“O diálogo inter-religioso é fundamental no Oriente Médio”. Entrevista com o arcebispo Pierbattista Pizzaballa

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24 Maio 2017

O fato de ter compreendido que o diálogo entre as religiões é uma peça fundamental no mosaico do Oriente Médio “é um passo importante e positivo”. O arcebispo Pierbattista Pizzaballa, administrador apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, comentou com o jornal italiano La Stampa o discurso do presidente dos Estados Unidos em Riad.

A entrevista é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 23-05-2017. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Trump relançou o diálogo entre muçulmanos, hebreus e cristãos para solucionar o drama vivido pelo Oriente Médio. O que lhe parece?

O fato de que a política tenha compreendido que o diálogo entre as religiões é uma peça fundamental no mosaico do Oriente Médio é um passo importante e positivo. No passado, o elemento religioso era desconsiderado, porque se acreditava que era elemento de divisão. Em parte, infelizmente, é verdade, mas, por isso mesmo também é significativo incluir o contexto religioso, embora tudo se torne mais difícil.

Há possibilidades concretas?

Devemos evitar reduzir o diálogo inter-religioso a declarações-slogans sobre a paz, que não tocam a vida real. Infelizmente, muitas vezes é assim. E é necessário que todos os líderes religiosos saibam interrogar-se sobre suas responsabilidades na criação de uma mentalidade de respeito recíproco. Neste contexto, a aliança com as nações árabes-muçulmanas contra o terrorismo não pode enfrentar sua precisa e específica responsabilidade de fazer algo realmente, de perguntar e se perguntar como e de onde nasce o fundamentalismo que está contaminando as nações. Se o diálogo inter-religioso não se interroga sobre a vida real dos próprios fiéis e dos problemas concretos, converte-se em um slogan, que não é necessário e, além disso, torna-se irritante.

Com a viagem de Trump à Arábia Saudita ele identificou no mundo sunita o interlocutor mais adequado para este diálogo. Por que esta decisão?

O mundo sunita representa quase 80% do mundo muçulmano. Está claro que se se quer falar com o mundo muçulmano, é preciso começar por aí. A Arábia Saudita, como se sabe, tem uma influência extraordinária no mundo sunita, tanto porque os principais Lugares Santos encontram-se em seu território, como porque com seus recursos econômicos influi enormemente em todos os países do Oriente Médio. Entretanto, penso que o motivo da primeira visita a esse país tem a ver, em primeiro lugar, com os vínculos tradicionais e econômicos que os Estados Unidos têm com a Arábia e com o desejo, penso, de redefinir a política da nova administração estadunidense no Oriente Médio.

Poderiam os sauditas exercer um papel na resolução do conflito entre israelenses e palestinos e na antiga questão de Jerusalém?

Espero que sim. Dada a sua forte influência no mundo árabe, os sauditas poderiam exercer um papel importante na pacificação entre os países árabes e Israel. A solução para o conflito entre israelenses e palestinos, de fato, não se esgota apenas dentro das fronteiras dos dois países, mas requer uma perspectiva muito mais ampla; basta recordar a questão dos refugiados palestinos, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, tudo isso fica bloqueado, caso não se identificar, contemporaneamente, soluções concretas entre israelenses e palestinos, o que neste momento não consigo enxergar no horizonte. Espero estar equivocado.

É uma novidade o fato de que um presidente estadunidense visite os Lugares Santos cristãos?

No passado, Bush visitou Cafarnaum, Obama visitou a Basílica de Belém e agora Trump o Santo Sepulcro. O fato de que um presidente visite um lugar santo não é nenhuma novidade. Normalmente, preferia-se entrar no Santo Sepulcro, devido às complicações políticas. Sua determinação de querer ir de qualquer maneira é positiva. Veremos quais desdobramentos terá no futuro.

A Comissão Justiça e Paz dos bispos da Terra Santa recordou que “a situação política em Israel e na Palestina está longe de ser normal”. Que significado tem esta postura?

Penso que a comissão quer chamar a atenção de todos para a questão de Jerusalém, para que não se aceite inconscientemente a política dos fatos consumados. Como Igrejas cristãs, seja como for, devemos nos comprometer mais para falar da Jerusalém cristã e ser capazes de um discurso atual no sentido da nossa presença aqui, como cristãos, e para expressar por que a Jerusalém terrestre ainda é importante para nós e para a nossa fé hoje. É o desafio que nos aguarda nos próximos anos.

O que espera do encontro entre Trump e o Papa?

Espero que haja declarações e compromissos para trabalhar juntos e que possam identificar as prioridades sobre as quais será preciso trabalhar nos próximos anos.

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