodo dos Jovens, 145) e que “o Sínodo espera que se instituam na Igreja, aos níveis convenientes, apropriados departamentos ou organismos para a cultura e a evangelização digital, que promovam, com a contribuição imprescindível de jovens, a atividade e a reflexão eclesial neste ambiente" (n. 146).

É urgente uma reflexão de várias esferas, não apenas ligadas ao uso de tecnologias para a comunicação, como as mídias sociais, mas também em relação a outras tecnologias emergentes; acima de tudo, é urgente uma reflexão de tipo pastoral e uma adequação de nosso conhecimento com relação aos vícios e virtudes da tecnologia digital, para não fazer uso imprudente delas. A teologia deve entrar vigorosamente nesses temas, tanto para oferecer ao mundo um ponto de vista que possa lançar luz, quanto para oferecer à Igreja bases sólidas sobre as quais continuar e ir até os confins da terra, para encontrar o Ressuscitado na Galileia dos gentios! É urgente uma agenda eclesial digital que reúna as vozes individuais, as diferentes entidades que já colocam a palavra em um espírito e letra concretamente sinodais, sem barreiras de departamentos, competências ou âmbitos específicos.

 

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