Superior Geral dos Jesuítas: a canonização do padre Arrupe está em andamento

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13 Julho 2018

São Pedro Arrupe, S.J.?

“Iniciamos formalmente o processo de beatificação do padre Pedro Arrupe”, anunciou o Superior Geral dos Jesuítas Arturo Sosa, em Bilbao, na Espanha. Esta informação é de uma reportagem no InfoSJ, um site de informações da Companhia de Jesus na Espanha, que foi relatada pela primeira vez numa mídia social, por Rhina Guidos, do Catholic News Service.

A reportagem é de James T. Keane, publicada por America, 11-07-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

"Ainda estamos no início do processo, mas Angelo de Donatis, cardeal Vigário de Roma, aprovou que a diocese de Roma abra o processo de beatificação", anunciou padre Sosa, em uma reunião com jesuítas e leigos, junto à Associação Internacional de Universidades Jesuítas, em Bilbao. Sosa pediu aos participantes que rezem pela causa e assistência de qualquer pessoa que tenha informações úteis sobre a devoção religiosa ao padre Arrupe. “Ele era um homem de verdade, enraizado em Cristo e dedicado à missão, cujo maior milagre é que estamos aqui hoje”, ressaltou o padre.

O processo pelo qual a Igreja Católica declara alguém Santo passa por várias etapas, concluindo com a canonização. O padre Arrupe já é chamado de "Servo de Deus". A beatificação, que significa a declaração da Igreja Católica de que a pessoa é "abençoada", é o último passo antes da canonização.

Padre Arrupe ainda não foi publicamente declarado ‘Venerável’ pelo Vaticano, um passo antes da beatificação”. Esta última notícia significa, em essência, que a Companhia de Jesus está comprometida em avançar o processo de canonização ao recolher testemunhos daqueles que conheceram padre Arrupe e solicitar provas de milagres que ocorreram após as orações por sua intercessão. Historicamente, esses milagres têm sido frequentemente considerados o resultado das orações de pessoas pedindo a intercessão do Santo. Os jesuítas provavelmente também irão designar um postulador oficial para sua causa, se ainda não o fizeram.

Arrupe atuou como Superior Geral da Companhia de Jesus de 1965 a 1983. Durante esse período, também teve cinco mandatos consecutivos de três anos como Presidente da União dos Superiores Gerais Religiosos, de 1967 a 1982. Nascido em 1907, ele entrou para os jesuítas em 1927. Depois que os Jesuítas foram expulsos da Espanha em 1932, o padre estudou na Bélgica, Holanda e Estados Unidos, como parte de seu treinamento jesuíta para o sacerdócio. Foi ordenado em 1936 e se mudou para o Japão em 1938, a fim de trabalhar como missionário.

O padre era mestre dos noviços jesuítas em Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945, quando os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica destruindo quase inteiramente a cidade. Arrupe tinha sido estudante de medicina antes de entrar para os jesuítas, e transformou o noviciado em um hospital improvisado. Mais tarde, ele chamou o ataque atômico de "uma experiência permanente fora da história, gravada na minha memória".

Em 1958, o padre foi nomeado Superior Provincial dos jesuítas no Japão.

Em 22 de maio de 1965, a 31ª Congregação Geral da Companhia de Jesus elegeu Arrupe como novo Superior Geral Jesuíta, meio ano antes do encerramento do Concílio Vaticano II e durante o período mais tumultuado da Igreja Católica em vários anos. Os jesuítas eram a maior ordem religiosa católica do mundo na época.

Na década seguinte, muitos jesuítas abraçaram um sentido mais orientado para a justiça social do carisma inaciano tradicional, particularmente depois da 32ª Congregação Geral, de 1974 a 1975, onde os jesuítas aprovaram (entre outros decretos) o “Decreto nº 4: Nossa Missão Hoje: “O Serviço da Fé e a Promoção da Justiça”, que serviu como modelo para a atividade apostólica jesuíta nas quatro décadas seguintes. Esta nova direção para os jesuítas levou a tensões ocasionais com o Papa Paulo VI, bem como aumentou o atrito com os mais tradicionais da Igreja Católica.

Arrupe sofreu um derrame em 7 de agosto de 1981, e logo depois renunciou ao cargo de Superior Geral, já que sua capacidade de falar rapidamente degenerou. Ele havia recomendado o jesuíta americano Vincent O'Keefe como seu substituto, mas o Papa João Paulo II nomeou dois outros jesuítas, Paola Dezza e Giuseppe Pittau para supervisionar a Companhia de Jesus, até que um novo superior geral pudesse ser eleito - uma medida amplamente adotada -, vista como uma interferência papal injustificada por parte dos jesuítas. Na 33° Congregação Geral, em setembro de 1983, Peter-Hans Kolvenbach, S.J., foi eleito como novo Superior Geral.

Arrupe morreu em 5 de fevereiro de 1991. Sua influência na Companhia de Jesus pode ser vista nos inúmeros apostolados, residências e outras iniciativas jesuítas (bem como as que abraçam o carisma inaciano) que levam seu nome hoje, assim como em muitas frases e provérbios atribuídos a ele (nem todos corretamente). Seu famoso discurso de 1973 aos educadores e estudantes jesuítas, “Homens para os Outros”, tornou-se um documento orientador central para a educação jesuíta de hoje. Na verdade, a frase “homens para os outros” (geralmente mais comumente traduzida como “homens e mulheres para outros”) foi mencionada no início desta semana pelo novo indicado da Suprema Corte dos EUA, Brett Kavanaugh, ao discutir a importância de sua formação religiosa nas escolas jesuítas.

Talvez tão famoso quanto o humilde discurso de Arrupe, “Mãos de Deus”, lido em voz alta em seu nome, na 33ª Congregação Geral. Arrupe apenas observou, pois estava incapacitado de falar. “Mais do que nunca, me encontro nas mãos de Deus. Isso é o que eu queria desde sempre”, escreveu Arrupe. “Mas agora há uma diferença. A iniciativa é inteiramente com Deus. De fato, é uma profunda experiência espiritual eu conhecer e me sentir totalmente nas mãos de dele”, completou.

Em 2007, a Universidade de Georgetown comemorou o centenário do nascimento do padre Arrupe, S.J., através do comissionamento de um documentário intitulado “Pedro Arrupe: His Life and Legacy” (Pedro Arrupe: Sua Vida e Legado, em tradução livre).

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