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10 Agosto 2017

A comunidade católica deveria agradecer ao jesuíta Pe. James Martin por ter escrito Building a Bridge: How the Catholic Church and the LGBT Community Can Enter into a Relationship of Respect, Compassion, and Sensitivity (Construindo uma ponte: como a Igreja Católica e a Comunidade LGBT podem entrar em um relacionamento de respeito, compaixão e sensibilidade). Por muitos anos, católicos LGBT ficaram à margem da nossa comunidade, convidando a este diálogo. Este livro rompeu barreiras, abrindo uma nova porta para fazer perguntas importantes sobre a inclusão de católicos LGBT na Igreja, e essas oportunidades devem ser aproveitadas.

O editorial é da publicação National Catholic Reporter, 09-08-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O livro de Martin exorta os líderes da Igreja e os católicos LGBT a se unirem em diálogo. Usando a linguagem do Catecismo da Igreja Católica, convida ambos os lados a tratar uns aos outros com "respeito, compaixão e sensibilidade". É um ótimo conselho, e aqueles na hierarquia que tiverem esse alcance - o cardeal Joseph Tobin, de Newark, Nova Jersey, e o bispo Patrick McGrath, de San Jose, Califórnia, para citar apenas dois - precisam do nosso apoio.

Inescapáveis no projeto de construção dessa ponte, no entanto, são as questões mais profundas que não podem ser desconsideradas. Será que pode haver diálogo suficiente para se chegar a uma Igreja verdadeiramente inclusiva? Sem uma mudança nos ensinamentos da Igreja sobre sexo e sexualidade, as pessoas LGBT podem ter esperança de ser tratadas com igualdade e justiça pela hierarquia?

Há bons precedentes para o desenvolvimento da ética sexual da Igreja, principalmente nos últimos 50 anos. Durante séculos, a doutrina católica insistiu que a procriação era a única justificativa para o ato sexual e que a sexualidade era fundamentalmente desordenada. Esses ensinamentos foram questionados e modificados em meados do século XX, nos documentos do Concílio Vaticano II e na encíclica do Papa Paulo VI Humanae Vitae. Hoje, a Igreja reconhece que o sexo entre homem e mulher dentro do vínculo sacramental do matrimônio pode ser fonte de alegria e prazer tanto para o corpo como para o espírito.

Mas a doutrina também sustenta que existe uma conexão indissolúvel entre o significado procriativo e o ato unitivo do ato sexual. Portanto, de acordo com o catecismo, todo ato sexual entre duas pessoas casadas deve "por si estar aberto à transmissão da vida" (2366). Esta "norma procriadora" remonta a mais de 1.500 anos, à época de Agostinho, que desenvolveu a ideia em resposta à crença na natureza pecaminosa e incontrolável da excitação sexual.

Hoje, a norma procriadora é uma das razões fundamentais pelas quais a Igreja continua se opondo às relações homossexuais. Mas, na realidade, essa doutrina tem consequências de longo alcance para todos os católicos, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero.

Muito se discute sobre o ensino da Igreja de que as relações homossexuais são "intrinsecamente desordenadas", mas usa-se uma linguagem igualmente dura para outras transgressões sexuais dessa norma procriadora. Por exemplo, o catecismo declara que toda ação usada para impossibilitar a concepção, como o uso de anticoncepcionais, é "intrinsecamente má" (2370). O catecismo também condena a masturbação como uma "ação intrínseca e gravemente desordenada" porque "o uso deliberado da faculdade sexual fora das normais relações conjugais contradiz a finalidade da mesma" (2352).

Um exemplo, em Springfield, Illinois, é a lista dos católicos que o bispo Thomas Paprocki sugere que não se apresentem para a santa comunhão.

As objeções expressas da Igreja institucional ao casamento homossexual muitas vezes mascaram o fato de que seu ensino se opõe fundamentalmente a atos sexuais nos quais a maioria dos seres humanos se envolve. A Igreja condena qualquer ato sexual - inclusive entre pessoas casadas - que não respeite a norma procriadora. Portanto, na realidade, poucos católicos estão de acordo com as normas morais da Igreja a respeito da atividade sexual.

Por mais rigorosos que sejam esses ensinamentos, outras questões relacionadas a relações sexuais permanecem pouco claras e pouco desenvolvidas, como as posições da Igreja sobre o divórcio e as novas uniões, a vida como solteiro e o celibato.

Se bispos como Paprocki expressassem mais sua oposição à masturbação, à fertilização in vitro ou à vasectomia, como fazem com o casamento homossexual, talvez mais católicos percebessem a urgência de repensar a ética sexual da Igreja como um todo.

Incentivamos fortemente o diálogo entre leigos e líderes católicos em relação a todas as questões da esfera sexual. Mas também reconhecemos que o diálogo pode ter limitações, principalmente se os líderes não demonstrarem uma abertura ao desenvolvimento do ensino da Igreja sobre sexo e sexualidade.

Pedimos aos bispos que continuem o trabalho para desenvolver a doutrina da sexualidade, que começou no Vaticano II e foi em grande parte paralisado por falta de vontade da hierarquia de flexibilizar a interpretação rígida de ideias de milênios atrás sobre jusnaturalismo e a regra da procriação.

Claro, o trabalho continuou fora dos muros do Vaticano, liderado por teólogos da moral católica que passaram as últimas quatro décadas desenvolvendo novas estruturas para a moralidade sexual e as decisões éticas, com base na compreensão evolutiva da sexualidade. Infelizmente, os que mais contribuíram para aprofundarmos a compreensão da ética sexual, como Pe. Charles Curran e a Irmã Margaret Farley, foram silenciados ou seu trabalho foi condenado por bispos e pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Se realmente estamos vivendo uma nova cultura de encontro na Igreja, talvez seja hora de o Vaticano envolver esses teólogos e éticos católicos em um diálogo construtivo sobre os frutos de suas investigações éticas. Enquanto a Igreja não estiver disposta a se envolver em uma reavaliação profunda da doutrina sobre sexualidade e relações sexuais, qualquer diálogo sobre a inclusão das pessoas LGBT ou sobre o divórcio e as novas uniões será impossível.

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