Católicos chineses discutem acordo com o Vaticano em meio a perseguições

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26 Setembro 2018

A Associação Patriótica exalta a “independência” da Igreja. Liu Bainian expressa apreço pelo acordo sino-vaticano. Os fiéis se perguntam se a disponibilidade do Vaticano diminuirá as violências: cruzes e igrejas destruídas; campanhas para que os cristãos pobres, os estudantes e os professores abandonem a fé; casas para idosos requisitadas e destruídas para dar lugar a novos projetos urbanísticos.

A reportagem é de John Ai, publicada em Asia News, 25-09-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O acordo entre a Santa Sé e o governo chinês sobre a nomeação dos bispos continua provocando discussões entre católicos e protestantes chineses, enquanto crescem os sinais de perseguição. O fruto “provisório” desses diálogos secretos realizados há anos foi anunciado às vésperas da festividade da metade do outono chinês e parece ter criado um choque inesperado entre católicos e observadores.

O choque também é da Associação Patriótica e do Conselho dos Bispos Chineses que já postaram em seus sites um comunicado em que se afirma que eles sempre aderiram aos princípios de “independência”, “chinesização” e “submissão” à liderança do Partido Comunista Chinês.

O princípio da “independência” é controverso, porque pressupõe uma autonomia do papa e da Igreja universal. Reafirmar a independência significa, de alguma forma, inutilizar o acordo que, ao contrário, prevê uma participação da Santa Sé na nomeação dos bispos.

Mais tarde, em uma entrevista à Voice of America, Liu Bainian, presidente honorário da Associação Patriótica e há muito tempo apelidado de “o papa da China”, declarou que apoia totalmente o acordo, que “é benéfico para o trabalho pastoral e a difusão do Evangelho na China”.

Os católicos não oficiais têm sentimentos contraditórios. Para Li, um jovem da comunidade clandestina de Pequim, o acordo é bom para os católicos na China, embora a Santa Sé até agora não tenha levado muito em consideração a fidelidade da Igreja clandestina. Em vez disso, ela deveria agora levá-la mais em consideração. “Pelo menos, devemos acreditar que a Santa Sé é mais astuta do que nós”, disse outro católico.

Diversos comentários postados nas mídias sociais, críticos ao acordo, foram apagados pela censura. Um repórter do Apple Daily, um jornal de Hong Kong, não pôde entrar em contato com alguns católicos clandestinos porque foi detido no aeroporto e enviado de volta.

Um sacerdote disse que o acordo é fruto de barganhas e, portanto, há perdas e ganhos para ambos os lados. Ele acha que o acordo pelo menos poderá evitar ordenações ilícitas ou celebrações na presença de bispos excomungados. Ele também espera que os bispos readmitidos à comunhão, com a eliminação das excomunhões, sejam dignos do perdão do papa.

Um católico clandestino de Hebei criticou a construção da nova Diocese de Chengde. Ele acha que a Santa Sé entregou à China o poder de estabelecer dioceses. Ele teme que a Santa Sé tenha cada vez menos influência na China, porque “o poder real estará todo nas mãos do Partido”.

Muitos se perguntam se o acordo e a disponibilidade do Vaticano trarão mais liberdade aos católicos chineses e aos cristãos em geral. Há muito tempo, as autoridades intensificaram a repressão contra católicos e protestantes, incluindo as comunidades oficiais. A campanha para destruir cruzes e igrejas, que começou em 2014 em Zhejiang, já se espalhou para muitas partes do país. Igrejas protestantes em Pequim, Zhengzhou, Guiyang, Chengdu e em outras cidades foram fechadas ou reprimidas pela sua recusa a entrar na Igreja oficial (o Movimento das Três Autonomias), forçadas a expressar submissão ao Partido. Destruições e vandalismos também são registrados entre as comunidades católicas de Henan.

Graças ao desenvolvimento da tecnologia, já é possível vigiar cada cidadão na China. As igrejas são obrigadas a instalar câmeras de vídeo para o controle das atividades dos fiéis.

Em Henan, Anhui, Jiangxi, os quadros do Partido visitam as casas dos cristãos pedindo-lhes que renunciem à fé, com a ameaça de cancelar a sua aposentadoria, a assistência médica ou as ajudas aos pobres.

Jin Guoping, chefe do escritório de Wenzhou para as questões étnicas e religiosas, em um artigo no China Religion, afirma que “se estabeleceu um mecanismo que rastreia alguns grupos importantes que acreditam nas religiões, incluindo professores e estudantes (...) tendo falado com 117.300 pessoas que estão em grupos religiosos”. As autoridades não responderam ao pedido para comentar esse fato.

Até agora, não se compreende nenhuma razão para esse tipo de campanha, se elas têm um caráter ideológico ou econômico. Em agosto passado, em Handan (Hebei), uma casa para idosos pertencente à Igreja oficial local foi demolida para dar lugar a um novo centro residencial. Um jornal local escreveu que a demolição contava com o apoio das autoridades governamentais. A notícia foi imediatamente removida.

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