O Papa e o Oriente Médio, de Bari um "apelo à consciência"

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04 Julho 2018

A reunião com os chefes das Igrejas e comunidades cristãs do Oriente Médio que o Papa Francisco terá em Bari, no sábado, será um "apelo à consciência" dos poderosos do mundo para por fim à violência, de acordo com o cardeal Leonardo Sandri, prefeito da congregação para as Igrejas orientais, que apresentou o evento de 7 de julho, lembrando que o terrorismo tem suas vítimas tanto entre os muçulmanos como entre os cristãos e outras minorias de uma região onde - lembrou, por sua vez o responsável vaticano do ecumenismo, Cardeal Kurt Koch - os cristãos em um século passaram de 20% para 4% da população total.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 03-07-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Jorge Mario Bergoglio chegará a Bari de helicóptero, onde será recebido às 8h15 pelo bispo Francisco Cacucci e por autoridades civis, e sua primeira etapa será a Basílica de São Nicolau, onde Francisco e os patriarcas descerão para a cripta para a veneração das relíquias de São Nicolau, e, em seguida, dirigir-se-ão à “rótula” ao longo da orla marítima, de ônibus.

Fachada da Basílica de São Nicolau (Foto: www.around.bari.it)

 

Interior da Basílica de São Nicolau (Foto: www.around.bari.it)

A manhã começará assim. O dia de 7 de julho, explicou o cardeal Sandri no Vaticano, "será composto por dois grandes momentos: a oração na orla marítima, juntamente com os fiéis que desejam participar pessoalmente ou ao vivo pela televisão ", aproximadamente às 9h15, e, de volta à basílica de São Nicolau às 10h30 "o momento de reflexão e escuta recíproca entre o Santo Padre e os líderes das Igrejas e comunidades eclesiais do Oriente Médio, cada um trazendo seu próprio ponto de vista, comentários e sugestões.

Em um discurso introdutório, que foi confiado a D. Pierbattista Pizzaballa, franciscano, administrador apostólico do patriarcado latino de Jerusalém, seguirá um período de intervenções livre. Toda essa parte acontecerá a portas fechadas. Está previsto que o Santo Padre dirija uma palavra no início da Oração pública e no final da reunião, quando serão reabertas as portas da basílica de São Nicolau, e o Papa Francisco com os outros presentes irá para a praça, onde serão soltas pombas entregues a eles por algumas crianças".

Depois da manhã, o papa e os patriarcas almoçam juntos no arcebispado. Francisco se despede por volta das 15h30 e depois retorna ao Vaticano.

Não está prevista uma "declaração final conjunta”, explicou o cardeal ítalo-argentino, “mas as palavras do Papa, especialmente no final do encontro, poderão ser um guia, pontos para configurar um apelo concreto para a situação dos cristãos perseguidos e a falta de paz. O tema do logo desta reunião em Bari é "Sobre ti esteja a paz".

Diretamente não haverá uma decisão concreta, mas esperamos que aqueles que são responsáveis pela situação no mundo e, especialmente nesta região, possam ouvir e seja para eles indiretamente um apelo à consciência para procurar não o abuso e a força da violência, mas a solução política”.

Sandri não descarta para o futuro a possibilidade de um encontro sobre o Oriente Médio, que também envolva representantes muçulmanos e judeus, mas "no presente caso - disse – a intenção foi enfatizar a solidariedade entre os cristãos em relação à situação no Oriente Médio”, o que “não significa excluir outros que não sejam cristãos no desejo pela paz”. E, além disso, "todos nós sabemos - disse Sandri - que as vítimas do terrorismo ou violência não são selecionadas: todos sofrem quando há esse discurso do ódio e de violência, quando é profanado o nome de Deus, que é paz, tantas também são vítimas de crentes islâmicos e cristãos, yazidis, de diferentes credos: a viagem do Papa ao Egito com a visita a al-Azhar foi um gesto de grande eloquência sobre esse comum pertencimento ao ser humano, à natureza humana, e ao sofrimento comum e danos à dignidade da pessoa humana pelos atentados que atingem tanto os cristãos como os muçulmanos".

O Oriente Médio, "a terra das origens, é também uma das regiões do mundo onde a situação dos cristãos é mais precária; devido a guerras e perseguições famílias abandonam sua pátria histórica para buscar um futuro melhor", disse o cardeal presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. "O percentual de cristãos no Oriente Médio caiu drasticamente no espaço de um século: enquanto representavam 20% da população do Oriente Médio antes da Segunda Guerra Mundial, agora são apenas 4%. Região martirizada, o Oriente Médio é também um lugar onde as relações ecumênicas são mais fortes e promissoras, especialmente entre ortodoxos e católicos" afirmou Koch, que depois indicou três dimensões: o ecumenismo de vida, ou seja, aquele "concreto e vivido diariamente "pelos cristãos do Oriente Médio, como disse o Papa Francisco, o ecumenismo da santidade, pois "a difícil situação no Oriente Médio é uma chamada à santidade e uma promessa de unidade" e, finalmente, conceito caro a Jorge Mario Bergoglio desde o início do Pontificado, o ecumenismo do sangue: "Aqueles que matam por ódio à fé, perseguem os cristãos, não perguntam se eles são ortodoxos ou católicos; são cristãos. O sangue cristão é o mesmo", disse o Papa no Santo Sepulcro de Jerusalém com palavras citadas pelo cardeal suíço que notou como o conceito foi retomado ao longo dos anos pelas várias declarações conjuntas que Francisco assinou com Bartolomeu (2014), Karekin (2016), Kirill (2016) e Tawadros (2017).

Koch concluiu seu discurso recordando quatro "princípios" básicos: primeiro, "os cristãos permanecerão no Oriente Médio somente se a paz for restaurada", segundo "não é possível imaginar um Oriente Médio sem cristãos, não só por razões religiosas, mas também políticas e sociais", terceiro "os cristãos não querem ser uma ‘minoria protegida’ e bem tolerada. Eles querem ser cidadãos cujos direitos são defendidos e garantidos, juntamente com todos os outros cidadãos" continuou o cardeal, citando o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, e, por fim, "é uma necessidade urgente continuar o diálogo inter-religioso".

Participam da jornada de Bari, para as Igrejas Orientais, o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, o Metropolita Hilarion representando o Patriarca russo Kirill, o Patriarca grego-ortodoxo de Alexandria e de toda a África Theodoros II, o Arcebispo Nektarios representando o Patriarca grego-ortodoxo de Jerusalém, o Metropolita Vasilios representando o Arcebispo de Chipre. Depois, estarão presentes para as Igrejas Orientais Ortodoxas Tawadros II, Papa de Alexandria, Aphrem II, Patriarca siríaco ortodoxo de Antioquia, o bispo Hovakim representando o Catholicos armênio Karekin II e o Catholicos de Cilícia Aram I, bem como o patriarca da Igreja Assíria do leste Gewargis II. Para as Igrejas católicas orientais, estarão o patriarca de Alexandria dos Coptas Ibraham, o patriarca de Antioquia dos Sírios Ignace Youssif III, o Patriarca maronita Cardeal Becerra Boutros Rai, o Arcebispo Metropolita de Aleppo Jean-Clément Jeanbart representando o Patriarca melquita de Antioquia, o patriarca caldeu cardeal Louis Sako, o Patriarca armênio da Cilícia Krikor Bedros XX e o administrador apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa.

Em Bari, por fim, estarão também o bispo luterano Sani Ibrahim Azar e a secretária-geral do Conselho de Igrejas do Oriente Médio Souraya Bechelany. O Cardeal Gualtiero Bassetti, presidente da CEI, e o cardeal Angelo Bagnasco, presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) foram solicitados a sensibilizar a comunidade católica para o evento.

Um telefonema nos últimos meses sobre a Síria entre o Papa e o Patriarca russo Kirill, acontecido poucos dias antes do anúncio do encontro de Bari, relatou Koch, foi "mais um momento, mas não a causa, a razão” de um encontro já preparado há “longo tempo” e solicitado no passado por “muitos patriarcas e chefes das Igrejas”.

De modo mais geral, "estamos felizes que também a Igreja Ortodoxa Russa esteja preocupada com a situação" dos cristãos no Oriente Médio.

Sandri apontou que na recente audiência na Reunião Obras de Ajuda Igrejas Orientais (ROACO), o Papa, deixado de lado o texto escrito, "recorreu a um de seus tão belos improvisos cheios de espírito profético, falando também dos homens ricos: como fala o cardeal Koch, a primeira condição do ecumenismo e da vida da Igreja é a própria conversão, ser testemunhos não só com palavras, mas com a vida. Isso se aplica a todos e nós católicos a devemos aplicar em primeiro lugar em nós mesmos, mas podemos dizer que não vale para os ortodoxos?, o que não vale para os muçulmanos?, que podemos desprezar os outros? ou para os judeus? Todos podemos ser sujeito de egoísmo e, ao mesmo tempo, podemos responder a esse apelo para servir aos outros".

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