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18 Outubro 2017

Era só um documento de duas páginas. Sem fontes nem estudos. Mas o poderoso conselheiro comercial da Casa Branca, Peter Navarro, deixou-o cair sobre a mesa para amparar sua tese. Como num apocalipse portátil, o suposto relatório concluía que um enfraquecimento do setor industrial conduziria os Estados Unidos não só ao fechamento de fábricas e à redução de salários, mas também a uma maior mortalidade, aumento do consumo de opiáceos, mais divórcios, abortos, crime, encarceramentos, pobreza infantil, violência de gênero, infertilidade... O pesadelo conservador condensado em duas folhas e vinculado às voláteis negociações com a Coreia do Sul e ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês).

A reportagem é de Jan Martínez Ahrens, publicada por El País, 18-10-2017.

O documento, revelado pelo jornal The Washington Post, foi distribuído há um mês por Navarro a técnicos e assessores da Casa Branca, mostrando a profunda ideologização assumida pelos EUA na sua discussão sobre o NAFTA, um acordo que está na corda bamba desde que Donald Trump assumiu a presidência, e que nesta terça-feira chegou ao final da sua quarta rodada sem avanços e sob o temor de que possa explodir a qualquer momento.

O fracasso jogaria por terra 23 anos de intensa atividade e liquidaria um espaço de livre comércio, envolvendo Estados Unidos, México e Canadá, que move 1,2 trilhão de dólares por ano. Seria um terremoto econômico para o México e possivelmente uma sacudida para Washington, mas em termos políticos reforçaria como nunca o isolamento de Trump e o projetaria perante suas bases como o paladino dos interesses norte-americanos. Um benefício eleitoral de curto prazo que o presidente, obcecado com sua reeleição, já buscou ativar ao se desligar do pacto global contra a mudança climática e ao romper o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica.

Neste cenário, o documento que Navarro fez circular, com sua obsessiva combinação de medo e sensacionalismo, representa com perfeição o setor mais radical da Casa Branca. Não se trata apenas da leviandade das suas colocações em assuntos com repercussões globais, mas também do rechaço a qualquer postura que não se incline pela doutrina do patriotismo econômico. Pletórica nos primeiros meses de mandato, essa fração sofreu um terrível golpe com a queda de seu líder espiritual, o tenebroso estrategista-chefe Steve Bannon. Mas não desapareceu. Além de o próprio presidente ser um de seus membros mais destacados, ainda restam sobreviventes de enorme poder – entre eles o radical e polêmico Peter Navarro, um ser atormentado pelo déficit comercial dos EUA (502 bilhões de dólares em 2016), defensor da via punitiva com a China e a Alemanha e inimigo do NAFTA.

Navarro, contudo, viu sua margem de manobra ser reduzida. Desde a defenestração de Bannon, precisa enfrentar a crescente influência do chefe do Conselho Econômico Nacional, Gary Cohn. Ex-diretor do Goldman Sachs e homem forte de Wall Street na Casa Branca, Cohn se mostrou um político forte, capaz de corrigir os rumos do Trump e defensor de linhas mais pactuadas. Sua ascensão é, na verdade, uma das últimas salvaguardas do NAFTA. Esse inferno ao qual os seguidores de Bannon querem pôr fim o quanto antes.

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