Mulheres, direitos iguais. Mas não na Igreja

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04 Maio 2015

Homens e mulheres "têm os mesmos direitos, a disparidade é um escândalo", começando pelo salário que deve ser "igual". Na sua catequese sobre o tema da família – em vista da fase final do Sínodo dos bispos, em outubro –, durante a audiência geral da quarta-feira na Praça de São Pedro, o Papa Francisco falou sobretudo das mulheres, dentro das famílias e na sociedade.

A reportagem é de Luca Kocci, publicada no jornal Il Manifesto, 30-04-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O ponto de partida é tradicional: o matrimônio e a família, "obra-prima da sociedade", "o homem e a mulher que se amam". Instituições em crise, o papa está bem ciente disso ("as pessoas que se casam são cada vez menos: os jovens não querem se casar", "aumenta o número das separações", "diminui o número dos filhos"), mesmo entre os católicos ("Por que muitos, mesmo entre os batizados, têm pouca confiança no matrimônio e na família?"), por causa daquela "cultura do provisório" que caracteriza toda a sociedade ("Parece que não há algo definitivo").

Mais difícil, para Francisco, é identificar as causas: não apenas a crise econômica ("As dificuldades não são apenas de caráter econômico, embora estas sejam realmente sérias"), mas sim o "medo de errar" e de "fracassar".

Certamente, no entanto, acrescenta Bergoglio, liquidando um preconceito e uma opinião bastante difundida no mundo católico – especialmente o tradicionalista –, a responsabilidade não é do caminho da emancipação feminina.

"Muitos consideram que a mudança ocorrida nessas últimas décadas tenha sido posta em movimento pela emancipação da mulher", explica, mas isso "é uma falsidade, não é verdade".

Ao contrário, "é uma forma de machismo, que sempre quer dominar a mulher. Assumimos o feio papel que Adão fez, quando Deus lhe disse: 'Mas por que você comeu o fruto da árvore?', e ele: 'A mulher me deu'. E a culpa é da mulher. Pobre mulher! Devemos defender as mulheres".

É preciso haver uma "radical igualdade". Vale para o passado (foi derrotado um "abuso" considerado um "direito": o dos maridos de "repudiar as esposas, mesmo com os motivos mais infundados e humilhantes"), mas "deve trazer novos frutos hoje".

E sobre isso, exorta Francisco, "como cristãos, devemos nos tornar mais exigentes", por exemplo, defendendo "o direito à igual remuneração por igual trabalho; por que assumimos como evidente que as mulheres devem ganhar menos do que os homens? Não! Elas têm os mesmos direitos. A disparidade é um puro escândalo".

Um discurso socialmente avançado de Bergoglio, ainda mais olhando para os dados que evidenciam fortes diferenças de tratamento econômico entre homens e mulheres em diversos âmbitos de trabalho.

No entanto, se for lido não de maneira isolada, mas dentro de todos os seus discursos e especialmente considerando o papel "auxiliar" das mulheres na Igreja Católica, ele destaca algumas contradições e ambiguidades.

"A mulher é imprescindível para a Igreja", "Maria, uma mulher, é mais importante do que os bispos", dissera Francisco na sua primeira entrevista, concedida ao Pe. Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica (setembro de 2013), entrevendo novos papéis ("o gênio feminino é necessário nos lugares em que se tomam as decisões importantes"), mas também especificando para se ter cuidado para "não confundir a função com a dignidade" e do medo da "solução do 'machismo de saias', porque, na realidade, a mulher tem uma estrutura diferente do homem".

Na verdade, nesses dois anos de pontificado, com exceção das quatro mulheres presentes na comissão pontifícia antipedofilia (incluindo a irlandesa Marie Collins, vítima de abusos), nenhuma mulher foi colocada nos postos de comando.

A paridade invocada por Bergoglio continua sendo um objetivo a ser alcançado na sociedade e também na Igreja.

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