Declaração do Papa Francisco de que "Deus te fez assim" a homem gay provoca reações diferentes

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29 Maio 2018

A notícia de que o Papa Francisco disse a um homem gay que sofreu abuso sexual do clero que "Deus te fez assim” causou reações diversas. Segue uma amostra de opiniões de líderes católicos e LGBTQ.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 27-05-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Marianne Duddy-Burke, diretora-executiva da DignityUSA, escreveu no The Advocate que caso os comentários do Papa não sejam esclarecidos ou retirados, "pode ter sido aberta a porta para mudanças significativas na doutrina católica sobre homossexualidade e identidade de gênero". E acrescentou:

"O Papa dizer que Deus criou um indivíduo enquanto homossexual vai muito além de instrução pastoral de acolhimento, como muitos estão caracterizando a conversa. Define uma nova base para a doutrina católica sobre a orientação sexual que é muito diferente do que o que a tradição tem afirmado... Isso requer uma profunda reforma da doutrina católica atual sobre a homossexualidade, que é desumana e degradante. Muitos acham uma total contradição com o ensinamento de Jesus. E como já vimos várias vezes, os líderes da Igreja e os católicos comuns também lutam com suas implicações quando se dedicam a conhecer pessoas LGBTQI e ouvir nossas histórias. O encontro do Papa com Juan Carlos Cruz parece ser outro exemplo em que a experiência de se conhecer pessoalmente numa atmosfera de escuta de coração aberto e respeito foi transformador".

Mas a Reverenda Irene Monroe, teóloga e lésbica, desafiou o argumento de Duddy-Burke no site de notícias San Diego Gay & Lesbian News:

"No entanto, não interpreto o momento pastoral de Francisco com Cruz como tendo alguma ramificação que transforme os dogmas, porque ele já mudou de ideia muitas vezes conosco, assim como em relação aos escândalos de abuso... O Papa Francisco parece um grande vira-casacas da atualidade. Ele tem falas contraditórias - primeiro, defende o padre abusador, e agora defende a vítima. Ora abraça a comunidade LGBTQAI, ora não abraça. Sua conduta pastoral encobre o braço de ferro da igreja burocrática que ele representa... Dizer que abraça nossa comunidade - em privado ou publicamente - não basta para Francisco. Também é preciso fazê-lo".

Francis DeBernardo, diretor executivo do New Ways Ministry, disse, numa declaração:

"Se forem verdade, os comentários representam uma mudança significativa no discurso oficial católico sobre questões LGBT. Em vez da forma mais passiva de 'quem sou eu para julgar?', o Papa está expressando uma afirmação muito mais forte sobre gays e lésbicas do que ele e qualquer outro papa ou autoridade do Vaticano já tenha feito... Nossa esperança, porém, é que o Papa Francisco dissesse essas palavras publicamente, não apenas no contexto de uma conversa privada. As pessoas LGBT precisam ouvir esta mensagem sendo proclamada, não apenas sussurrada. Se fosse declarada publicamente, uma mensagem como essa faria um bem imenso à cura e reconciliação com tantas pessoas afastadas da Igreja por questões sobre sexualidade".

DeBernardo também disse ao Salon que, apesar de boa, a declaração "não muda a doutrina da Igreja", mas mostra a disposição do Papa Francisco de dialogar e aprender com as pessoas LGBT. Acrescentou, ainda, que o Papa não tem "um bom domínio da ciência" em relação a transgeneridade.

Outros criticaram o Papa muito mais. Nico Lang escreveu no Into que "cada passo que o Papa Francisco tenta dar para frente só obscurece os dois que já deu para trás".

Bobby Finger, que teve uma criação católica, disse o seguinte, no Jezebel:

"O atual líder da Igreja dizer a um homem gay que sofreu abuso sexual por um padre quando era criança que, quer saber, não importa o que te dissemos a vida toda, parece menos louvável e consciente do que uma vida de tormento desprezível. É um passo legal, mas não apaga o histórico de abuso sistemático. Portanto, antes de começar elogiando o Papa mais uma vez por se comportar como o que deveria ser uma base absoluta de decência humana, não vamos esquecer onde ele trabalha e o dano muitas vezes irreparável, apesar de inconsciente, gerado aos gays durante séculos — incluindo o atual".

Jay Michaelson, no The Daily Beast, apresentou uma avaliação mais positiva.

"Não foi apenas uma declaração gentil a uma pessoa gay; foi incentivar cada gay vítima de abuso sacerdotal a se posicionar assim como Cruz... A declaração do Papa Francisco desafia mais uma vez os católicos tradicionalistas, já horrorizados com a declaração anterior de 'quem sou eu para julgar' um homossexual e seus vários depoimentos de que o capitalismo irrestrito é maligno”.

"Mas a palavra do Papa Francisco não é lei. Nada mudou na doutrina católica. A homossexualidade ainda é 'intrinsecamente desordenada'. Ainda não há padres abertamente gays, nenhuma organização católica oficial sobre homossexualidade e certamente não há casamento homossexual. Há uma grande lacuna entre o que o Papa Francisco disse e o que os defensores LGBT exigem”.

"Mas 'Deus te fez assim' é mais do que 'quem sou eu para julgar'. É uma afirmação, não uma negação. E qualquer que seja seu impacto doutrinário, já comoveu muitos católicos gays. E atendeu às suas preces".

Por fim, Tisha Ramirez declarou no Preen que a recente frase do Papa sobre homossexualidade foi um pequeno passo, lembrando os leitores de onde realmente vem a mudança na Igreja Católica: "Isso também mostra que não podemos confiar sempre nas instituições para operar mudanças, temos que fazer parte dela também".

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