A imprescindível reabilitação de Pedro Arrupe

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Por: Jonas | 07 Abril 2014

Pedro Arrupe. Um testemunho do século XX, um profeta para o século XXI” recupera a figura carismática do homem que esteve a frente da ordem entre 1965-1983 e cuja pessoa e exemplo continuam vigentes: “Adiantou-se ao seu tempo com potente inspiração, intuição e visão profética”.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 04-04-2014. A tradução é do Cepat.

 
Fonte: http://goo.gl/nu1XzQ  

Uma obra reeditada e enriquecida 25 anos depois. O livro “Pedro Arrupe. Um testemunho do século XX, um profeta para o século XXI”, escrito pelo jesuíta Pedro Miguel Lamet volta a ser reeditado por Mensagero, em abril, com novidades importantes em relação à primeira edição.

A principal são as palavras e as lembranças expressas pelo atual superior dos jesuítas, Adolfo Nicolás, em seu prólogo. Nele traça o perfil de um homem avançado para o seu tempo e cuja pessoa e exemplo continuam vigentes. “Suas convicções e propostas, que nascem da autenticidade de sua vida, respondem mais do que nunca à problemática atual e aos desafios do século XXI”.

Adolfo Nicolás, que assim como ele foi provincial do Japão e passou no Oriente a maior parte de sua vida apostólica, apresenta suas lembranças pessoais, virtudes e convicções: “Vivia o que acreditava, irradiava o que pregava. Estava convencido de que evangelizar, antes que falar, é ser”. Seu mandato (1965-1983) foi um marco na história da Companhia de Jesus com, “palavras cheias de inspiração, de visão profética e de intuição penetrante”.

O jesuíta, poeta, jornalista, romancista e biógrafo Pedro Lamet retoma a biografia que escreveu sobre a vida do padre geral, dedicando-a “aos refugiados, prófugos e drogados de todo o mundo, a quem Pedro Arrupe dedicou suas últimas energias e projetos”.

Na introdução recorda o processo de elaboração e redação daquela que foi a primeira biografia do prepósito. “Sinto-me apenas um mediador entre o leitor e o padre Arrupe”, disse o escritor que reuniu a documentação do protagonista e após a revisão, 25 anos depois, incorpora um amplo material gráfico e dados complementares.

Para isso, serve-se de uma base documentada em ocasiões inéditas, sobretudo no que se refere aos conflitos acalorados durante as duas congregações gerais, a renúncia de Arrupe, sua espiritualidade e aspectos de seu governo nos diversos continentes. “Incorporo os melhores fragmentos do diário pessoal de seu irmão enfermeiro, Rafael Bandera, que lhe atendeu dia e noite, durante quase dez anos de prostração e silêncio”, acrescenta.

Soma, além disso, parte de seu diário de conversas com o padre Arrupe durante o verão de 1983. “Em edições anteriores me calei para responder como merecia a delicadeza com que deixou em minha liberdade e responsabilidade publicá-las ou não: ‘Decida você, de tudo isto, o que convém publicar’”.

Lamet se antecipa a duas objeções. Uma faz referência a se o padre Arrupe carecia de defeitos e argumenta que esses possíveis defeitos constituem para outros suas grandes virtudes. E, por outro lado, se mais do que uma biografia objetiva, escreveu uma hagiografia.  “Não nego que foi escrito com paixão, entusiasmo e proximidade quase jornalística aos fatos. Não se podem ocultar facilmente o amor e a admiração. Porém, ao mesmo tempo, em seguida poderá se apreciar que aqui tudo é contado: os êxitos e os fracassos de Pedro Arrupe; sua otimista visão de mundo e sua noite escura; seu amor e sua dor; sua fé e seu drama; as teses de seus amigos e as de seus inimigos”.

Contudo, esclarece que uma biografia é apenas uma aproximação ao mistério de um ser humano, é mais ainda no caso de um homem de tão intensa atividade e profunda vida interior como o padre Arrupe. “Costumava dizer que ‘a biografia mais interessante é a que se escreve sem tinta’. A afirmação continua sendo verdadeira. Porque, como também dizia Pedro Arrupe, ‘o mais decisivo e importante de uma vida é incomunicável’”.

Lamet confessa que de seus 40 livros publicados este é o que mais satisfações lhe trouxeram. “O contato com a figura de Arrupe mudou a vida de muitas pessoas até o extremo de que, depois de lê-lo, não poucos, segundo me confessaram, optaram por comprometer-se com os pobres e marginalizados de nosso mundo ou seguir a vocação sacerdotal ou religiosa”.

“Acredito – acrescenta o autor – que com o acesso ao pontificado do papa Francisco chegou definitivamente ‘a hora de Pedro Arrupe’”, que lançou a Companhia, como o atual Papa prega, na periferia e nas fronteiras da fé, da justiça e a cultura, recolocando o evangelho no epicentro da Igreja”.

Na atualidade, a figura do carismático padre Arrupe parece renascer após um longo período de marginalização e ocultamento em razão das incompreensões que sofreu em vida por ter lançado a Companhia ao diálogo com o mundo e a luta pela justiça a partir da fé. Hoje as palavras e gestos do papa Francisco, que no último verão acariciou a sua efígie no túmulo da Chiesa del Gesù, em Roma, parecem reivindicá-lo e recolocá-lo em seu lugar na história recente da Igreja.

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