Jean Wyllys parte e o clã Bolsonaro naufraga

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25 Janeiro 2019

"Mais importante do que partidos, será a presença de forças e movimentos sociais na base de um país em terrível crise", escreve Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo.

Eis o artigo.

Jean Wyllys foi uma das valentes vozes no Congresso Nacional em defesa dos LGBT. Três vezes deputado federal pelo PSOL, renuncia agora a seu mandato e parte para o exterior. Ficou conhecido ao cuspir no então deputado Jair Bolsonaro quando este, na sessão do impeachment de Dilma Rousseff, homenageou o coronel Brilhante Ustra, condenado como torturador de presos políticos, entre outros da própria presidenta.

À diferença de outros deputados, alguns do próprio PSOL, Wyllys sempre foi contra uma política sectária e propôs uma aliança dos setores progressistas, numa frente ampla que deveria apresentar-se como uma alternativa a este governo entreguista e antinacional.

Desde a morte de Marielle Franco, sua amiga, Wyllys vive com escolta policial. Tem sido muito atacado nas redes sociais e venceu um processo de difamação contra o artista pornô Alexandre Frota, que o acusara falsamente de pregar a pedofilia. Relata que Pepe Mujica lhe teria dito: "Rapaz, se cuide. Os mártires não são herois". Deixa o país por sua segurança pessoal e para dedicar-se a um doutorado.

O substituto de Wyllys, na Câmara, é o até então vereador David Miranda, negro, favelado e gay, casado com o jornalista norte-americano Glenn Greenwald. A causa LGBT segue em outras mãos.

Por outro lado, a situação política vai se liquefazendo, com a atuação do clã Bolsonaro. O pai, lá de Davos, tenta defender seu filho Flávio, “meu menino”, envolvido em caixa dois na Assembléia estadual do Rio e agora com suas ligações com a milícia. Recentemente se descobriu que um possível chefe das milícias do Escritório do Crime, o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido e procurado no caso Marielle, teve anteriormente suas mulher e mãe nomeadas como assessoras parlamentares do então deputado estadual, agora senador eleito, Flávio Bolsonaro. Este homenageou, na Assembléia do Rio de Janeiro, policiais que viriam a ser acusados de integrar milícias.

Para aqueles que, ingenuamente, votaram em Jair Bolsonaro esperando um clima de transparência, paz e segurança, é um momento de perplexidade e de necessária revisão.

Aliás, o vice Mourão acaba de promulgar uma medida pela qual, burocratas menores podem considerar, como secretas ou ultra secretas, informações por um período de 15 ou 25 anos. Um atentado à liberdade de informação e que fortalecerá a impunidade de membros do governo. O contrário da transparência. Pior do que nos governos militares e seus agentes da censura.

Aliás, em Davos, Bolsonaro mostrou sua enorme incapacidade. Leu mal um discurso vazio de seis minutos, sem usar os quarenta à sua disposição, como alguém que aprende a ler e escande palavras num mesmo tom inexpressivo. Sob pretexto de saúde, anulou encontros públicos programados com anterioridade. Lula, em Davos, falou hora e meia em 2003 e terminou ovacionado. Novamente falou em 2005 e 2007. Dilma em 2014.

Os governos de Jânio, com sua vassoura e Collor com seus marajás, caíram fruto de suas contradições entre o que proclamavam e o que fizeram. Este governo se esfarela, fruto de despreparo, inabilidade e duplicidade. Até quando se manterá?

A feroz campanha de O Globo indica que os setores dominantes não confiam nele. Tentam preparar o quê? Se Bolsonaro e Mourão caírem, assumirá provisoriamente o presidente da Câmara. Daí ser tão importante para o sistema a eleição de Rodrigo Maia, político para ele confiável. Competiria a este chamar a eleições.

Quem viria depois? Para esse sistema, Moro seria talvez o mais seguro, preparado nos Estados Unidos, fiel executor do que lhe tem sido pedido, desde sua atuação na lava-jato, usada antes de tudo para tirar Lula e o PT da vida política. Em Davos, Moro se cala e se esconde. Quer preservar-se diante de uma possível crise governamental? Outro candidato seria Dória, com ambição desmedida de sempre querer galgar mais um degrau no poder.

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O trágico é que os setores progressistas estão imobilizados ou empantanados em disputas menores, rancores e passos em falso, como a ida de Gleisi à Venezuela.

Em contrapartida, Fernando Haddad entrou em contato com Bertie Sanders dos Estados Unidos e Yanis Varoufakis, ex-ministro grego, na tentativa de articular uma Internacional Progressista em defesa da democracia. Recentemente encontrou dirigentes de Podemos espanhol. Terá liberdade dentro do PT para essa grande abertura? E este partido aceitará construir, como no Uruguai, uma frente ampla sem hegemonias? E como se posicionarão o PSOL, o PC do B, o PSB ou o PDT?

Mais importante do que partidos, será a presença de forças e movimentos sociais na base de um país em terrível crise. Na Espanha tudo começou com o M15 irreverente em Madri e com os Indignados em Barcelona, para chegar ao Podemos. O Giles Jaunes da França escapou ao controle do governo e dos partidos, como um grande movimento de protesto. Poderá coagular em algo sério adiante? A experiência da aliança da Geringonça em Portugal mostra bons frutos. E a eleição de López Obrador no México.

Que nos espera entre nós pela frente? João XXIII falou, numa Igreja que envelhecia, de uma “flor de inesperada primavera”. Antes de tudo não perder a esperança, procurar sinais em práticas criadoras portadoras de futuro, “utopias surgindo no meio de nós”, cultivar o desabrochar incipiente de um possível amanhã. Carlos Drummond cantou:

Uma flor nasceu na rua!
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.

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