A reinvenção política no Brasil contemporâneo à luz das experiências latino-americanas

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 26 Maio 2018

Reinventar a política e os caminhos da esquerda perpassam além de projetos de campanha eleitoral para outubro. A década de 2000 resultou na ascensão de governos latino-americanos que se fortaleceram como oposição das políticas neoliberais dos anos 1990. Governos que foram chamados de "esquerda" ou  “progressistas” constituíram políticas controversas. O novo prisma político dos anos 2000 construiu perspectivas diferentes, mas para o professor Lucas Henrique da Luz “não houve viradas de paradigma que pudessem levar a superação da lógica aceleracionista, continuou-se com um paradigma desenvolvimentista intenso, acelerando a vida, a economia, a política, etc., como sendo este o único caminho”.

O professor Lucas é um dos coordenadores do 3º Ciclo de Estudos — A esquerda e a reinvenção da política no Brasil contemporâneo: limites e perspectivas, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU no decorrer de 2018, que objetiva analisar transdisciplinarmente as possibilidades e limites da reinvenção política do Brasil contemporâneo, enfocando principalmente o ser e fazer da esquerda no país. Na segunda-feira, 28-5-2018, o Ciclo de Estudos terá como discussão A reinvenção política no Brasil contemporâneo à luz das experiências latino-americanas, na Sala Ignacio Ellacuría, na Unisinos, em São Leopoldo/RS. O evento terá como conferencistas Eduardo Gudynas, Raúl Zibechi, Pablo Míguez e Pablo Ortellado.

O fim da disputa de blocos ideológicos da Guerra Fria fortaleceu a perspectiva de organização regional. Os EUA assumem com o fim da União Soviética como polo único do poder militar, econômico e político. A reorganização dos Estados pós-Guerra Fria inclinou-se ao favorecimento da ordem liberal hegemônica. Na América Latina governos como Alberto Fujimori, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor, Carlos Menem, Carlos SalinasCarlos Andrés Perez conduzem a política doméstica a uma guinada de privatizações e aberturas para investimentos externos. Assim as políticas externas regionalistas orientam para uma maior cooperação comercial, por redução de tarifas e mercados articulados em conjunto. O regionalismo introduz uma identidade com base no comércio. Nesse contexto começam a criar destaque as organizações como o Mercosul e o NAFTA.

As políticas neoliberais geraram graves crises nos países da América do Sul, elevando a miséria e a fome no continente. O fracasso neoliberal fortaleceu a oposição para o avanço da sua base política. Nos anos 2000, o cenário eleitoral do continente toma outro rumo, e a constituição dos governos outra identidade. Entretanto, para o cientista político uruguaio Eduardo Gudynas: “É indispensável saber diferenciar entre a esquerda e o progressismo atual. Os progressismos, como o PT do Brasil, a Alianza PAÍS do Equador, a Frente Ampla do Uruguai, o MAS [Movimento para o Socialismo] da Bolívia, são um tipo de esquema político diferente da esquerda que lhes deu origem. Esquerda e progressismo são hoje, na América Latina, duas coisas diferentes”, afirmou em entrevista ao IHU On-Line, em 2017.

Eduardo Gudynas é defensor de uma nova política latino-americana pós-extrativista, isso é, a superação de uma economia sustentada pela apropriação de recursos naturais para exportação. Segundo o professor os governos dos anos 2000 não assumiram tal objetivo: “Um aspecto chamativo na análise comparada é que tanto os governos conservadores como os progressistas foram extrativistas. De diferentes maneiras, porém repetiram o mesmo uso intensivo dos recursos naturais. Ninguém quebrou esse padrão de se basear na exploração da natureza”, afirmou em entrevista ao jornal colombiano El Espectador, em 21-5-2018.

Para Raúl Zibechi o progressismo define-se por “um ciclo de altos preços das commodities que permitiu aos governos melhorar a situação dos pobres sem tocar nos interesses dos ricos. Isso funcionou uns poucos anos, digamos até 2008-2010, e a partir deste momento com a caída dos preços das exportações, todo o galpão começa a tremer, já não há superávits, começam a escassear os recursos para seguir melhorando a situação dos setores populares e a direita toma a frente”, definiu em entrevista especial que será publicada na íntegra na próxima edição da revista IHU On-Line.

Nos anos 2000 novas percepções de regionalismo também foram desenvolvidas, com fins que perpassam as políticas públicas, à infraestrutura e à defesa. O Mercosul recebe novos mecanismos para além do comércio e novos organismos como a Unasul e Celac foram criados. Entretanto esse projeto falhou. Zibechi em artigo publicado pela revista uruguaia Brecha, em 27-4-2018, apresenta três motivos para os fracassos do progressismo no âmbito da integração regional:

1. As economias são complementárias;

2. O colapso das burguesias latino-americanas com os escândalos de corrupção desvelados;

3. Não há um projeto forte de interesses regionais, nem nacionais. A consequência evidente da derrocada regionalista é a estagnação e saída de seis países da Unasul, que segundo o autor “era o projeto mais ambicioso de integração regional”.

A análise regional é de extrema importância para a compreensão dos fatores domésticos do Brasil contemporâneo. O avanço de governos de direita e de ideologias autoritárias são componentes da estrutura do sistema internacional, o qual permite maior interação entre países geograficamente próximos. O professor Lucas Henrique da Luz aponta os conferencistas uruguaios como “conhecedores das suas realidades locais e da América Latina, bem como do contexto global e do Brasil. Dessa forma, conseguem fazer esta análise com um paradigma complexo e, portanto, mais contextualizado, capaz de inspirar reinvenções”.

A proposta do ciclo de repensar a política e em especial o ser e fazer da esquerda latino-americana e brasileira, necessita da análise crítica, de formação temporal e processual das políticas desenvolvidas na última década. “O enfoque não é apenas na forma ‘tradicional’ de fazer política, mas na potência da diversidade de movimentos e culturas e no (re)inventar espaços e formas de participação e, quem sabe, a política, para que esta potência não seja perdida”, explica Lucas.

A reconstrução da ação política da esquerda brasileira é um dos argumentos defendidos constantemente por Pablo Ortellado. Em março de 2017, em entrevista ao IHU On-Line, o professor afirmou: “Acredito que a experiência do governo do Partido dos Trabalhadores já mostrou seus limites: trouxe alguns avanços sociais, políticas sociais e alguma melhoria econômica para os mais pobres, mas mostrou limites muito claros. O passo seguinte deveria ser um processo de renovação da esquerda em busca de alternativas que pudessem nos levar um pouco mais adiante”.

Ortellado contesta a atuação e a capacidade da esquerda brasileira de efetivar seus projetos na atualidade. Os percalços dos últimos governos parecem ser retomados sem a criatividade de entender as novas demandas e formas de organização. “As forças dominantes da esquerda brasileira deixaram de sonhar e deixaram de inspirar. Elas não têm mais um discurso de futuro, mas de completar o que tentaram no passado”, afirmou em artigo publicado em setembro de 2017.

3º Ciclo de Estudos — A esquerda e a reinvenção da política no Brasil contemporâneo

Diante da realidade brasileira atual, ou seja, frente ao Brasil contemporâneo, percebe-se que há realmente um triplo esgotamento, como afirma Safatle (2016): esgotamento de uma era histórica; de um modelo de desenvolvimento; e da esquerda brasileira. Segundo o mesmo autor, esgotou-se, aquilo que se convencionou chamar de Nova República, inaugurada no Brasil pós-ditadura, caracterizada por um regime de acomodação e integração dos setores que haviam apoiado o regime militar. E, ao invés de a esquerda romper com esse modelo, o adotou como modo de governo a aliança com os núcleos empresariais, transformando-se em um grande modelo de gestão da corrupção institucionalizada, o que levou ao próprio esgotamento.

Confira neste link o site do evento com a programação completa e faça sua inscrição.

Palestrantes

Eduardo Gudynas é ambientalista e pesquisador vinculado ao Centro Latino-Americano de Ecologia Social – CLAES, do qual é secretário-executivo. Ele tem formação pela Faculdade de Medicina da Universidade da República – UDeLaR, do Uruguai, e já exerceu a função de professor visitante em diversas universidades da América Latina e dos Estados Unidos.


Raúl Zibechi é escritor, jornalista e pensador-ativista uruguaio, dedicado ao trabalho com movimentos sociais na América Latina. Foi membro da Frente Revolucionária Student - FER, grupo de estudantes ligados ao Movimento de Libertação Nacional - Tupamaros. Em meados dos anos 1980, começou a publicar artigos em revistas e jornais de esquerda (Página Aberta, Egin, Libertação) e meios de comunicação da América Latina (Pagina/12, Argentina, e Mate Amargo, Uruguai).


Pablo Míguez é economista, cientista político e doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires — UBA. Docente do curso de Ciência Política, da Faculdade de Ciências Sociais da UBA. Pesquisador do Instituto de Indústria da Universidade Nacional General Sarmiento e do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas — CONICET e leciona como convidado em cursos de mestrado e doutorado em diversas universidades argentinas.


Pablo Ortellado é doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo — USP. Atualmente é professor do curso de Gestão de Políticas Públicas, orientador no programa de pós-graduação em Estudos Culturais e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação - Gpopai, todos na USP.

Programação

28 de maio de 2018 (segunda-feira) - Sala Ignácio Ellacuría e companheiros — Unisinos São Leopoldo
A reinvenção política no Brasil contemporâneo à luz das experiências latino-americanas

8h30min – Início do Credenciamento

8h50min – Abertura

9h às 10h30min – A modernidade viscosa latino-americana e a reinvenção política
Prof. Dr. Eduardo Gudynas – Centro Latino Americano de Ecología Social – CLAES – Uruguai

10h30min às 11h – Debate

11h às 12h15min – Populismo pós-estrutural e multidão. Possibilidades à reinvenção política brasileira e latino-americana
Raúl Zibechi – Uruguai

12h15min às 12h35min – Debate

12h35min às 14h – Intervalo

14h às 15h30min – O contexto latino-americano e a reinvenção da política e da esquerda
Prof. Dr. Pablo Miguez – Universidad de Buenos Aires – UBA – Argentina

15h30min às 16h – Debate

16h15min às 17h30min – O cenário político e da esquerda no Brasil à luz do contexto latino-americano
Prof. Dr. Pablo Ortellado – USP

17h30min às 18h – Debate

18h15min às 19h15min – Apresentações de trabalhos científicos

Confira as palestras que já ocorreram em 2018:

22 de março de 2018
O momento brasileiro e a reinvenção política. Limites e possibilidades – Palestra de Diego Viana
O liberalismo que se reinventa e revela esgotamento de um sistema político

09 de abril de 2018
Novos desenvolvimentismos no Brasil. Tendências e desafios para a economia brasileira – Palestra de Ricardo Carneiro
Investir para sair do buraco negro da economia

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