O esmoleiro do papa que leva comida aos transexuais sem trabalho

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04 Mai 2020

"Nem mesmo a pandemia consegue parar o esmoleiro do papa. Na verdade, o bloqueio está exaltando sua generosidade e seu coração de leão”. “Ele é indômito e faz-tudo. E ele sempre sabe de que lado ficar: o dos mais fracos”. "Às vezes ele desafia os limites com gestos fortes, mas apenas para fins de altruísmo". Aqueles que o conhecem no Vaticano descrevem assim o cardeal polonês Konrad Krajewski, cabeça pensante e braço operacional da caridade do Pontífice, protagonista absoluto - "desenfreado" - da solidariedade concreta para com os últimos que na emergência do coronavírus se tornam ultimíssimos. Para todos sempre e apenas Dom Conrado, Krajewski é um cardeal que veste camisas sóbrias e circula dirigindo sua van branca, sempre cheia de alimentos para os pobres de Roma. Os pobres do Papa. Sem-teto, migrantes, pobres de antes e novos indigentes, vítimas da crise causada pelo vírus. Incluindo os transexuais que ficaram sem clientes. Quem pede ajuda ao Esmoleiro sabe que resposta e ajuda chegam. Mesmo em tempos difíceis.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por La Stampa, 01-05-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

No início de março, os relatos de sofrimento e morte na solidão se tornam pesadelos para todos. A quarentena em massa é implementada. Roma também está deserta, as pessoas estão barricadas em casa. “Mas quem não tem uma casa, como sobrevive? Não abandonamos os necessitados. Respeitando as regras, continuamos a levar comida para eles”. E o medo de ser infectado? Krajewski tem 56 anos, não é um garoto. "Usaremos a inteligência do evangelho", ele responde. "E Krajewski é muito esperto!", nos fala um bispo sorrindo.

Então, usando luvas e máscara, continua a expedição que sai do Vaticano e vai pelas ruas da capital para fornecer comida aos clochards. Problema: muitos voluntários laicos ficaram assustados e preferiram parar. "É normal, não é falta de coragem. Mas não somos poucos, há muitos outros novos”. São sobretudo “diáconos, freiras e padres”, talvez alguns meio que arrastados pelo colarinho. Chegam notícias de institutos de freiras em isolamento com dezenas de positivas. Nada de medo de se aproximar: Krajewski vai até lá levar conforto, levando para elas leite, iogurte e outros produtos das Vilas Pontifícias.

As semanas passam e o cardeal nascido em Lodz tem a sensação de que padres, bispos e cardeais não estão fazendo o suficiente. Solta sua reclamação na direção dos sagrados aposentos: “Não vamos esquecer os pobres! Acima de tudo, nós homens da Igreja. Nunca, como nas últimas semanas, ouvi pessoas sem-teto dizerem ‘estamos com fome’ e implorar por comida desesperadas. Precisamos ter mais coragem e ajudá-los, comportando-se como agentes de saúde: amando a vida do próximo como a nossa”. Como se Roma não fosse suficiente pare ele, Krajewski "passa" também para fora. Úmbria, Casa San Bernardino em Porano, onde 17 religiosas estão infectadas. O horizonte da Eminência Dom Conrado se torna a Itália. Ele leva dois ventiladores de pulmão doados pelo Papa. Vai para Nápoles e Castel Volturno.

Ainda não é suficiente, a Igreja pode fazer mais. Alguns dias antes da Semana Santa, ele senta diante do computador e escreve uma carta a todos os altos prelados que compõem a Capela pontifícia, a "corte papal". "Vamos doar nosso salário de abril para aqueles que sofrem!" Quase ninguém ousa lhe dizer que não. E assim a coleta "correu muito bem e continua, porque outros estão colaborando".

Enquanto isso, há um padre "dissidente" da província de Cremona a quem os carabineiros interromperam a missa. Ele está sob ataque midiático. Krajewski acaba sabendo disso, pega o telefone e liga para ele. “Para apoiá-lo: isso também é realizar caridade cristã. Dom Lino ficou surpreso, estava esperando uma reprimenda, não um abraço.” E então, a última surpresa: o socorro a uma comunidade de transexuais de Torvaianica, que, por causa de Covid, perderam seus clientes e não têm mais com que viver. Krajewski é assim: não pensa aos que estão bem, mas apenas naqueles que sofrem, quem quer que seja. “Este é o evangelho. Se não escutarmos o grito dos últimos, apenas o tornamos uma fábula”. Quem sabe o que ele aprontará hoje.

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