China: depois do acordo os bispos e fiéis rezam pelo Papa

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01 Outubro 2018

“O Papa está conosco e nós somos para ele. Estamos com ele e para ele”. É assim que tantos católicos chineses têm rezado nos últimos dias, enquanto vai sendo difundida entre as comunidades espalhadas por toda a China a mensagem espiritual e pastoral que o Papa Francisco enviou depois do acordo provisional assinado pela Santa Sé e pelo governo de Pequim sobre as futuras nomeações dos bispos chineses. A “rede de oração” pelo Papa também passa pelo WeChat, a rede social mais utilizada pelos chineses.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada por Vatican Insider, 29-09-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Nas paróquias de Pequim e de muitas dioceses chinesas, desde as missas de domingo passado, os fiéis se puseram de pé e aplaudiram quando os sacerdotes que celebravam pronunciaram a oração para agradecer pela assinatura do acordo, que foi confirmada um dia antes. “Agora”, declarou ao Vatican Insider María Zhang, paroquiana pequinesa da igreja de São Salvador (Bei Tang), “estamos lendo a mensagem que o Papa nos enviou. Comove-nos o tom paternal com o qual se dirigiu a nós. E por isso mexem tanto conosco as notícias sobre os que continuam o atacando com fúria, precisamente nestes dias e principalmente dentro da própria Igreja. Rezamos por ele. Também rezamos pelos que lhe atacam”.

Bispos, sacerdotes, religiosas e leigos oferecem missas e orações pelo Papa Francisco e pela Igreja neste tempo em que também todos eles percebem como um momento de provação. Agradecem pela nova fase que começou nas relações entre a China e a Santa Sé. Começam a aparecer os primeiros gestos de comunhão pública entre os membros do clero “oficial” e os das chamadas comunidades “clandestinas”, que ainda não contam com o registro dos aparatos políticos. Há décadas são realizados esforços de quem encontra dificuldades para sair da desconfiança recíproca ou do conflito com os “irmãos separados” de outra área eclesial; e estão escandalizados por aqueles que, dentro da Igreja e fora da China, não se envergonham de utilizar os sofrimentos e as dificuldades do passado e do presente vividas pelos católicos chineses para organizar ataques contra o Sucessor de Pedro.

A voz dos bispos, “oficiais” e “clandestinos”

Ele tem 84 anos e não foi reconhecido pelo governo; Pietro Lin Jiashan, bispo de Fucheu, reuniu todos os sacerdotes clandestinos da diocese para refletirem juntos sobre a notícia do acordo entre a China e a Santa Sé, e sobre a mensagem do Papa aos católicos chineses. A indicação, para todos, foi a mesma: vamos juntos pela direção que o Papa indicou, esperando por aqueles para quem é mais difícil dar os primeiros passos para a reconciliação. “Ainda que o conteúdo do acordo seja reservado – declara ao Vatican Insider o bispo Lin–, sabemos que trabalharam muito tempo no acordo China-Vaticano, que representa um fato muito importante para a Igreja na China.

Compreendemos que existem preocupações em relação à aplicação do acordo. Mas estou certo de que a Igreja é de Cristo. É Cristo quem a conduz enquanto caminha na peregrinação por este mundo terreno até a plenitude dos tempos. Por isso devemos aprender como seguir a vontade do céu, fazendo tudo o que podemos como homens. Façamos o que podemos fazer e depois nos entreguemos ao Senhor”.

Segundo o idoso bispo de Fucheu os pessimistas estão enganados: “O Papa Francisco – acrescenta Pietro Lin – aprovou o acordo entre a China e a Santa Sé para obter o melhor para toda a Igreja na China. Ele e seus colaboradores realizaram um atento discernimento para se deixar guiar pela vontade de Deus e avaliar objetiva e razoavelmente todos os prós e os contras”. Há muitos pontos que exigem mais estudo e uma confrontação sincera. Por exemplo, como enfrentar com equilíbrio os problemas entre as comunidades “oficiais” e as chamadas “clandestinas” (submetidas em algumas áreas à prepotência dos aparatos de segurança local que pretendem fazer uma “regularização” veloz). Ou como realizar a obra pastoral na fidelidade aos critérios doutrinais que a devem inspirar. “A aplicação do acordo à luz da fé – conclui Lin – é uma santa tarefa, que exige paciência. Primeiro é preciso rezar juntos, para que, com a ajuda do Espírito Santo e com a colaboração de todos, o acordo possa se converter em uma nova “pedra de toque” no caminho para a plena unidade da Igreja na China e sua plena comunhão com a Igreja universal”.

Bispos em ação

“Finalmente chegaram as notícias que esperávamos há tanto tempo”, revela ao Vatican Insider Giuseppe Pietro Xu Honggen, bispo católico de Sucheu. “O que nos preocupava não eram as revelações sobre a iminência do acordo, mas o fato de que se anunciava que ele demoraria a chegar”. Xu Honggen tem 56 anos. Não viveu a perseguição da época da Revolução cultural, mas teve que esperar sete anos para superar as dificuldades que os aparatos locais colocaram para sua ordenação episcopal, em 2006. E agora afirma ao Vatican Insider que o acordo entre a China e o Vaticano poderá “produzir um resultado “ganha-ganha”, que seja positivo para ambas as partes”. E acredita que serão poucos os que tomarão uma posição extrema de recusa ao acordo.

Também Giuseppe Han Zhihai, bispo católico “ex-clandestino” de Lanchow (ordenado em 2003, mas reconhecido como bispo pelo governo em novembro de 2017) faz considerações positivas sobre o acordo entre a China e o Vaticano, “que foi esperado de diferentes Papas, muito antes do Papa Francisco”. Han imagina que graças ao acordo poderá ser abandonado o preconceito errôneo “que apresenta a fé católica na China como uma ‘religião estrangeira’”. Pouco a pouco, curando as feridas, segundo o bispo de Lanchow, poderão ser superadas as divisões na comunidade eclesial que nas últimas décadas interromperam a missão de anunciar o Evangelho. E também o “clericalismo fechado” que agora quer apresentar o acordo como um compromisso destinado ao fracasso: em certas situações “as coisas perfeitas e sem defeitos não existem”, reconhece o bispo Han, “mas nós nos deixamos guiar pelo Espírito Santo, que nos leva sempre adiante”.

A Igreja na China e “a operação Viganò”

Também outros bispos “clandestinos”, como Giuseppe Wei Jingyi, estão se colocando a par das indicações pastorais contidas na mensagem do Papa Francisco aos católicos chineses e as propuseram aos padres da diocese como uma bússola útil e necessária para orientar os passos no futuro. Todos tomaram nota da preocupação pastoral da mensagem papal pelos que, diante do acordo com o governo chinês, “têm a sensação de terem sido abandonados pela Santa Sé e se perguntam sobre o valor dos sofrimentos enfrentados para viver na fidelidade ao Sucessor de Pedro
.
Enquanto isso, todos se dão conta de que as críticas e as acusações contra o Papa e a Santa Sé em relação ao desenvolvimento do diálogo sino-vaticano chegam dos Estados Unidos, Hong Kong e de círculos que, fora da China e durante décadas, pretenderam falar em nome das comunidades católicas e, especialmente, das chamadas comunidades “clandestinas”. O que mais escandaliza tantos católicos na China são os aparatos midiáticos que tratam de explorar inclusive o sangue dos mártires chineses com o intuito de acusar (e, acaso conseguir, que renuncie) o atual Sucessor de Pedro. “É possível compreender as razões de alguns que se sentem “excluídos” com o acordo entre China e Santa Sé”, comenta ao Vatican Insider Paul Han Qingping, também conhecido como o “sacerdote-blogueiro”, “mas não podemos aceitar a atitude de organizações e indivíduos que se mostram preocupados com a Igreja na China, mas que na realidade estão se aproveitando da situação para levar adiante sua agenda ‘oculta’”.

“Os católicos chineses – prossegue Paulus Han – perceberam que fora da China há quem instrumentaliza seus sofrimentos, que não se envergonha de utilizar os mártires chineses para atacar o Papa, para construir polêmicas e calúnias contra ele, como faz o ex-núncio Viganò e as forças que o apoiam. São pessoas que não sabem nada da Igreja na China, e não têm nenhum interesse sincero pelos católicos chineses. Isto é algo que lhes causa dor nestes momentos”.

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