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09 Outubro 2019

"Mesmo perseguida, a Igreja, por força dos princípios evangélicos e pelo fato de ser teologicamente uma instituição com caráter divino e humano, não raro, intervém na história da humanidade em situações de risco e violência contra a vida, na defesa dos Direitos Humanos, base fundamental da dignidade de todo homem e de toda mulher, principalmente dos empobrecidos", escreve José Cristiano Bento dos Santos, padre da Arquidiocese de Londrina, filósofo e teólogo.

Eis o artigo.

Quando eu dou de comer aos pobres, me chamam de santo. Quando eu pergunto por que eles são pobres, me chamam de comunista!” - Dom Helder Câmara

A Igreja, quando fala em distribuição justa de bens econômicos, materiais, financeiros e também da garantia dos direitos sociais, conquistados a duras penas, ela é classificada, por alguns cristãos, juízes de um “tribunal religioso”, capazes de julgar e condenar seres humanos ao “fogo do inferno”, como comunistas, esquerdistas, petistas, marxistas, dentre outros, simplesmente por defender direitos iguais para todos. Para estes “algozes” da Igreja, direitos iguais e bem comum são o mesmo que comunismo.

Isso, sem a Igreja anunciar com radicalidade o comportamento do cristianismo primitivo: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas, as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um”. (At 4, 32-35). Todavia, isso revela a falta de conhecimento e indiferentismo, sobre os princípios da Instituição católica, que estão fundamentados na Doutrina Social da Igreja: “com o seu ensinamento social a Igreja entende anunciar e atualizar o Evangelho na complexa rede de relações sociais” […] “A doutrina social tem o seu fundamento essencial na Revelação bíblica e na Tradição da Igreja” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, números 62 e 74).

Há sempre aquela justificativa que “padre e bispo, os pastores do povo, têm que cuidar da alma das ovelhas”, como acompanhamos em Londrina, pois há inúmeros ataques injustos, violentos à postura evangélica da arquidiocese, e principalmente, ao seu pastor Dom Geremias, legítimo sucessor dos apóstolos, por oportunismo e falta de conhecimento da missão da Igreja no mundo, que é defender os mais pobres.

O pastor não se contenta, no entanto, somente com a contemplação da oração. Não é espiritualidade cristã a que se limita à adoração, ao louvor, à prece fervorosa. “De acordo com Gregório Magno, o pastor, seguindo o exemplo de Moisés e do próprio Jesus, transforma a contemplação em compaixão, isto é, em serviço, a partir do sofrimento, da dor, da dificuldade daquele que sofre – o pobre, o doente, o desempregado” (CNBB, 2008).

Além disso, o próprio Catecismo, compêndio da doutrina católica afirma: “A Igreja emite um juízo moral, em matéria econômica e social, quando o exigem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas. A Igreja se preocupa com aspectos temporais do bem comum em razão de sua ordenação ao Sumo Bem, nosso fim último. Procura inspirar as atitudes justas na relação com os bens terrenos e nas relações socioeconômicas” (Catecismo da Igreja Católica, nº 2420).

Portanto, mesmo perseguida, a Igreja, por força dos princípios evangélicos e pelo fato de ser teologicamente uma instituição com caráter divino e humano, não raro, intervém na história da humanidade em situações de risco e violência contra a vida, na defesa dos Direitos Humanos, base fundamental da dignidade de todo homem e de toda mulher, principalmente dos empobrecidos. Nesse sentido, alguns membros do laicato, do clero e do episcopado brasileiro, conscientes de seus ministérios pastorais, agem coerentemente com a missão da Igreja.

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