Marrocos: o Papa, o islã e os migrantes

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31 Março 2019

O Papa Francisco chega ao Marrocos neste sábado, 30. Será um novo momento no encontro com o islã. De fora da Europa se dirigirá aos europeus e lhes instará a estarem abertos aos imigrantes

A reportagem é publicada por Deutsche Welle , 29-03-2019. A tradução é de Graziela Wolfart.

Trata-se outra vez do mundo islâmico. Oito semanas depois de sua visita aos Emirados Árabes Unidos, o Papa Francisco visita o Marrocos. O país do Norte da África reflete uma realidade social diferente da dos ricos emirados do Golfo. Francisco trabalha em sua visão de uma coexistência mais forte entre cristãos e muçulmanos.

A religião do Estado no Marrocos é o islã. E 99% dos habitantes são muçulmanos. Como diz Timo Güzelmansur, diretor do Centro de Documentação e Encontro Cristão-Islâmico (CIBEDO) de Frankfurt, o chamado islã malekita é "uma direção conservadora, mas tolerante". O palácio real delimita as questões religiosas porque o rei não só é um governante secular, mas também é o chefe dos assuntos muçulmanos.

O segundo Papa

Hassan II (1961-1999), o pai do atual rei, demonstrou que a família real é bastante aberta. E fez isso em agosto de 1985 ao assumir pela primeira vez o papel de anfitrião de um papa no Marrocos, quando João Paulo II (1978-2005) visitou o país.

Em Casablanca, a convite do então rei Hassan II, foi permitido ao Papa falar diante de 80.000 ouvintes, em sua maioria muçulmanos e jovens. Naquele momento o Papa polaco citou respeitosamente o Alcorão e em um discurso muito elogiado convidou ao diálogo entre cristãos e muçulmanos "mais necessário do que nunca".

A visita de Francisco, que passará 27 horas em Rabat, é a continuação desse processo. Também é uma promoção em prol do diálogo contra o terrorismo. Muitos dos jovens islâmicos que cometeram sangrentos ataques nos últimos dez anos na Espanha e outros países da Europa Central, incluindo a Alemanha, eram provenientes do Marrocos. Há muito tempo, o rei Mohammed VI impulsionou uma formação diferente dos imames e promoveu oficialmente a tolerância.

"Além das fronteiras da fé"

O Papa atual viaja com frequência a países muçulmanos. Esteve na Turquia e Bósnia e Herzegovina, Jordânia e os territórios palestinos, no Azerbaijão e Egito. Mais recentemente nos Emirados Árabes Unidos.

Para Güzelmansur, o Papa está muito atento ao diálogo inter-religioso, incentivado pelo Concílio Vaticano II (1962-65) em uma "Declaração sobre as religiões não cristãs", e à coexistência de pessoas além das fronteiras da fé. "Não quer que se aprofunde a divisão entre Oriente e Ocidente, mas que as pessoas se solidarizem entre si, se descubram como irmãos e irmãs e atuem com responsabilidade.

"Por que fazem isso? Para que se afoguem?"

Durante sua permanência de um dia e meio, o Papa prestará atenção ao tema dos refugiados. O caminho dos refugiados dos países africanos até a Europa se moveu gradualmente da costa da Líbia para o Marrocos, que hoje se converteu na rota principal dos refugiados.

Várias vezes durante este ano, os botes de refugiados viraram no Mediterrâneo em frente ao Marrocos: em meados de maio se afogaram cerca de 45 pessoas. Em uma entrevista recente, o Papa Francisco se referiu ao fato de que as autoridades no porto de Barcelona impediram que o barco de uma organização humanitária privada atracasse: "Por que fazem isso? Para que se afoguem?".

Segundo Güzelmansur, as mensagens do Papa são dirigidas a todas as pessoas que querem fazer do mundo um lugar melhor. "Aponta para o país no qual se encontra e adverte aos governantes dali, mas também pode ser vista como uma mensagem para a Europa". E acrescenta que, diante da preocupação de muitos jovens que têm inquietudes existenciais no Marrocos, a Europa tem "uma tarefa, uma responsabilidade".

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