A Igreja da Alemanha desmente que Roma tenha vetado a proposta da intercomunhão

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20 Abril 2018

O porta-voz da Conferência dos Bispos da Alemanha, Matthias Kopp, afirmou com toda clareza que as informações sobre um suposto veto do Vaticano à proposta de ‘intercomunhão’ dos bispos alemães são “falsas”. Além disso, a Igreja alemã informou que o cardeal Marx irá a Roma para ter uma “conversa” com o Papa Francisco sobre essa possibilidade.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 19-04-2018. A tradução é de André Langer.

Desse modo, Kopp reagiu às notícias que indicavam que a Congregação para a Doutrina da Fé teria vetado o plano de subsídio pastoral para que cônjuges protestantes de fiéis católicos comungassem “em casos específicos” para satisfazer uma “fome espiritual para receber a comunhão” e sob a exigência de ter realizado um processo de “cuidadoso discernimento espiritual”.

Nada está mais distante da realidade, afirma o porta-voz, uma vez que o texto final deste plano ainda está sendo elaborado pelos responsáveis pela doutrina e ecumenismo na Conferência Episcopal com a colaboração de seu presidente, Reinhard Marx, motivo pelo qual ainda não tinha sido enviado para o Vaticano.

Por sua vez, um dos sete bispos que escreveram para a Congregação para a Doutrina da Fé e ao Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos pedindo esclarecimentos sobre o assunto, o cardeal Rainer Woelki, de Colônia, afirmou que, o que parecia ser sua oposição ao plano aprovado por mais de três quartos da Conferência Episcopal Alemã, em fevereiro, na verdade se deu não porque pessoalmente seja contrário à ideia, mas porque a questão da intercomunhão para os protestantes é importante demais para que seja decidida apenas pelos bispos alemães.

“Junto com outros bispos, estávamos convencidos de que seria bom coordenar de maneira universal a solução que discutimos e estabelecemos [na Alemanha], de olho na unidade da Igreja e nos pontos de concordância com as demais Igrejas particulares”, afirmou o cardeal Woelki.

Eis o comunicado do porta-voz da Conferência dos Bispos da Alemanha:

1. O Presidente da Conferência Episcopal, cardeal Reinhard Marx, informou a Conferência Episcopal sobre a carta de sete membros da Conferência Episcopal a vários Dicastérios do Vaticano e sua reação a esses irmãos. Sobre esta última, ele também informou os Dicastérios no Vaticano.

2. Os membros da Conferência dos Bispos da Alemanha puderam enviar propostas de modificações (“Modi”) até a Páscoa para a resolução adotada na Assembleia Plenária Geral da Primavera em Ingolstadt. As informações recebidas foram incorporadas ao documento, cuja versão final – de acordo com a decisão da Assembleia Geral – é redigida pelo presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, pelo presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e pelo presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha. O cardeal Reinhard Marx informará o Conselho Permanente em sua reunião ordinária de 23 de abril. O documento não foi enviado pelo cardeal Marx ao Vaticano. Mais de três quartos dos membros da Conferência dos Bispos da Alemanha aprovaram o documento como subsídio pastoral.

3. O Presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha aderiu ao desejo do Santo Padre de ter uma reunião em Roma. O cardeal Marx acolhe expressamente este desejo do Santo Padre.

4. Notícias que afirmam que o subsídio foi rejeitado no Vaticano pelo Santo Padre ou pelos Dicastérios são falsas.

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