Salvini, católicos contra a “bênção” de Nossa Senhora ao decreto contra os migrantes. Spadaro: “Este é um tempo de resistência também religiosa”

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07 Agosto 2019

O diretor de La Civiltà Cattolica intervém no Twitter sobre as declarações do líder da Lega, que invoca Maria, ligando-o à aprovação da disposição. Bassetti (Cei): "Os símbolos religiosos são válidos apenas no contexto de uma fé vivida".

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 06-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Matteo Salvini celebra a aprovação do decreto Siocurezza bis (Segurança bis) invocando a bênção de Nossa Senhora. Mas o mundo católico revolta-se devido à combinação de símbolos religiosos com um procedimento, aliás, sempre contestado pelas hierarquias eclesiais.

No Twitter, o padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor da Civiltà Cattolica, escreve: "Este é um tempo de resistência humana civil e religiosa". E o presidente da CEI, Cardeal Gualtiero Bassetti, antes deste enésimo gesto de Salvini, das colunas do L'Osservatore Romano trovejou: "Os símbolos religiosos são válidos apenas no contexto de uma fé vivida, caso contrário, são estéril ostentação". Uma referência nem tão velada aos gestos anteriores do líder da Lega Nord: o rosário sacudido durante os comícios eleitorais, a invocação aos santos padroeiros da Europa e a confiança em Nossa Senhora que, dizia o vice-premiê, "nos levará à vitória". Cenas repetidas após a votação com o beijo no crucifixo e o rosário novamente.

Há aqueles nas mídias sociais que ironizam a invocação mariana postada pelo Ministro do Interior. Uma imagem de Nossa Senhora cercada por um rosário em forma de coração e a inscrição: "5 de agosto é o dia em que nasceu Maria Santíssima. Parabéns mãe. Proteja-nos." Tudo acompanhado de um breve comentário de Salvini: "Noite Serena, Amigos".

Mas no Twitter há aqueles que apontam que o aniversário de Nossa Senhora, como estabelecido no calendário da Igreja Católica, é no dia 8 de setembro e não no dia 5 de agosto quando se relembra o milagre de Nossa Senhora da neve ocorrida no IV século e a consagração da Basílica Papal de Santa Maria Maggiore, em Roma. Mas Salvini refere-se ao que afirmam os supostos videntes de Medjugorje aos quais Nossa Senhora em pessoa teria revelado como data de seu nascimento o dia 5 de agosto. "Aqueles que estiveram em Medjugorje sabem, - afirma o líder da Lega Nord - é o dia 5 de agosto, o aniversário da Virgem e estou contente que hoje ela esteja oferecendo um belo presente para a Itália". Aparições sobre as quais o Papa Francisco sempre foi muito cético, distanciando-se em várias oportunidades e limitando-se recentemente a permitir apenas peregrinações à Bósnia Herzegovina.

Precisamente em vista da aprovação do decreto Sicurezza bis, o cardeal Bassetti reiterou que "hoje, mais do que nunca, os católicos devem ter 'fé reta e esperança certa’, como dizia São Francisco, sem se alinhar atrás dos flautistas mágicos de plantão. Sempre houve falsos profetas e sempre existirão. Esta é a condição e o desafio do cristão de todos os tempos”.

Palavras repercutidas pelo jornal do CEI Avvenire, que coloca como manchete na primeira página "(In)segurança ao bis" e que não hesita em definir "combinações desconcertantes" as de Salvini entre a aprovação do decreto e as supostas aparições de Medjugorje.

Sobre o uso distorcido dos símbolos religiosos também havia sido nítida a posição tomada pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin: "Eu acredito que a política partidária divida, mas Deus é de todos. Invocar Deus para si mesmo é sempre muito perigoso". Palavras que foram imediatamente seguidas por aquela da Famiglia Cristiana que não hesitou em definir aquele de Salvini como um "soberanismo fetichista", "o enésimo exemplo de manipulação religiosa para justificar a violação sistemática na Itália dos direitos humanos".

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