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31 Maio 2017

A designação do Cardeal Bassetti para presidir a Conferência Episcopal Italiana tem sido considerada a prova daquele ponto de inversão "antipolítica" que há muito tempo deseja o Papa Francisco e que foi finalmente adotado pelo episcopado da Península.

O comentário é de Ernesto Galli della Loggia, intelectual italiano, professor de história no Instituto Italiano de Ciências Humanas de Florença (SUM), em artigo publicado por Corriere della Sera, 30-05-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Uma inversão, devemos acrescentar, julgada favoravelmente pela maioria da opinião pública, que também é esmagadoramente hostil à ideia de que a Igreja 'faça política'. De fato, na perspectiva que hoje parece prevalecer no mundo católico e fora dele, à Igreja deveriam ser confiadas principalmente duas missões. Ocupar-se principalmente daqueles que por vários motivos são vítimas de situações de descaso, privação e sofrimento - isto é, situações que exigem justamente a sua misericórdia e/ou a sua ajuda e conforto.

E em segundo lugar, deveria voltar a sua atenção para denunciar e lançar luz sobre os grandes males estruturais do mundo: da destruição da natureza à divisão injusta de recursos, do comércio de armas às grandes migrações humanas. A grande popularidade do papa Francisco é devida em grande parte à imagem que foi construída de seu pontificado como sendo precisamente orientado para estas duas direções. As quais, no entanto, parecem-me que deixam de alguma forma não resolvido o significativo problema do papel das Igrejas nacionais: um problema que tem um perfil bem específico na Europa.

Eu sei que a expressão Igrejas nacionais - típica das Igrejas reformadas luteranas - é doutrinariamente não aplicável para o universalismo das Igrejas católicas apesar de operarem em diferentes Estados. Mas também é verdade que, especialmente na Europa, as Igrejas católicas estabelecidas nos vários Estados-nação, por causa de seu assentamento mais que milenar e pela relevância e riqueza de sua presença, quase se confundem com os eventos históricos das respectivas comunidades nacionais.

Tornando-se, queira-se ou não, protagonistas.

E, no entanto, sobre o que poderia ou deveria ser hoje sua missão específica, se ainda conservam ou não um significado e qual seria, parece que a opinião pública católica e o próprio pontificado atual têm bem poucas indicações. Entre o nível planetário dos males do mundo, por um lado e, pelo outro, aquele de 'hospital de campanha' para as multidões de indivíduos, falta justamente um foco claro sobre o significado específico a ser dado ao âmbito, vamos chamá-lo intermediário, que ao contrário é em certo sentido próprio das Igrejas nacionais. Ainda devem conservar uma relação com sua identidade histórica tradicional? Ainda têm uma tarefa específica?

O problema diz respeito principalmente àqueles países como a Itália que permaneceram até o século XIX com forte tradição e em esmagadora maioria católicos. Neles, porém, justamente no século XIX, criou-se um violento antagonismo (não importa aqui analisar os motivos) entre uma política de orientação liberal forte de um Estado ultralaico por um lado, e a Igreja católica e de certa forma o próprio catolicismo, pelo outro.

O resultado foi que ficou muito difícil para a Igreja, vinculada politicamente e internamente forte pelo grande apoio popular, ser capaz de decidir, caso tivesse sido de seu interesse, manter-se afastada da política, não "fazer política". O fato é que "fazer política" pode significar muitas coisas. Pode significar brigar por cargos, dinheiro e favores, ou, ao contrário, ter uma visão do mundo diferente daquela vigente, organizar setores da sociedade, dar-lhes voz e propor soluções. E, claro, como em todos os assuntos humanos, ocorre que há uma área onde os dois âmbitos se tocam, ou mesmo se sobrepõem. Isso certamente também aconteceu com a Igreja, com o clero e com os católicos italianos quando "fizeram política": isto é, sempre.

Desde que - de uma forma obviamente diferente em cada ocasião - fizeram política Dom Bosco e Dom Sturzo, Dom Morosini e os sacerdotes da Brigada Osoppo (grupo de resistência na Segunda Guerra), fizeram "política” a FUCI de Montini (Federação Universitária Católica) e a Ação Católica de Gedda, assim como a “Comunidade de Sant 'Egidio” (cujo presidente foi até ministro da República) ou o grupo laico católico “Comunhão e Libertação".

E para citar outro exemplo: existe alguém que acredita que nas eleições de 1948 teria sido melhor que a Igreja não tivesse "feito política"? Sem seu empenho não só possivelmente não teria sido eleito De Gasperi, mas não haveria cooperativas, sociedades de assistência mútua, associações sindicais e lutas pela emancipação, que representaram uma parte nada desprezível da melhor Itália. Claro, junto com os detritos que o pau torto da humanidade produz invariavelmente.

Mas no final o que é mais importante? Na verdade, a história de um País é algo incrivelmente complexo, que se realiza e precisa ser considerada no longo prazo, evitando principalmente permanecer prisioneiros de juízos e paixões pessoais ligados ao dia de hoje ou apenas a ontem. Ou seja, para ficar no tema, tendo uma opinião ou outra dependendo se a Igreja faz política de uma forma que nos agrade ou não. Parece-me que a história italiana moderna nos mostra que, em geral, o País certamente não ficou no negativo pelo empenho político dos católicos, e eu ficaria muito surpreso que não concordasse com isso o próprio cardeal Gualtiero Bassetti que, recém-eleito, indicou como suas figuras de referência Giorgio La Pira e dom Milani, duas personalidades que, até prova em contrário, tinham a política no sangue. Daquele empenho dos católicos talvez a Itália ainda necessite. A questão então é: pode acontecer sem a Igreja ou independentemente dela? Parece-me difícil pensá-lo.

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