“As Igrejas domésticas não podem existir sem a dinâmica da grande Igreja”

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04 Mai 2020

Especialista no Vaticano II explica as origens do conceito “Igreja doméstica” e por que ele é vital hoje.

A reportagem é de Claire Lesegretain, publicada em La Croix International, 01-05-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Mons. Philippe Bordeyne, reitor do Institut Catholique de Paris desde 2011, diz que as famílias cristãs têm muito a ensinar à Igreja institucional sobre questões relacionadas à fé.

Mas o teólogo moralista de 60 anos e especialista na hermenêutica teológica do Concílio Vaticano II, diz que as “Igrejas domésticas” não podem existir sem a instituição.

Bordeyne foi nomeado pelo papa para a assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a família em 2015. Ele conversou com o La Croix sobre as origens da “Igreja doméstica”, um conceito retomado por cada vez mais pessoas durante o confinamento do coronavírus.

Eis a entrevista.

Há quanto tempo falamos sobre a família como Igreja doméstica?

Devemos essa expressão a Dom Pietro Fiordelli, bispo de Prato, na Toscana, que consagrou o seu ministério ao movimento familiar cristão e que, sobre esse tema, influenciou o Concílio Vaticano II.

A Constituição Dogmática da Igreja Lumen gentium (1964), retomada pelo decreto sobre o apostolado dos leigos (1965), considera que a família resultante de um casamento cristão não é somente uma imagem da Igreja, mas também “como uma Igreja doméstica”. O Concílio manteve a expressão “domestica ecclesia”, mas Dom Fiordelli teria preferido a expressão “minuscula ecclesia” (“pequena Igreja”). Esta segunda expressão se baseia nos ensinamentos de São João Crisóstomo e Santo Agostinho. Dom Fiordelli foi ainda mais longe, pois considerava que os pais são os “bispos” dos seus filhos. Assim como os responsáveis pelas primeiras comunidades cristãs, eles são encarregados de supervisionar e de cuidar da fé e do crescimento dos seus filhos através de uma escuta atenta. 

Esse tema está sendo trabalhado na teologia hoje?

Nos Estados Unidos, vários teólogos católicos estão aprofundando esse tema, a fim de reafirmar que os pais são os primeiros transmissores e educadores da fé. E é bem isso que estamos vendo neste momento, quando a Igreja é impedida de se reunir para as celebrações e a catequese, mas quando as famílias continuam rezando e celebrando.

Mas a Igreja nunca pode se reduzir à família. Basta lembrar as palavras de Cristo, quando lhe dizem que sua mãe e seus irmãos o procuram (Mt 12,46). “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”, interroga ele. “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

Portanto, uma família cristã, mesmo que seja profundamente eclesial, ainda precisa da grande Igreja.

Exatamente. A grande Igreja certamente tem que aprender com o que está acontecendo com o destino da humanidade nas pequenas Igrejas que são as famílias. Reciprocamente, as famílias humanas têm muito a ganhar com as relações originais que nascem nas comunidades da Igreja.

Além disso, existem pessoas cujo grau de satisfação familiar varia muito, de modo que a Igreja-família-de-Deus é chamada a se deixar guiar por um princípio simples e exigente: que ninguém deve ser considerado ou julgado em função das realizações da sua família. É uma questão de fidelidade ao modo de ser de Cristo.

Nesse sentido, esse período de confinamento é ao mesmo tempo precioso e doloroso, pois as Igrejas domésticas, por mais criativas que sejam, não podem existir sem a dinâmica da grande Igreja. Vemos isso com todos aqueles catecúmenos que não puderam receber o batismo na Vigília da Páscoa. Eles nos lembram que é a Igreja que gera à fé.

Também não se deve esquecer que as famílias podem ser o lugar de relações complexas, até destrutivas e violentas. Desde o início do confinamento, a violência doméstica e conjugal aumentou significativamente em todos os países. O ódio e o amor às vezes são muito próximos. É disso que esses teólogos estadunidenses nos lembram quando falam da Igreja imperfeita à imagem das famílias imperfeitas. Mas é na imperfeição desses laços humanos que encontramos precisamente a santidade da vida comum.

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