Yanis Varoufakis: 23 dados para conhecer o ministro das Finanças grego

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Por: Jonas | 09 Fevereiro 2015

Nasceu um novo herói na mitologia grega, metade intelectual e metade guerreiro. Tem um cérebro de economista, com sensibilidades artísticas, em um perfil marcial, com a cabeça raspada e sustentada por um robusto pescoço. Muitas vezes, inclina a cabeça, lançando-a para frente e a deixa cair ligeiramente à direita, então, levanta os olhos, mexe com as sobrancelhas, aponta e dispara das profundidades. Com 53 anos, após meia vida ensinando Economia fora de seu país, trocou as aulas pela política para resgatar a Grécia da depressão e da ruína. Possui um olhar sedutor, mas Yanis Varoufakis não possui a intenção de cativar a deusa teutônica da contenção. Chega decidido a desafiar a austeríssima trindade e fazer guerra.

 
Fonte: http://goo.gl/p6Ug0r  

A reportagem é de Gloria Rodríguez-Pina, publicada por El Huffington Post, 02-02-2015. A tradução é do Cepat.

Os 23 dados seguintes ajudam a conhecer o novo ministro das Finanças grego, que começou a batalha em sua primeira reunião com o presidente do Eurogrupo, apenas dois dias após sua nomeação. Para a imprensa, rejeitou a troika – Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia – como interlocutora, porque na sua avaliação não é mais do que “um comitê construído sobre bases podres”. Insiste, isso sim, que está “ansioso” para se sentar e negociar com cada uma das partes.

1. Nasceu em Atenas em 1961, mas viveu fora boa parte de sua vida. Seus pais o enviaram para o Reino Unido, após o ensino médio, como o objetivo de protegê-lo das forças paramilitares que, em inícios dos anos 1980, tinham o foco nos estudantes, e não retornaria até que se passassem décadas.

2. Escreve e fala a língua inglesa perfeitamente, mas o seu sotaque grego permanece. Neste link é possível escutá-lo em uma entrevista concedida, no dia 30 de janeiro, à BBC. Nela, a propósito, critica a tendência dos meios de comunicação em simplificar e pede à apresentadora que deixe de interrompê-lo de forma mal-educada.

3. É tuiteiro e blogueiro, daqueles muito ativos. Você pode se somar aos seus mais de 174.000 seguidores em @yanisvaroufakis ou ler seu blog pessoal, no qual escreveu em inglês com assiduidade sobre economia, seus ensaios, sua vida particular e seus projetos artísticos. A má notícia é que anunciou, quando se tornou ministro das Finanças do Governo do Syriza, que escreveria menos. A boa é que está tão ligado que lhe custa abandonar o blog. Na semana posterior a vitória de Alexis Tsipras, no dia 25 de janeiro, publicou oito textos.

4. Também escreve livros. Quase todos são ensaios sobre economia, mas também foi coautor de um sobre a teoria dos jogos e sua bibliografia inclui o catálogo de uma exposição artística.

5. Viveu no Reino Unido até que não pôde mais aguentar Thatcher. Entre 1982 e 1988, deu aulas na Universidade de Essex - onde obteve seu doutorado em Economia, em 1987 -, na Universidade de East Anglia e na de Cambridge. Em 1987, na noite em que Margaret Thatcher venceu seu terceiro mandato, disse que já não suportar mais e começou a planejar sua saída. A questão era para onde ir. “A Europa continental estava fechada aos acadêmicos não nativos e a Grécia me esperava com os braços abertos para me inscrever no serviço militar. ‘Não, obrigado’, disse a mim mesmo. Até mesmo o tatcherismo era preferível”.

6. Quis fugir para tão longe que acabou nas antípodas. Entre 1988 e 2000, trabalhou e viveu em Sydney (Austrália), com breves estadias na Universidade de Glasgow (Escócia) e na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica). “Uma combinação de nostalgia e aborrecimento pelo giro conservador da Austrália (no Governo desse infame homenzinho, John Howard), levaram-me a retornar à Grécia”, explica Varoufakis, que conserva a dupla nacionalidade grega e australiana. De volta ao seu país, criou um programa de doutorado em Economia, que sucumbiu com o colapso grego de 2010.

7. Entrou no serviço militar por três meses. Mesmo tentando evitar, não pôde se livrar do Exército, mas nem isso, afirma, fez com que se arrependesse de voltar à Grécia. Compensou pelos seus melhores alunos e seus colegas, disse.

8. Sua vida pessoal sofreu um giro em 2005. Fala a respeito disso em seu blog. “Naquele agosto, minha pequeníssima filha, Xenia, foi me tirada pela... Austrália”. A mãe da menina decidiu retornar para Sydney e levá-la. A perda o deixou em estado de choque, mas agora que Xenia cresceu e é mais autônoma, consegue se sentir melhor.

9. A artista Danae Stratou o salvou de sua condição. Isso aconteceu meses após o ocorrido com a filha, e desde então compartilham sua vida, seu trabalho e alguns projetos político-artísticos, como CUT7 dividing lines, The Globalising Wall e vitalspace.org, nos quais analisam a relação entre os muros - Chipre, Kosovo, Palestina, Belfast, etc. -, o individualismo liberal e o imperialismo.

10. Recebeu ameaças de morte a membros de sua família por divulgar escândalos financeiros. Esse fator, junto ao fechamento de seus programas na Universidade e os cortes salariais que sofreu, dificultaram sua vida mais uma vez em 2012, Nessa ocasião, mudou-se para os Estados Unidos para dar aulas na Lyndon B. Johnson School of Public Affairs, na Universidade do Texas.

11. Trabalhou em uma empresa de videogames. “Tudo começou com um estranho e-mail”, contou em uma postagem no blog que tinha em Valve Software. O presidente da companhia, leitor habitual de seus textos econômicos em yanisvaroufakis.eu, propôs que ele trabalhasse como consultor em uma das empresas mais inovadoras do mundo, como conta Verne. Em outro artigo, citava Karl Marx e Adam Smith ao traçar uma análise político-econômica da Valve, “uma empresa sem chefes, na qual não se delega, nem são dadas ordens, e ninguém tenta dizer aos outros o que se deve fazer”.

12. Vive em uma casa aos pés da Acrópole com sua mulher, entre obras de arte e livros. “Passeando pelas estantes vemos uma biografia do Che Guevara, tratados sobre os movimentos dos pobres, ensaios consagrados às estruturas de protesto...”, descreve Irene Hernández Velasco em uma entrevista concedida a El Mundo.

13. Tem uma segunda casa na ilha de Egina. Ali se encontra com os bobos (boêmios burgueses) de classe média/alta, segundo disse Hibai Arbide a El Confidencial. “Aqui quase todo mundo conhecia Varoufakis, inclusive gente que não sabe de economia”, explica Arbide, que há alguns meses está morando na Grécia.

14. Possui uma moto – Yamaha 1.300 cv – com a qual chegou, sem escoltas, à reunião com o Eurogrupo, e também dirige um Mini Cooper. Um clássico, por certo, alemão: BMW.

15. Abre mão das gravatas, assim como Tsipras. E prefere deixar as camisas, com estampas coloridas, para fora.

16. Seu chefe, Alexis Tsipras, sempre presenteia os políticos estrangeiros que conhece com um de seus livros, como contou Joan Herera, de ICV, a El HuffPost. Trata-se da obra “El minotauro global” (Capitán Swing, 2012), a respeito do qual Joaquín Estefanía destacou que é tanto contra os libertários como os keynesianos, e o que propõe é desenvolver “um Bretton Woods para o século XXI, que gere um mecanismo global de reciclagem de excedentes, que os mercados, por mais globalizados que sejam, por mais livres que sejam e por melhor que funcionem (que não é o caso), não podem proporcionar”.

17. Foi assessor do social-democrata Yorgos Papandreu. Entre 2004 e 2006, trabalhou com o líder do Pasok, antes que este fosse eleito primeiro-ministro. Depois, foi muito crítico com ele por aceitar o resgate para o país grego.

18. Defende a importância de dormir. Em um artigo em seu blog, dispara contra Thatcher – novamente – por dizer que “dormir é outra forma de ineficiência” e lamenta que a União Europeia tenha se contagiado com a insônia da dama de ferro, especialmente nas longas noites de reuniões europeias nas quais o único limite para tomar decisões é a extenuação física dos dirigentes. “A União Europeia seria um lugar melhor, hoje, caso a falta de sono não tivesse sido um fator determinante nos acordos de nossos líderes?”, questiona-se.

19. Pensa que a União Europeia colocou a Espanha em situação parecida com a da Grécia - mas de outra forma -, e a resume assim, em outro artigo em The HuffPost: “Você percebe, querido leitor, o que está acontecendo aí? Os bancos que quebraram por sua própria idiotice transferiram suas perdas para um Estado que estava, até então, conseguindo um superávit orçamentário. Isto levou o Estado e os contribuintes a uma insolvência de longo alcance. Então, estes mesmo bancos asseguraram ajudas baratas do Banco Central Europeu que emprestaram, parcialmente e com altos juros, ao Estado que haviam arruinado, enquanto que, ao mesmo tempo, obtinham dele... capital. E para permitir esta ‘solução’ aos problemas da Espanha, a Europa impôs um giro à austeridade que cerceia os ingressos nacionais, sobre os quais o Estado deve aumentar os impostos para devolver todas as ajudas que colocaram sobre os seus ombros”.

20. Não quer uma extensão do resgate e quer acabar com o endividamento. Quer renegociar os termos, e quer realizar isso diretamente com os Estados membros da União Europeia, mas se nega a continuar com a política que foi aplicada à Grécia até o momento, que qualificou como “waterboarding fiscal”, utilizando uma expressão da técnica de tortura de afogamento simulado -. Como bom professor, explica seu ponto de vista com uma metáfora: “Imagina que um amigo ou amiga diz para você que está com problemas para pagar a hipoteca, porque teve o salário rebaixado, e que teve uma ideia: pedir um cartão de crédito para poder cobrir os pagamentos da hipoteca nos próximos meses. Você o aconselharia a continuar sacando dinheiro da conta de crédito para enfrentar um problema que é de insolvência?”

21. Não pretende que o euro saia da Grécia. Criticou muito o enfoque ortodoxo da crise, que na sua avaliação colocou em perigo a moeda única e a União Europeia ao “transferir cinicamente as perdas dos bancos para os ombros dos contribuintes mais fracos”. Acredita que foi um erro a Grécia entrar no euro, mas considera que já é muito tarde para sair, como destaca Reuters.

22. Defende um New Deal para Europa. No ensaio “Uma modesta proposição para resolver a crise da Zona do Euro”, ele e seus colegas ponderam que na crise europeia subjazem outras quatro: “Uma crise bancária, uma crise da dívida pública, uma crise da falta de investimento e, agora, uma crise social: o resultado de cinco anos de fracassos políticos”. A solução, defendem, seria um New Deal europeu – um programa de reformas intensivo, que não demandaria modificar os tratados – que “produziria resultados em questão de meses”.

23. Converteu-se em uma estrela da internet. Exaltado como herói antes de ter vencido qualquer batalha, o personagem de Yanis Varoufakis se tornou um meme e se espalhou. Aqui, uma das montagens que circularam em seus primeiros dias como ministro-guerreiro-salvador-da-pátria grega:

 
Fonte: http://goo.gl/g16g7V  

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