Padre Sosa: ataques contra o Papa Francisco buscam influenciar o próximo conclave

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19 Setembro 2019

“Os ataques contra o Papa Francisco na Igreja hoje” são “uma luta entre os que querem a Igreja sonhada pelo Concílio Vaticano II e os que não querem”, afirmou Arturo Sosa, superior geral dos jesuítas, à agência de notícias Foreign Press Association em Roma no dia 16 de setembro.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 16-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em entrevista em italiano, ele falou: “Sem dúvida, existe uma luta política acontecendo na Igreja hoje”. Mas, acrescentou, “estou convencido de que não é só um ataque contra esse papa. Francisco está convencido do que vem fazendo, desde que foi eleito papa. Ele não vai mudar”. E os seus críticos “sabem que ele não vai mudar”, disse o Pe. Sosa, concluindo: “Na realidade, estes ataques são uma maneira de influenciar a eleição do próximo papa”.

Sosa estava respondendo a perguntas sobre os ataques contra o Papa Francisco realizados por uma minoria de líderes católicos com o apoio de certos meios de comunicação.

Francisco não é um homem novo”, disse o Pe. Sosa, “e, por causa de sua idade, não terá o pontificado mais longo da história. Estas pessoas estão visando a sucessão porque sabem que leva muito tempo, mais de 50 anos, para realmente se implementar o Concílio Vaticano II”.

O superior jesuíta explicou que “nessa luta existe um elemento que o Papa Francisco sempre menciona, que é o clericalismo, aquele modo de entender o exercício de poder na Igreja”. Segundo ele, “Francisco está combatendo o clericalismo e esse exercício de poder” e, assim, “propõe uma Igreja sinodal”, que promove uma maior colegialidade e participação nas tomadas de decisão.

“O Papa Francisco é um filho do Concílio Vaticano II”, continuou Sosa em sua entrevista. Na verdade, disse, “como um filho responsável do Concílio Vaticano II, Francisco põe toda a sua energia e capacidade para encarná-lo e tornar realidade tudo o que este evento sonhou para a Igreja, e me parece que essa é a sua grande contribuição à Igreja”. Ele explicou acreditar que a Igreja demonstra uma “verdadeira reforma” na medida em que “mais se aproxima do projeto do Concílio Vaticano II”.

O religioso acrescentou que “assim como aconteceu nos últimos 50 anos”, também hoje “existem os que são mais favoráveis ao Concílio Vaticano II e os que são mais resistentes a ele”. Mas, comentou, “50 anos não é muito” em termos de implementar um concílio na Igreja.

Alguns têm atacado o documento de trabalho para o Sínodo sobre a Amazônia e alegado que há uma heresia em seu texto. O Pe. Sosa, primeiro latino-americano que é superior geral dos jesuítas, observou que as mesmas pessoas que atacaram os dois sínodos sobre a família e o sínodo sobre os jovens agora estão atacando o sínodo da Amazônia.

Ele discorda destas pessoas e diz acreditar que o processo sinodal introduzido pelo Papa Francisco “cria unidade”. Falou que testemunhou isto no sínodo sobre os jovens e que agora está vendo no processo de preparação para o sínodo sobre a região amazônica, onde enxerga uma “grande unidade dentro da REPAM” – Rede Eclesial Pan-amazônica, grupo de lideranças católicas responsável por organizar o sínodo deste ano.

Perguntado sobre a decisão do papa de tornar cardeais três jesuítas no consistório de 5 de outubro, Sosa respondeu que o Papa Francisco não consultou ninguém, nem mesmo os novos cardeais-designados, mas que as suas escolhas enviam mensagens. Disse que a nomeação do jesuíta Michael Czerny, pessoa com experiência em diferentes continentes, é uma forte “afirmação” de que os migrantes e refugiados são prioridade para este pontificado e para a Igreja hoje.

A decisão do papa de passar o barrete vermelho ao jesuíta Jean-Claude Hollerich, arcebispo de Luxemburgo, quem passou muitos anos no Japão até ser nomeado por Bento XVI, é um endosso da ideia de unidade europeia, segundo Sosa. Ele acrescentou que a decisão do papa de fazer cardeal o arcebispo lituânio Sigitas Tamkevičius reflete o seu reconhecimento da perseguição aos cristãos na atualidade. O arcebispo foi preso em 1983 e passou 10 anos nos campos de trabalho forçado na prisão de Perm e Mordovia.

Perguntado sobre o acordo assinado pela Santa Sé com a China sobre a nomeação de bispos, Sosa respondeu que o acordo é “muito importante” e dá uma “grande esperança” de reconciliação da Igreja na China. Não foi um acordo “improvisado”, disse, mas o resultado de um longo processo que começou nos primeiros anos do pontificado de João Paulo II, continuou com Bento XVI e finalizou sob o comando de Francisco.

Ele falou aos jornalistas que assim como Paulo II aprovou e confirmou a fórmula que Santo Inácio e seus dez companheiros haviam “discernido” para a Companhia de Jesus, também o Papa Francisco “confirmou” as quatro preferências apostólicas universais que os jesuítas discerniram ao longo de alguns anos como o caminho a seguir da Companhia de Jesus neste momento da história.

O Papa Francisco alguns anos atrás pediu às ordens religiosas em Roma que abrissem os seus lares aos migrantes e refugiados. Sosa confirmou que muitas residências jesuítas fizeram isso. Em Palermo e em Roma, os jesuítas acolheram 30 famílias e adicionaram uma nova instalação para migrantes e refugiados no Centro Astalli, trabalho social jesuíta. Na Cúria Jesuíta, abriram um dormitório para os que não tinham onde dormir. Outras ordens religiosas fizeram o mesmo.

O Pe. Sosa contou à imprensa que o eixo das vocações jesuítas mudou da Europa para a América Latina e a África, com um grande número também surgindo na Índia. Ele espera que os números diminuam de um total de aproximadamente 15 mil jesuítas atualmente para 10 mil em quinze anos, mas notou que a média de idade será bem mais jovem do que é hoje.

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