Ativistas mulheres fazem escolha estratégica para conduzir debate sobre sacerdócio

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09 Março 2018

Dizer que a Igreja Católica, pelo menos aos olhos do público, tem um "problema com as mulheres" não é uma grande novidade. Desde os anos 70, por volta da época da ascensão do feminismo como uma grande força política e cultural ocidental, o Vaticano sente-se obrigado a emitir uma alguma declaração importante sobre o papel das mulheres na Igreja, principalmente na questão do sacerdócio feminino, ardentemente debatida, a cada 20 anos, mais ou menos.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 08-03-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O ano de 1976 trouxe o documento Inter Insigniores da Congregação para a Doutrina da Fé, que apresenta os argumentos bíblicos e teológicos básicos para restringir o sacerdócio ordenado aos homens. Foi nesse mesmo ano que a Igreja Episcopal dos Estados Unidos votou pela admissão de mulheres ao sacerdócio. Portanto, a declaração do Vaticano foi um sinal claro de que a ruptura entre o catolicismo e a principal via do protestantismo só cresceria ainda mais, em muitos aspectos, com o passar dos anos.

O documento, no entanto, praticamente não dissuadia os defensores da ordenação feminina de fazer pressão. Só três anos depois que a irmã Theresa Kane celebremente desafiou o Papa João Paulo II durante uma visita aos Estados Unidos para abrir "todos os ministérios" da Igreja para as mulheres, fazendo dela um herói nos círculos a favor da reforma e alvo de críticas em outros.

A agitação da época fez com que João Paulo publicasse outro documento, Ordinatio Sacerdotalis, em 1994, não só analisando o caso para o sacerdócio exclusivo para os homens, mas buscando eliminar "todas as dúvidas" de que a resposta da Igreja poderia mudar.

"Cabe ao magistério decidir se uma questão é dogmática ou disciplinar: neste caso, a Igreja já decidiu que esta proposta é dogmática e que, por se tratar de lei divina, não pode ser alterada ou revista", escreveu João Paulo.

O Papa Francisco já afirmou esse veredicto diversas vezes, insistindo que João Paulo II encerrou o debate sobre a questão do sacerdócio feminino e que não será reaberto.

Já se passaram 24 anos de Ordinatio Sacerdotalis, o que significa que o Vaticano está ligeiramente atrasado em publicar uma nova declaração.

A julgar das atitudes dos líderes em uma conferência sobre as mulheres na Igreja, que ocorre em Roma esta semana - embora, certamente, não no terreno de 108 hectares do Vaticano, como nos últimos quatro anos -, quando essa declaração for publicada, pode ser necessário se concentrar menos nos pontos para os quais a Igreja diz "não" e mais no que está disposta a dizer "sim".

O grupo de palestrantes da conferência reflete muitas das vozes católicas feministas e progressistas que têm liderado o processo de mudança para a ordenação de mulheres ao longo de várias décadas.

Surpreendentemente, no entanto, numa conferência de imprensa na quarta-feira, em Roma, para apresentar o mais recente encontro do “Voices of Faith", que ocorreu na quarta-feira, na sede geral da ordem dos jesuítas, seis mulheres de diferentes partes do mundo passaram cerca de uma hora antes das perguntas da mídia expondo suas frustrações, críticas e sonhos em relação ao tratamento da Igreja às mulheres, sem jamais proferir a palavra "sacerdócio” - e sem fazer sequer alusão indireta ao debate sobre esse tema.

A maioria na verdade apoia o sacerdócio feminino, por isso sua discrição foi tão marcante. Eu pedi que elas explicassem por que pareciam estar evitando o assunto.

Dizendo que achava que os argumentos para excluir as mulheres do sacerdócio não eram mais do que misoginia disfarçada de teologia, Mary McAleese, ex-presidente da Irlanda e grande ativista dos direitos das mulheres, disse o seguinte sobre a questão do sacerdócio: "Não pretendo investir muito da minha vida nisso... Já estou muito velha para me incomodar".

"A questão é: o que deve estar em pauta?", questionou.

Na verdade, disse McAleese, foi feita uma escolha estratégica para o sistema mostrar o jogo, já que o sacerdócio para as mulheres está fora de cogitação.

"Então, como se propõe incluir as mulheres efetivamente no processo decisório?", perguntou. "Eles [a hierarquia] têm de ser pressionados para tomar alguma atitude, explicar as intuições, ideias e estratégias radicais que vão conseguir."

Chantal Götz, diretor da Voices of Faith, reforçou esse sentimento.

"Talvez estejamos gastando energia em algo que está fechado no momento", disse. "Há muitas, muitas outras possibilidades que estão abertas, então por que não batalhar por isso?"

Entre essas outras possibilidades, Götz mencionou incluir os leigos, bem como as leigas, nas várias comissões e conselhos do Vaticano, como o "C9", o conselho de cardeais conselheiros do Papa, e também reformular a abordagem dos recursos humanos do Vaticano para garantir que as mulheres tenham a oportunidade de contribuir com base em suas "habilidades e formação".

O próprio Francisco se comprometeu em várias ocasiões explorar essas possibilidades, dizendo que "a presença das mulheres deve ser garantida... nos vários contextos em que decisões importantes são tomadas, tanto na Igreja como nas estruturas sociais".

No entanto, falando a verdade, depois de cinco anos, mulheres jovens como Alina Oelher, uma alemã que estudou teologia em Roma e agora é jornalista, disseram na quarta-feira que muitas mulheres contribuem com o Vaticano nos bastidores. Essas funções não são tão "visíveis" e a maioria do grupo de colegas não compra a ideia de que a Igreja leva as mulheres a sério.

McAleese sugeriu que deixar o debate sobre o sacerdócio passar em branco é uma questão de estratégia, não de conteúdo.

"Vamos nos movimentar estrategicamente agora," ela disse. "Se realmente acredita no que disse sobre as habilidades, a genialidade, o mistério da mulher, diga como pretende implantar".

"Não nos diga o que não vai fazer", ela disse. "Diga o que vai [fazer]."

Talvez Francisco e sua equipe não ouçam esse desafio diretamente esta semana, pois essas mulheres não estão dentro dos muros do Vaticano este ano. No entanto, é uma questão que provavelmente vai ficar - e, desta vez, repetir os ensinamentos de Inter Insigniores e Ordinatio Sacerdotalis, por si só, não vai dar uma resposta.

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