Gualtiero Bassetti, novo presidente dos bispos italianos, um pastor "com cheiro de ovelha"

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25 Maio 2017

Comentando a sua nomeação como presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) pelo Papa Francisco, o cardeal Gualtiero Bassetti disse: “É realmente um sinal de que ele acredita na capacidade dos velhos de sonhar...”.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por L’HuffingtonPost.it, 24-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Aos bispos da Itália, o Papa Francisco havia pedido audácia e a capacidade de transformar a realidade em algo novo, porque Deus não se contenta com as coisas assim como estão, e Deus também não faz parte do partido do “sempre se fez assim”. E foi o que aconteceu com a Igreja italiana, da qual o papa é o primaz. Apesar de ter chegado ao trecho final da sua vida, como ele mesmo ressaltou em uma breve declaração, Bassetti guiará a CEI.

A prática bem tradicional de adiamentos burocráticos mais ou menos automáticos para uma missão que, às vezes, se transforma em uma verdadeira carreira, mesmo que eclesiástica, com o seu cursus honorum, tinha convencido muitos de que o “queridinho” de Francisco permaneceria “alvejado”, como se diz entre os militares, com indisfarçável satisfação, por inevitáveis limites de idade.

Mas o papa – para Bassetti – fez, em três anos, uma dupla inovação: nomeou-o cardeal, como arcebispo de Perugia que, há mais de 100 anos, não é sede de “barretes vermelhos”, e, há poucos meses, ao completar 75 anos (idade da renúncia), o papa não só o prorrogou, mas também fez isso por nada menos do que cinco anos, até os 80 anos completos.

Outro sinal de uma predileção (que é o modo de escolher do Evangelho) que fez eclodir imediatamente os boatos e até mesmo o descontentamento entre aqueles que temem uma CEI ultrabergogliana (depois da nomeação como secretário-geral de Dom Nunzio Galantino), porque um movimento tão claro de Francisco colocaria Bassetti logo na pole position para o cargo. Como aconteceu, de fato.

Portanto, é preciso se perguntar quem é esse prelado, a ponto de ser o destinatário da escolha do papa (ele também o quis como autor das meditações da Via Crucis de 2016, o Ano Jubilar da Misericórdia). É fácil de entender. Um homem manso, com “o cheiro das ovelhas” (nessa terça-feira, ele logo lembrou dos jovens da comunidade de Mondo X, do frei Eligio) e pronto para um caminho “sinodal” com os outros bispos italianos.

Herdeiro do catolicismo da Toscana, dos La Pira e dos Pe. Milani (em Barbiana, em 20 de junho, Bassetti vai acompanhar o papa na sua primeira aparição pública), poucos sabem que éle foi discípulo de um grande místico toscano do pós-Concílio. Uma figura carismática, um padre de Florença, Divo Barsotti (que foi diretor espiritual de Dossetti), do qual, no dia 16 de junho de 2016, o recém-eleito apresentou os escritos inéditos na Câmara dos Deputados da Itália. Por causa de tantas pessoas que tinham se inscrito, a presidência concedeu a Sala da Rainha, e, na casa da política italiana, entrou em cena um “estranho” evento de um debate sobre os escritos de um “homem do nosso tempo, entre mística e política” (com ele, estava o presidente da Comissão Moro, deputado do Partido Democrático, Giuseppe Fioroni, e Dom Lorenzo Leuzzi, reitor da Igreja de São Gregorio Nazianzieno, a capela do Parlamento).

Justamente a capacidade de dialogar também com as instituições civis era um dos perfis exigidos pelos bispos italianos para o seu novo chefe, em um momento delicado da vida do país e com a aproximação das novas eleições.

Bassetti, além disso, tem muito em comum com o seu antecessor, o cardeal Gioacchino Pecci (que se tornou o Papa Leão XIII), e que, antes, foi bispo de Perugia de 1846 a 1878, tendo entrado para a história como o “papa reformador e social” e o “papa dos trabalhadores”, que, ao escrever a encíclica Rerum novarum, formulou os fundamentos da Doutrina Social da Igreja.

Bassetti, de fato, é um pastor muito sensível às problemáticas sociais, em particular ao mundo do trabalho e aos pobres. Desde o seu breve mas intenso episcopado a serviço da Diocese de Massa Marittima-Piombino, o novo presidente da CEI estava perto das famílias dos mineiros e dos trabalhadores das siderúrgicas que lidavam com uma crise difícil. Proximidade com o mundo do trabalho também vivida quando era bispo da Diocese de Arezzo-Cortona-Sansepolcro. Ele não perdeu nenhuma oportunidade para fazer ouvir a voz da Igreja em diversas situações difíceis acentuadas pela contínua crise econômica.

Francis Rocca, do Wall Street Journal, escreveu em um tuíte: “Se o cardeal de Perugia não era um papável antes da sua eleição a chefe da Conferência Episcopal, agora ele é”. Seria o retorno de um italiano. Quem sabe.

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