Padre Arrupe: é assim que me lembro dele. Artigo de Bartolomeo Sorge

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06 Fevereiro 2016

O padre Arrupe é uma daquelas testemunhas proféticas que o Espírito suscita na Igreja nas reviravoltas mais difíceis da sua história.

A opinião é do jesuíta italiano Bartolomeo Sorge, ex-diretor da revista Aggiornamenti Sociali, publicado na edição de novembro de 2007 da mesma publicação. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nota da IHU On-Line: Hoje, 05-02-2016, quando se celebra o 25º ano da morte do Padre Pedro Arrupe, traduzimos e reproduzimos uma série de artigos, sobre sua vida e seu testemunho.

Eis o texto.

No dia 14 de novembro de 2007, completam-se 100 anos do nascimento do Pe. Pedro Arrupe, superior geral da Companhia de Jesus de 1965 a 1983, falecido no dia 5 de fevereiro de 1991, com a idade de 83 anos. Ele tinha passado imobilizado os últimos dez anos de vida, atingido por um derrame no dia 7 de agosto de 1981.

"O padre Arrupe – como eu já escrevi – é uma daquelas testemunhas proféticas que o Espírito suscita na Igreja nas reviravoltas mais difíceis da sua história. Ele teve a missão de guiar a Companhia de Jesus na primeira fase do pós-Concílio, anos conturbados, mas prenhes de futuro. O seu destino foi o do profeta: ser não só anunciador dos novos tempos do Espírito, mas também 'sinal de contradição'"(cf. SORGE B. Padre Arrupe, testimone profetico dei tempi nuovi. Aggiornamenti Sociali, 4 [2001] 285).

Já conhecemos tudo sobre ele: os estudos de medicina antes de se tornar jesuíta; a formação na Bélgica, Países Baixos e EUA durante a expulsão dos jesuítas da Espanha nos anos 1930; a missão no Japão, onde, no dia 6 de agosto de 1945, ele viveu a dramática experiência da bomba atômica sobre Hiroshima; a eleição, no dia 22 de maio de 1965, como 28° superior geral da Companhia de Jesus.

Agora – graças a uma obra monumental, publicada pelo centenário do nascimento (LA BELLA G. (org.). Pedro Arrupe. Un uomo per gli altri. Bologna: Il Mulino, 2007) – todos os aspectos da personalidade do Pe. Arrupe, mesmo os mais escondidos e discutidos, foram sondados: a sua profunda espiritualidade; o otimismo inato que, mais de uma vez, lhe criou alguma dificuldade; as qualidades de grande comunicador que o levaram a uma relação com os meios de comunicação totalmente incomum para um padre geral; o dom de suscitar entusiasmo; o compromisso de renovar a Companhia, levado adiante entre grandes resistências até o limite da ruptura; as relações tensas com a Santa Sé; a renúncia como superior geral; a longa purificação final. O que mais se pode acrescentar para celebrar o centenário do nascimento?

Eu pensei que, folheando o álbum das minhas recordações pessoais, eu poderia tentar reconstruir – sob a forma de testemunho – os dois momentos mais difíceis do seu generalato: as incompreensões com a Santa Sé e a sua renúncia. Certamente, são capítulos já amplamente explorados, embora ainda não esclarecidos até o fim. Deles, posso testemunhar em primeira pessoa, dadas as relações que eu tive com o Pe. Arrupe a partir de 1968 (quando ele me nomeou como reitor da comunidade da revista La Civiltà Cattolica), que se tornaram mais frequentes a partir de 1973 (quando, ele também me confiou a direção da revista) e interrompidos apenas pela sua enfermidade.

1. As tensões com a Santa Sé

As relações entre a Santa Sé e o Pe. Arrupe, nos primeiros cinco anos de generalato, quando Paulo VI era papa, foram marcados pela estima e confiança recíprocas. A deterioração começou quando a crise do pós-Concílio sacudiu também a Companhia, envolvendo "revistas, cátedras, pessoas, em setores cada vez mais amplos desta Companhia", como escreveu ao Pe. Arrupe o secretário de Estado, cardeal Jean Villot, no dia 15 de fevereiro de 1973. Por ocasião das audiências quinzenais que eu tinha regularmente com ele para a revista, eu fiquei sabendo das "apreensões" despertadas no Santo Padre por notícias negativas que chegavam ao Vaticano de diversas partes, acerca de comportamentos disciplinares "inaceitáveis" e discursos doutrinais "perigosos" que iam se difundindo entre os jesuítas.

Acima de tudo, era frequente a acusação que o Pe. Arrupe não era um homem de governo e tolerava os abusos. Eu pude ver a correspondência entre o cardeal Villot e o Pe. Arrupe e as atas dos encontros reservados que, na iminência da 32ª Congregação Geral (o supremo órgão legislativo dos jesuítas), ocorreram no Vaticano entre o cardeal Villot, Dom Benelli, Dom Casaroli e o próprio Pe. Arrupe. No entanto, os esforços de esclarecimento não serviram para aliviar a tensão. Até que a questão do "IV voto" serviu como detonador e a situação se tornou explosiva. Do que se tratava?

Como se sabe, aos três votos de pobreza, castidade e obediência, os jesuítas acrescentam o voto de obediência ao papa circa missiones. Por força desse voto, os jesuítas se colocam à disposição do papa para qualquer "missão" que ele considere necessário ou útil para o bem da Igreja.

Esse IV voto, de acordo com as Constituições da ordem, não é concedido a todos, mas apenas a um número mais restrito de jesuítas sacerdotes devidamente preparados e provados. Agora, em vista da 32ª Congregação Geral (1974-1975), chegavam a Roma, de todas as partes do mundo, inúmeros pedidos para rever as Constituições sobre esse ponto e para conceder o IV voto indiscriminadamente a todos os membros da ordem, mesmo não sacerdotes. O que era posto em questão, assim, era a natureza sacerdotal de todo o corpo apostólico da Companhia.

Paulo VI, que estava a par desse debate, havia repetidamente expressado o seu parecer negativo, oralmente e por escrito (cf. Carta autografada ao Padre Arrupe, 15 de setembro de 1973. Acta Romana, XVI [1973-1976] 11-15). No dia 3 de dezembro de 1974, na alocução realizada para a abertura da Congregação Geral, ele evitou voltar à candente questão. No entanto, no mesmo dia, encarregou o cardeal Villot de reiterar, por escrito, a sua posição contrária a toda extensão do IV voto, enviando uma carta ao Pe. Arrupe, "para que pudesse mantê-la presente no desenvolvimento dos trabalhos".

Se os Padres congregados tivessem ouvido falar disso, provavelmente os trabalhos na assembleia teriam sido orientados de forma diferente. Em vez disso, a carta foi distribuída apenas no dia 16 de setembro (13 dias depois), quando a assembleia já tinha incluído a questão do IV voto entre os temas a serem abordados na sessão. Por isso, foi grande o estupor de Paulo VI quando, no dia 22 de janeiro de 1975, a Congregação Geral, depois de um amplo debate que durou várias sessões, se declarou, com maioria esmagadora, favorável à extensão do IV voto.

Pessoalmente, eu continuo considerando "inexplicável" o atraso com que a carta do cardeal Villot foi entregue aos Padres congregados. Eu não acho que essa minha posição contraste com a tese do Pe. Álvarez Bolado, como, ao invés disso, ele insinua no seu artigo "A 32ª Congregação Geral" (cf. LA BELLA G. (org.). Pedro Arrupe. Un uomo per gli altri, op. cit., 281, nota 44). Eu também acredito, de fato, que o Pe. Arrupe não tornou conhecida imediatamente a carta do cardeal Villot para não condicionar a liberdade da Congregação Geral, que – de acordo com as Constituições – é soberana nas suas decisões. No entanto, o próprio secretário de Estado era da opinião – como me disse pessoalmente – de que, não dando a conhecer imediatamente essa carta ao Padres congregados, os responsáveis da Companhia tinham cometido um "erro".

De fato, a vontade do Sumo Pontífice – especificava – devia ter sido mantida em mente por todos desde o início da Congregação, tratando-se de uma intervenção feita na sua qualidade de "supremo garante da Formula Instituti [a "Carta" fundamental da Ordem] como Pastor universal da Igreja" e, portanto, superior ao direito próprio da Companhia.

Isso explica o tom duro e entristecido com que Paulo VI se dirigiu à Congregação Geral no dia seguinte, interpretando a sua escolha como adesão fracassada às suas diretrizes. Na realidade, não se tratou de um ato de desobediência, mas de um equívoco lamentável. Certamente, uma vez conhecida a carta do cardeal Villot, os Padres congregados, em obséquio à vontade do papa, poderiam ter renunciado à votação final, limitando-se a transmitir ao papa a ata da discussão (eu mesmo fiz na sala uma intervenção nesse sentido); em vez disso, a maioria dos Padres preferiu aplicar até o fim o método inaciano da repraesentatio. Ela prevê, diante da manifestação da vontade do superior, que se apresentem a ele eventuais dificuldades ou razões para ajudá-lo no discernimento.

Os Padres, por isso, apresentaram ao papa não só as razões prós e contras que emergiram no debate, mas também o resultado da votação (10 votos favoráveis a mais do que a maioria dos dois terços, necessária para mudar um ponto fundamental das Constituições), mas se declarando prontos para aceitar o que ele decidisse. O "erro" foi de não se dar conta de que essa decisão, embora sendo legítima em si mesma, poderia ser interpretada negativamente. Como de fato aconteceu.

O incidente com Paulo VI certamente foi o mais grave e difícil do generalato e da vida do Pe. Arrupe, mas serviu para iluminar melhor a sua grandeza de espírito e o seu amor pela Igreja e pelo papa. Depois de uma noite passada em oração, o Pe. Arrupe fez com que se distribuísse aos Padres congregados uma página escrita por ele, que permanece entre as mais altas do seu generalato. A Congregação Geral – lê-se nela – "reconhece que errou, não tendo entendido o que, em vez disso, se devia entender". Por isso – continua – "encontrarmo-nos no ponto mais profundo da aflição e da humilhação, sentindo que perdemos a confiança daquele a quem votamos fidelidade, que é o princípio e o fundamento do nosso Instituto. Estamos realmente no fundo, porque o que mais amamos e que é a razão da nossa própria existência – isto é, o serviço da Igreja sob o Romano Pontífice – pareceu vacilar, vacilando a sua confiança".

Eu ainda tenho diante dos olhos a imagem do Pe. Arrupe atravessando a sala para chegar ao seu lugar, ligeiramente curvado quase sob o peso da cruz, e ainda sinto o tom humilhado e aflito da sua voz. Todos ficamos emocionalmente envolvidos. No entanto, no fim, tendo retomado o vigor e com o ânimo forte do profeta, ele exortou para não se desencorajar e para evitar dois perigos: "O de querer defender os nossos erros com explicações que, ao menos em parte, poderiam ser certas e o de perder o ânimo diante das humilhações".

O Papa Montini se mostrou grande com a Congregação Geral. No dia 7 de março de 1975, o último dia dos trabalhos, ele quis receber o padre geral para renovar os sentimentos de afeto e de estima pela Companhia. Na mensagem entregue ao Pe. Arrupe, Paulo VI quis repetir, mais uma vez, que tinha sido movido a intervir com dureza por causa do "grande afeto" que ele alimentava pelos jesuítas e confidenciou que tinha lhe causado muito conforto o fato de que os membros da Congregação Geral tinham entendido o significado das suas intervenções e acolhido com bom espírito as suas indicações (cf. Acta Romana, XVI [1973-1976] 452).

Encerrou-se, assim, essa triste página na história da Companhia. O melhor comentário ainda continua sendo o do próprio Pe. Arrupe no testamento espiritual, dado a conhecer no dia 3 de setembro de 1983, no início da 33ª Congregação Geral, que acolheria a sua renúncia, antes de eleger o sucessor: "Durante esses 18 anos, eu não desejei nada mais do que servir ao Senhor e à Igreja com todo o coração. Desde o primeiro ao último momento. Agradeço ao Senhor pelos grandes progressos que eu vi se realizar na Companhia. Certamente houve também defeitos – e acima de tudo os meus –, mas o fato é que houve progressos notáveis: na conversão pessoal, no apostolado, na atenção aos pobres, aos refugiados. É oportuno fazer uma menção especial à atitude de lealdade e de obediência à Igreja e ao Santo Padre [...]. Sejam dadas graças a Deus".

2. A renúncia

O segundo capítulo que eu gostaria de reconstruir brevemente é o da renúncia. No verão de 1980, a notícia "oficial" do "alto lá" de João Paulo II ao Pe. Arrupe, que já tinha "dado os primeiros passos em vista da sua renúncia ao cargo de Superior Geral da Companhia, em razão da idade avançada", chegou a mim em Havana, onde eu tinha sido enviado pelo padre geral para dar um curso de atualização e os Exercícios Espirituais aos jesuítas cubanos.

Quando eu retornei para Roma, o Pe. Arrupe quis me ver, para conhecer as impressões da viagem a Cuba. Assim, eu tive com ele uma longa conversa e aproveitei a oportunidade para tentar saber mais sobre a história da renúncia. A razão da idade avançada, por ele trazida, pareceu-me totalmente insuficiente e claramente "diplomática".

De fato, o Pe. Arrupe tinha 73 anos, mas estava muito bem, em boa forma e desempenhava uma intensa atividade. Como a grande maioria dos provinciais (78 de 83) poderia considerar que só a aproximação dos 75 anos era realmente aquela "grave razão de consciência", exigida pelo 31ª Congregação Geral, para que o superior geral desse início ao procedimento da renúncia? Obviamente, a causa devia ser outra e de bem outro peso. Qual? Eu me persuadi de que, na origem da grave decisão do Pe. Arrupe – primeiro padre geral a renunciar em 450 anos de história da Ordem – estavam, na realidade, as relações difíceis com João Paulo II. Só o pensamento de que pudessem se repetir com ele as incompreensões já ocorridas com Paulo VI o prostrava espiritualmente e o bloqueava.

Assim ao menos me pareceu, ao sair da conversa. Essa minha convicção se reforçou em seguida, quando o Pe. Arrupe quis encontrar os jesuítas das casas romanas na sede da La Civiltà Cattolica para explicar todo o caso. Eu conservo zelosamente a fita cassete com a gravação daquele encontro.

Pois bem, da voz viva do Pe. Arrupe, ficávamos sabendo que o papa, finalmente recebendo-o – depois de muitas insistências e apenas por dez minutos –, no dia 18 de abril de 1980, mostrou-se logo contrário à renúncia e lhe disse para adiar esse momento.

Poucos dias depois, no dia 1º de maio, o papa lhe enviou uma carta, pedindo-lhe explicitamente para suspender o procedimento já iniciado. O padre geral obedeceu prontamente, mas – como decorre da gravação – logo entendeu que, com esse ato de obediência, abria-se para ele um período "obscuro". Como poderia ser de outra forma, quando ele sabia que, no Vaticano, a proposta de um grupo de jesuítas espanhóis que queriam se tornar independentes do resto da Companhia tinha encontrado um certo favor? Como ele deveria ter se comportado ao saber que o papa já pensava em "comissionar" a Ordem?

Não é segredo que, a esse respeito, eu também fui interpelado pelo cardeal Agostino Casaroli, secretário de Estado (cf. LA BELLA G. (org.). Pedro Arrupe. Un uomo per gli altri, op. cit., 941). Eu só posso afirmar que – pelo que ele sabia na época – nunca se pensou seriamente em um comissário não jesuíta (como alguns, em vez disso, andavam dizendo); desde o início, apontaram-se os olhos para o Pe. Paolo Dezza, apesar da sua idade avançada.

Desse período "obscuro", durante o qual, porém, o Pe. Arrupe nunca perdeu a habitual serenidade, eu gostaria de lembrar um episódio do qual eu fui testemunha ocular. Aconteceu no início de 1981, quando foi divulgada pela imprensa a sua carta sobre a "análise marxista", datada de 8 de dezembro de 1980. Ela estava dirigida aos provinciais da Companhia de Jesus na América Latina e, por conhecimento, a todos os superiores maiores da Ordem. Tratava-se de um assunto, então, particularmente delicado, por estar subentendido à controvérsia sobre a teologia da libertação.

Isso explica a ansiedade do padre geral na situação difícil em que ele se encontrava: como reagiria a Santa Sé? Na La Civiltà Cattolica, decidimos publicar o texto integral da carta. Contemporaneamente, ele apareceria também na outra revista dos jesuítas italianos, Aggiornamenti Sociali, então dirigida pelo Pe. Gianpaolo Salvini (cf. La Civiltà Cattolica, 1981 II 49-59; Aggiornamenti Sociali, 3 [1981] 205-216).

Portanto, esperávamos com uma certa apreensão a luz verde do Vaticano, que devia vir à audiência quinzenal com o secretário de Estado. Enquanto isso, eu pensei que era meu dever submeter ao Pe. Arrupe o comentário ao seu texto, não assinado, que eu mesmo tinha preparado. Estávamos falando disso quando me passaram um telefonema urgente de Dom G. Benelli, com a qual o sostituto da Secretaria de Estado me antecipava o imprimatur vaticano. O Pe. Arrupe teve um sobressalto de alegria, que eu nunca me esqueci. Naquele período obscuro, tão incerto para o futuro seu e da Companhia, a aprovação da sua carta sobre o marxismo por parte da Santa Sé teve para ele o efeito de um súbito raio de luz no meio da noite.

No entanto, a situação não se desbloqueou. Ao contrário, a escuridão se tornou mais densa, quando, no dia 13 de maio de 1981, João Paulo II caiu ferido na Praça de São Pedro. Como acabaria todo o caso da renúncia? Três meses mais tarde, no dia 7 de agosto, um derrame imobilizou o Pe. Arrupe para sempre. "A sua renúncia, rejeitada pelo papa – alguém, inspirado, comentou –, foi acolhida por uma Instância Superior."

O resto é conhecido. Do Policlínico Gemelli, João Paulo II, ainda convalescente, manifestou uma bondade e uma paternidade extraordinárias. Depois de um primeiro telegrama bendizente, enviado imediatamente no dia 8 de agosto, o papa encarregou o ´secretário de Estado, cardeal Casaroli, de se dirigir pessoalmente para visitar o padre geral no dia 29 de agosto, levando para ele uma carta autografada muito terna, cujo original tinha sido escrito em polonês.

Ao ouvi-la, o Pe. Arrupe chorou. Porém, uma decisão urgia. Assim, no dia 6 de outubro de 1981, o secretário de Estado voltou ao encontro do Pe. Arrupe com outra carta autografada pelo Santo Padre. Depois das expressões iniciais sinceramente afetuosas, o papa concluía: "A presente doença me fez mais vivamente captar o desejo que o senhor me havia manifestado desde o ano passado de apresentar a renúncia do seu ofício na Congregação Geral [...]. A tal fim, nomeio como meu delegado para a Companhia de Jesus o Pe. Paolo Dezza".

No dia 31 de dezembro de 1981, João Paulo II se dirigiu ao leito do doente. Foi o último encontro com o Pe. Arrupe ainda consciente: "Santo Padre – disse, com um fio de voz –, renovo-lhe a minha obediência e a obediência de toda a Companhia de Jesus". Nessas palavras, está todo o Pe. Arrupe. No centenário do nascimento, eu me lembro dele assim.

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